5 de junho de 2026

O escândalo do silêncio, por Janio de Freitas

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Os negócios que se ligariam aos nomes delatados por Paulo Roberto Costa ficam silenciados

 
Por Janio de Freitas
 
São mais de quatro meses de intensa presença, na política e na imprensa, do múltiplo escândalo envolvendo o doleiro Alberto Youssef, negócios passados da Petrobras com as refinarias Abreu e Lima e de Pasadena, e a corrupção do ex-dirigente da estatal Paulo Roberto Costa. Já é um escândalo mais longo que o desnudamento da Presidência de Collor, de pouco mais de três meses. E, por certo, é o escândalo mais obscuro de todos para a opinião pública, apesar de duas CPIs e vários inquéritos da Polícia Federal com a Procuradoria da República.
 
Uma de suas faces, porém, está bem nítida. É a obediência à regra fundamental dos escândalos brasileiros de corrupção.
 
Sem estar sob segredo de Justiça, a investigação sobre as atividades do doleiro Alberto Youssef resultou em razoável quantidade de informações públicas. Mas confusa o bastante para que não se saiba, até hoje, como e quem formou a tal montanha de R$ 10 bilhões que Youssef teria posto no exterior por meios ilegais. O custo da refinaria Abreu e Lima, dezenas de vezes maior do que o previsto, tem números, mas não tem a explicação. Os envolvimentos de políticos na corrupção delatada por Paulo Roberto Costa têm alguns nomes, mas os negócios que se ligariam a esses nomes ficam silenciados.
 
O elo que reúne todas essas omissões: nenhuma pode ser preenchida sem a revelação, também, do lado corruptor. No qual estão as empreiteiras fortes, como OAS, Odebrecht, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Engevix, Mendes Júnior, Coesa (da OAS), e por aí em diante. As intocáveis, portanto.
 
CONTRAPÉ
 
Uma situação original na disputa dos presidenciáveis, proporcionada pelo candidato sorriso.
 
Se as duas atitudes decorreram de análises internas do PSDB, não está claro. Mas a opinião divulgada por Fernando Henrique, de que Aécio Neves deveria passar ao ataque a Dilma, deixando Marina a salvo, foi seguida pelos discursos do candidato com apelos ao eleitorado “para tirar o PT do governo”.
 
Como a maior possibilidade de “tirar o PT” é de Marina, e não de Aécio, o sentido final daquelas duas colocações é o mesmo: o voto útil. Nela.
 
Mas a opinião de um e a prática do outro, um disfarçado jogar da toalha, davam-se exatamente quando o eleitorado concedia algum alento a Aécio, como indicado nos dois e três pontos captados pelo Datafolha e pelo Ibope. Era o candidato contra seus apoiadores. E ainda foi fazer o seu apelo no Nordeste, onde não consegue colher nem milho.
 
MUDANÇA
 
Caso se confirme e inclua mudança de direção, a venda do controle do Ibope à inglesa WPP vai sacudir as relações entre meios de comunicação, publicidade e público leitor/ouvinte/espectador.
 
Lá por meado do século passado, o então incipiente grupo Globo e o Ibope tiveram gravíssimo incidente. Como era próprio do comando de Roberto Marinho, não houve meios tons. A ofensiva adotou a tática arrasa-quarteirão.
 
Desde o acordo de paz, muitas emissoras de sucesso do Rio e, depois, também de São Paulo se insurgiram contra o que seria o sistema de apuração do Ibope. Em vão. É compreensível que, para as mesmas ou para as sucessoras, novos donos possam significar novas perspectivas.

 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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8 Comentários
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  1. IV AVATAR

    21 de setembro de 2014 12:47 pm

    Denuncie os crimes eleitorais da Globo e CIA
    Denuncie os crimes eleitorais que estão sendo praticados por Globo e CIA. Segue link para texto na íntegra, com denúncia que fiz a Órgão cuja função é zela pela CF e defender a democraciahttp://www.josecarloslima85.blogspot.com.br/2014/09/corre-em-segredo-de-justica-mas-nao.html

    1. lenita

      21 de setembro de 2014 2:17 pm

      Muito bem Avatar. São pessoas

      Muito bem Avatar. São pessoas assim que o Brasil precisa, para se livrar do mal de “Dois pesos e duas medidas”.

  2. superperplexo

    21 de setembro de 2014 12:49 pm

    “O elo que reúne todas essas

    “O elo que reúne todas essas omissões: nenhuma pode ser preenchida sem a revelação, também, do lado corruptor. No qual estão as empreiteiras fortes, como OAS, Odebrecht, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Engevix, Mendes Júnior, Coesa (da OAS), e por aí em diante. As intocáveis, portanto…”

    Ai está a síntese da hipocrisia em que a mídia e certos “analistas” escandalizam sempre apenas um dos lados do balcão!

  3. fabricio coyote

    21 de setembro de 2014 1:30 pm

    F(r)eitas P(h)unked Carioca!

    o legal é a referência, também, a “The sound of silence”, de Simon and Garfunkel. 

  4. AntonioC

    21 de setembro de 2014 2:19 pm

    Quando a justiça não tira o criminoso…

    Quando a justiça não tira o criminoso de circulação ele volta. O doleiro Alberto Yussef beneficiario de delação premiada está de volta em mais uma tramoia.

     

    http://www.cartacapital.com.br/blogs/blog-do-serapiao/alberto-youssef-delatou-principais-doleiros-do-pais-em-2003-2446.html

  5. emerson57

    21 de setembro de 2014 2:24 pm

    PIG (proba imprensa gloriosa)

    A deletéria ação de desinformação do pig, exponencial na gloebels, faz com que

    muito cidadão patriota sinta ódio por #tudooqueaiesta,

    na pessoa do………….Lula !!!!!?

  6. Serralheiro 70

    21 de setembro de 2014 3:06 pm

    Janio de Freitas

    Como sempre uma leitura imperdível . A se perguntar onde andaram MPF, PF , e políticos não envolvidos nas CC5 e Banestado neste intervalo de se rever Youself agora em Pasadena e Abreu e Lima?

  7. Caetano.

    21 de setembro de 2014 3:27 pm

    É a simples continuação do

    É a simples continuação do mensalão, com dinheiro da Petrobras. Sempre fui contra a privatização dessa empresa, que muito nos orgulhava, mas já começo a ficar em dúvida…

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