10 de junho de 2026

Um dos maiores fundos imobiliários do mundo, Blackstone dá sinais de risco para o setor

Restrição do fundo Blackstone aos investidores está sendo visto como "um golpe sem precedentes" na gigante de ativos

Um dos maiores fundos imobiliários do mundo, com US$ 69 bilhões de dólares, a Blackstone Real Estate Income Trust (BREIT) limitou os resgates dos investidores, o que foi noticiado pelo mercado como “um golpe sem precedentes” na gigante da gestão de ativos, nesta quinta-feira (01).

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“Este é um sinal assustador para o mercado imobiliário”, explicou a jornalista econômica da Bloomberg, Fox e Vice dos Estados Unidos, Genevieve Roch-Decter, no Twitter.

O fundo investe em imóveis, indústrias, varejo e hotéis, iniciado em 2016, mas sendo atualmente um dos maiores fundos imobiliários do mundo. Ele é vendido somente para investidores selecionados, de alta renda, por meio de consultores financeiros e não está aberto ao público em geral. A própria página do BREIT anuncia que os retornos são de 15,5% em 3 anos aos investidores, com uma taxa de distribuição de 4,4%.

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“Então, o que está acontecendo com o fundo agora? Nesta semana, a Blackstone anunciou que o fundo atingiu seu limite de retirada trimestral. Muitos investidores estão tentando sacar dinheiro de uma vez”, contou.

Para evitar a liquidação dos ativos imobiliários, o fundo é capaz de limitar os resgates, quando os saques atingem 2% do fundo ao mês ou 5% a cada três meses. Como o limite dos últimos 3 meses foi excedido, a Blackstone decidiu restringir os saques dos investidores.

Foto: Reprodução Twitter

Com a notícia dada nesta quinta, as ações da Blackston despencaram 7%. “Com que o mercado está preocupado?”, questionou Roch-Decter. “O limite do resgate atingido pode ser um sinal de que o desempenho do fundo está com problemas. Os investidores estão nervosos porque outros investidores estão retirando seu dinheiro porque o fundo não terá um bom desempenho daqui para frente”, explicou.

A especialista lembrou que o custo do empréstimo aumentou este ano, com a inflação, e, na prática, o fundo poderá ter problemas para investir em apartamentos e edifícios industriais “de forma agressiva como o fez nos últimos 5 anos”.

“A maior parte do fundo é em apartamentos (cerca de 55%) O mercado imobiliário está em desaceleração, o que sabemos há vários meses”, disse, compartilhando um gráfico que ilustra a distribuição do fundo por tipo de investimento:

Foto: Reprodução Twitter

Outro fator que impacta na notícia é que a Blackstone não lucra somente com o desempenho dos investimentos, mas também com a taxa de administração de 1,25% ao ano, paga mensalmente pelos investidores. Assim, com a saída dos investidores retirando seus recursos, diminui a taxa de administração da Blackstone sobre o fundo.

“Cada resgate reduz a taxa que a Blackstone cobra para administrar o fundo. Eles também coletam 12,5% dos retornos, com uma barreira de 5%. As ações da Blackstone estão em baixa porque se espera que as taxas de administração e de desempenho sejam menores.”

“O limite de resgate da Blackstone atingido é um sinal definitivo de que o mercado imobiliário está desacelerando e as perspectivas para o investimento imobiliário não são boas”, concluiu a especialista.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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1 Comentário
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  1. Antonio Sergio Pires Miletto

    3 de dezembro de 2022 8:07 am

    Esta crise pode se alastrar como a de 2018?

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