Responsabilidades
por Wilson Ramos Filho
Saiu a lista dos principais bancos que se deixaram enganar pelos acionistas majoritários da Lojas Americanas.
O tal “mercado” não ficou nervoso com o calote. O mercado e os jornalistas a serviço dele só não gostam de políticas públicas para pobres. O estelionato praticado entre eles, os operadores do capitalismo, não intranquiliza o mercado.
E já começou o jogo de empurra. A culpa seria da empresa de auditoria externa, cúmplice dos escroques que “esconderam” a fraude que chegaria a 43 bilhões de reais, segundo analistas do mercado. Eu não me conformo.
É verdade que a empresa PwC foi contratada exatamente para evitar as fraudes contábeis e para atestar que não havia risco de calote ou rombos escondidos. Foi a PwC que validou o lucro dos acionistas, justificador dos milionários bônus pagos aos executivos escroques. E é verdade que a PwC contratada para dar segurança aos credores falhou de uma forma, digamos, extraordinária.
Mas não é menos verdade que esses bancos que agora amargam o incrível prejuízo não são dirigidos por ingênuas velhinhas que, bondosas, acreditam na boa-fé de quem lhes pede empréstimo. Tentem pegar empréstimo em qualquer um deles sem oferecer enormes garantias e depois nos contem se foi fácil.
Aparentemente houve conluio criminoso de alguns, negligência de outros e incompetência de muitos dos executivos envolvidos, quer entre os credores, quer na ponta que tomava os créditos. A mão visível do mercado lambuzou-se vergonhosamente.
A maioria de nós, que não somos acionistas destes bancos, nem fornecedores ou empregados dos estelionatários, não será diretamente afetada pelo maior calote financeiro da história de nosso país. Os três acionistas majoritários, depois de sacanearem seus credores, continuarão na obscena lista dos dez brasileiros mais ricos.
Mas encafifei com uma coisa: qual foi o envolvimento das diretorias do #bancodobrasil e da #caixaeconomicafederal na concessão destes créditos?
No patrimônio da CAIXA esses 500 milhões de reais que viraram “crédito de difícil liquidação” fazem falta, muita falta. Aquele assediador amigo do jaguara que presidia o banco esteve envolvido na concessão desses empréstimos? Da mesma forma, esse um bilhão e trezentos milhões de reais que dificilmente voltarão para o BB farão muita falta. Que garantias reais BB e CEF exigiram das Lojas Americanas para conceder-lhe esses vultosos empréstimos? Se não foram as mesmas garantias que exigem para os demais clientes estaremos diante de um escândalo de grandes proporções políticas.
Certamente os melhores jornalistas econômicos brasileiros já estão apurando essa questão para sabermos se houve ou não tratamento privilegiado a esses caloteiros e a pedido de quem. A verdade acabará aparecendo.
Xixo, 25 de janeiro de 2023.
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Mário Mendonça
25 de janeiro de 2023 2:01 pmMouro, quando o MPF , justiça entrará seriamente nesse escândalo?