por Régis Barros*
Solicitaram-me uma pequena reflexão, em texto, sobre o que estamos a assistir. Após a eleição, diariamente, somos surpreendidos com expressões individuais e coletivas que nos causa espanto. Memes, vídeos e posts que chegam ao inacreditável.
Pois bem, apesar da imensa dificuldade nessa análise, tentarei refletir um pouco. Freud falava do poder da massa e dos coletivos que são capazes, inclusive, de ofuscar a individualidade de cada um da própria massa. Ela, a massa, não tem compromisso em viver a verdade, mas sim em mergulhar, propagar e retroalimentar a sua fantasia. Ou seja, a massa vive o faz de conta que ela própria criou e, a partir de então, luta para se manter presa a essa fantasia ora criada.
Quais são as verdades de hoje? Lula ganhou a eleição nas urnas, com voto popular, numa eleição acirrada de um país dividido. Os poderes constituídos, as instituições e as nações mundiais reconheceram, validaram e parabenizaram o resultado. A equipe de transição já atua. Bolsonaro perdeu a eleição. Seu projeto político e os eventos ocorridos na sua gestão levaram com que a maioria não quisesse a sua reeleição. Pronto, sem arrodeio, esses são os fatos e a verdade.
No entanto, uma parte dos que perderam constituíram uma massa que nega a realidade e que, com ideias sobrevalorizadas e quase deliróides, se julgam capazes de mudar a própria realidade. Eles fantasiam que as FFAA vão anular as eleições, que outro pleito será disputado, que o voto será impresso e, até, que Bolsonaro será aclamado a continuar no poder. Para tal, fecham rodovias e se acumulam diante de organizações militares. Para tal, fazem performances, tais como: rezar diante de muros, marchar dobrados militares de maneira bizarra, cantar hino nacional para pneu, escalar boleia de caminhão, orar, de joelhos, ao relento, gritar a esmo de forma destemperada e por ai vai, nas mais diversas formas histéricas de ser.
Pois bem, essa massa, não crítica, se retroalimenta pelo fato de agentes (políticos, agentes públicos e alguns representantes de instituições contaminados de conflito de interesses) bancarem essa alienação. Infelizmente, eles, absortos no compartilhamento dessas ideias falsas, ainda produzirão muitos materiais cômicos e dignos de um programa de comédia.
*Régis Barros é Médico Psiquiatra e Psicoterapeuta. Preceptor da Residência de Psiquiatria do Hospital de Base do DF. Mestre e Doutor em Saúde Mental pela FMRP – USP.
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Rui
14 de novembro de 2022 3:28 amO rebanho de miniotas Bozifascistas não conseguem ver que o fato do Lula ser ex-presidiário não é um demérito para o Lula, mas para o $érgio Moro e para o Dalllagnol, entre ôtas otoridades tupiniquins, pois quando uma mosca pica um cavalo, este continua um cavalo, enquanto a mosca não passa de uma mosca
Ulysses
Rui
14 de novembro de 2022 3:34 amA manifestação desses desocupados se parecem com aquelas danças de São Vito, que ocorriam na Europa.
A propósito, ouça St Vitu’s Dance, música do Black Sabbath