4 de junho de 2026

Os acordos comerciais e a pauta de exportações, por Luís Nassif

Tratados de livre comércio sempre beneficiam os países mais industrializados, em detrimento dos menos industrializados.
Ricardo Stuckert

Na visita à Argentina, Lula falou na necessidade de definir logo o acordo comercial com a União Europeia. Ao mesmo tempo, tenta demover o Uruguai de fechar um acordo bilateral com a China.

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De fato, se a China encontra uma brecha na Tarifa Comum do Mercosul – um imposto de 15% sobre as importações – acabará por destruir o que resta de industrialização no continente.

Nessa linha, é importante saber o que se pretende com o acordo comercial com a Europa. Tratados de livre comércio sempre beneficiam os países mais industrializados, em detrimento dos menos industrializados. A maior prova é o Tratado de Methuen, entre Inglaterra e Portugal, que vigorou de 1703 a 1836.

A Inglaterra deu prioridade para Portugal na importação de vinhos – e a indústria vinícola portuguesa era o setor mais forte da economia local. Em troca, Portugal teria que abrir seu mercado para produtos ingleses.

Para a Inglaterra, não fez diferença. Meramente substituiu a importação de vinhos franceses pelos portugueses. Para Portugal foi o fim de qualquer veleidade industrial. Todo o ouro que vinha do Brasil foi gasto pagando as importações de têxteis e outros produtos industriais da Inglaterra.

Desde então, criou-se uma máxima da exploração no comércio exterior: país vitorioso é o que importa matérias primas e exporta bens industrializados.

Uma análise do comércio bilateral brasileiro mostra que, na pauta de exportações brasileiras produtos de maior valor agregado, aparecem apenas nas exportações para países do continente e para os Estados Unidos.

Para a China e para as maiores economias europeias, vigora o mais flagrante desequilíbrio.

Confira nas tabelas abaixo.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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2 Comentários
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  1. Luiz alberto Melchert de carvalho e Silva

    31 de janeiro de 2023 9:13 am

    Só para esclarecer, Pombal simplesmente fingiu que o tratado não existia e tentou industrializar Portugal, na tentativa de fazer com o Brasil o mesmo que os ingleses fizeram com os Estados Unidos, tranformando sua maior colônia em mercado cativo para sua indústria. foi quando o contrabando capeou solto no Brasil, visto que bens como tecidos grosseiros para vestimentas de escravos e ferramentas de ferro para construção e reparo de engenhos de açúcar tiveram sua produção proibida aqui. Portugal, ao contrário da Inglaterra, não tinha indústria capaz de abastecer o mercado cativo e esse foi o maior motivo para o fracasso das medidas pombalinas. É que, para pagar o contrabando de industrializados, aumentou significativamente o contrabando de açúcar, dando a volta no comércio triangular.

  2. evandro condé

    31 de janeiro de 2023 4:25 pm

    Não é o local mas a notícia é de hoje. Não basta termos o Lula na presidência, ainda mais com essa leva de aliados.

    https://www1.folha.uol.com.br/poder/2023/01/rui-costa-tenta-emplacar-esposa-enfermeira-em-tribunal-de-contas-na-bahia.shtml

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