A diretoria de operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) convocou uma coletiva de imprensa no início da tarde desta terça-feira (1/11) para informar que está nas ruas numa “complexa” megaoperação para desobstruir inúmeras rodovias em todo o País que foram bloqueadas por bolsonaristas revoltados com a vitória de Lula.
Negando participação em possível conspiração golpista, a PRF disse que está do “lado da lei” e “empenhada em restabelecer a normalidade o mais rápido possível”. Para isso, aumentou o efetivo em 400%, suspendeu folga de policiais e pediu ajuda aos estados e municípios para agilizar a ação.
A instituição negou expressamente “qualquer omissão” diante do caos provocado pela derrota de Jair Bolsonaro e garantiu que os policiais que deram apoio ou foram condescendente com os protestos iniciados na segunda (31/10) serão identificados e processados posteriormente. “Vamos apurar desvio de conduta e já há procedimentos instaurados”.
Multas administrativas
A PRF afirmou que a operação é complexa porque, além de extensa, envolve crianças e idosos nos locais de protesto. Com base no código de trânsito, os policias passaram a distribuir multas de R$ 5,8 mil reais para os veículos que estão obstruindo as vias, numa tentativa de acabar com a mobilização.
Já as lideranças que estão convocando ou organizando os atos podem ser presas em flagrante e multadas administrativamente em até R$ 17,6 mil, também com base no código de trânsito. As multas administrativas não excluem a possibilidade de outros processos judiciais.
Por conta de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral, a PRF está autorizada a registrar as placas dos automóveis envolvidos nos bloqueios e encaminhar as provas para a polícia judiciária, que dará “encaminhamento à persecução penal” dos bolsonaristas que atentam contra o resultado das eleições.
Dimensão dos protestos
Até o início da tarde de terça (1º), a PRF registrou mais de 460 picos em todo o país, entre concentrações, bloqueios e interdições de rodovias e estradas. Há problemas em mais de 20 estados, sendo Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso os mais afetados. Mais de 300 pontos já teriam sido desbloqueados pela PRF, que agilizou o processo após decisão do TSE. Até a meia-noite de hoje, 182 autuações de trânsito foram realizadas.
Segundo a PRF, os eleitores bolsonaristas – entre caminhoneiros e motoristas em carros de passeio – conseguiram fazer, em apenas 24 horas, o mesmo estrago que apenas a categoria dos caminhoneiros levou 5 dias para organizar em 2018.
Assista à coletiva de imprensa:
Deixe um comentário