4 de junho de 2026

O que podemos aprender com as Berinjelas?, por Janderson Lacerda

Bem-aventurados são aqueles que carregam em suas marmitas uma Lasanha de Berinjela ou uma Berinjela à Parmegiana.

O que podemos aprender com as Berinjelas?

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por Janderson Lacerda

Não. Este texto não é de um coaching gastronômico. Tampouco tem a pretensão de discutir o valor nutricional das berinjelas por dois simples motivos: primeiro porque abomino coaches e segundo por não ter conhecimento e a formação acadêmica de um nutricionista.

A questão aqui, caro leitor, é discutir a capacidade revolucionária das berinjelas. Sim, a começar por sua cor. A natureza nos brindou com nuances entre o azul e o vermelho – certamente para maquiar seu espectro político – que ao final formam um roxo lustroso, cor de berinjela.

Depois a grafia da palavra: berinjela no Brasil escreve-se com J, assim como em espanhol, berenjena ou em árabe, bândinjâna. Entretanto, a forma mais antiga do vocábulo é Beringela, com G, modelo utilizado no português de Portugal até hoje.

Perceberam a capacidade de mutação gramatical das berinjelas? E você acha que a discussão se encerra na morfologia da palavra? 

Errou!

De origem indiana e revolucionária como Gandhi, as berinjelas mudaram para sempre a história da gastronomia. Do fruto — ou seria legume? Darwin explica — desprezado na Europa, porque muitos acreditavam que ao comê-la poderiam sofrer de epilepsia ou demência, ao protagonismo da gastronomia moderna.

As berinjelas, como cantava o grande Raul Seixas, são metamorfoses ambulantes, embora me arrisque a dizer que elas não são anárquicas como o velho Raulzito e sua sociedade alternativa. Ao contrário, como diz o provérbio: berinjelas unidas comida garantida – desculpe-me, inventei o ditado agora porque não encontrei nenhum que pudesse ser utilizado nesta crônica.

O fato é que com uma porção de berinjelas é possível criar diversos pratos. Da entrada com Caponata, Brusqueta, Antepasto de Berinjela, Patê de Berinjela tudo muito gourmetizado é verdade. Mas, isto não significa que, apenas, frequentadores de restaurantes de elite poderão desfrutar da iguaria.

Afinal, a Berinjela muitas vezes é o prato principal da classe trabalhadora, sobretudo, nos anos de fome impostos a nós pela dupla Guedes e Bolsonaro. 

Bem-aventurados são aqueles que carregam em suas marmitas uma Lasanha de Berinjela ou uma Berinjela à Parmegiana.

Carne vermelha para quê, Camarada?!

Com ¼ de xícara de chá de azeite, ¼ de cominho, sal a gosto e duas berinjelas é possível fazer uma deliciosa berinjela assada ou até mesmo refogada.

Definitivamente as berinjelas revolucionaram a culinária.

E, apesar, de renomados chefes de cozinha se apropriarem do fruto, as berinjelas desde sempre se renderam às donas de casa, cozinheiras não remuneradas com profundo conhecimento empírico. E são na verdade essas mulheres que revolucionaram as cozinhas de todo mundo e transformaram as berinjelas na requintada iguaria dos nossos tempos.

Donas de casa de todos os países, uni-vos!

Contudo, a berinjela é o único fruto não proibido capaz de reunir Gandhi, Darwin, Marx e uma pitada de Raul Seixas em uma única crônica. Ora, se isso não for revolucionário é, ao menos, um monte de bobagens.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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