5 de junho de 2026

Instituto de Economia da UNICAMP rebate críticas do guru de Marina

 

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O Instituto de Economia da Unicamp vem a público reiterar seu compromisso com o Desenvolvimento Econômico e Social do Brasil.

Defendemos e exercitamos a qualidade e pluralidade do debate acadêmico e político e refutamos todas as agressões infundadas e levianas à nossa instituição por motivações ideológicas, partidáriase eleitorais.

A construção da Escola de Pensamento da UNICAMP deve-se à determinação e coragem de um pequeno grupo de intelectuais e pesquisadores que ousaram, há mais de 40 anos, desafiar as visões econômicas convencionais, conservadoras e tecnocráticas existentes e de forma criativa e crítica repensar e reinterpretar o desenvolvimento econômico e social brasileiro, com base inicialmente nas contribuições de pensadores cepalinos como Celso Furtado, Raul Prebisch, Ignácio Rangel, Aníbal Pinto, entre outros. Esse esforço intelectual promoveu uma profunda revolução na história do pensamento econômico e no ensino de economia no Brasil.

Desde então, novas e importantes contribuições teóricas, críticas e interpretativas incorporaram e integraram diversas matrizes teóricas (marxista, keynesiana, schumpeteriana), com elevado nível de qualidade e merecido reconhecimento por parte da comunidade científica e acadêmica nacional e internacional. A Escola de Campinas nunca se limitou ou se subordinou a um único paradigma teórico e se notabilizou por construir uma interpretação teórica própria e inovadora dos problemas econômicos e sociais brasileiros.

O Instituto de Economia, ciente de seu papel crítico no debate acadêmico econômico, tem ampliado consistentemente seus canais com a sociedade acadêmica e científica nacional e internacional, estimulando a realização de seminários e a celebração de convênios e projetos de pesquisa com várias e prestigiosas instituições, bem como a maior participação de nossos docentes e discentes em programas internacionais.

Temos convênios acadêmicos com inúmeras universidades latinoamericanas, europeias e norte-americanas. A título de ilustração, recebemos recentemente a visita de consagrados pensadores e pesquisadores com quem temos debatido a questão do Desenvolvimento: Peter Evans (Berkeley, EUA), Philip Arestis (Cambridge-Reino Unido), Claude Serfati (Versailles-Sainta Quentin-França), Giovanni Dosi (Scuola Superiore Sant’Anna, Itália), Gary Dimsky e Giuseppe Fontana (Leeds-Reino Unido), Jan Kregel (Levy Economics Institute – EUA), Roberto Frenkel (UBA-Argentina), Sebastian Dulien (HTW- University of Applied Sciences Berlin-Alemanha), Pierre Salama (Paris XIII-França), Robert Wade (London School of Economics – Reino Unido), Guy Standing (SOAS – Reino Unido), Robert Brenner (UCLAEUA), Thomas Palley (EDOS – Economics for Democratic & Open Societies), Ronald Dore (London School of Economics-Reino Unido) e Geoffrey M. Hodgson (University of Hertfordshire – Reino Unido), entre outros.

O Instituto de Economia destaca-se pela qualidade no ensino e na formação crítica e abrangente dos nossos alunos de graduação e pósgraduação, fornecendo profissionais capacitados para o setor privado, para os órgãos e empresas públicas e para a atividade acadêmica. Nossos mais de duzentos e cinquenta alunos de pós-graduação, entreos quais contamos vários estrangeiros, são merecedores de inúmeros prêmios por suas teses e dissertações e apresentam seus trabalhos em centenas de eventos científicos no Brasil e no exterior, bem como realizam estágios, intercâmbios e programas de doutorado sanduíche em reconhecidas universidades estrangeiras. Esse esforço é reconhecido nas avaliações criteriosas e insuspeitas das agências públicas e na posição de destaque do Instituto de Economia da Unicamp nos principais rankingsacadêmicos públicos e privados.

Do ponto de vista acadêmico, somos um dos mais importantes centros de geração, apropriação e difusão de conhecimento em teoria econômica e economia política. Estamos inseridos ativa e criticamente no debate econômico nacional e internacional. Nossos docentesparticipam de inúmeras redes de pesquisa nacionais e internacionais e, apenas no último ano, divulgaram seus trabalhos em mais de uma centena de prestigiosos eventos internacionais. Nossa produção intelectual é amplamente veiculada em livros, revistas acadêmicas, artigos de jornais, entrevistas e novas mídias.

A dimensão política é outra atribuição estratégica do Instituto de Economia, a partir da intensa contribuição e participação de seu quadro docente (e também de nossos ex-alunos) em todos os níveis de governo, em diferentes administrações, e em instituições internacionais (Cepal, BID, Banco Mundial, Unctad e FAO).

As profundas mudanças globais nas estruturas financeiras, tecnológicas, produtivas, comerciais e de trabalho mais do que nunca exigem de centros formuladores de conhecimento, como o Instituto de Economia da Unicamp, novas ideias e interpretações críticas do desenvolvimento econômico e social brasileiro e global e do papel do Estado nesse processo.

O Instituto de Economia sempre manteve, mantem e manterá um diálogo aberto, construtivo e de alto nível com vários segmentos organizados da sociedade brasileira, na perspectiva de contribuir para uma discussão séria reconhecimento dos nossos erros e limitações. Mas jamais nos subordinaremos aos interesses menores, privados e corporativos que conspiram contra coragem de pensar e ousar, de querer um país soberano, com o pleno exercício da cidadania e da busca incessante da justiça social. Só assim, devolvemos à sociedade, na forma de conhecimento e de prestação de serviços qualificados e de utilidade pública, o que recebemos em recursos e investimentos, buscando corresponder à confiança emnós depositada.

Atenciosamente

Direção do Instituto de Economia

 

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7 Comentários
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  1. Miguel A. E. Corgosinho

    16 de setembro de 2014 6:41 pm

    Lamento muito, mas, varando

    Lamento muito, mas, varando os tempos, não vejo nenhiuma concreção culminante para a formação superior ao curso douto de economia senão em face de aplicar os alunos à guisa de sugestões técnicas da especulação, com um curriculo de defesa da agiotagem financeira que se mantém até hoje. 

  2. Paulo Camargo

    16 de setembro de 2014 6:57 pm

    Criminalização econômica?

    Nassif e pessoal da Unicamp!

    Sou graduado em economia pela PUC/SP na década de 80. Tive vários professores que faziam doutorado ou então o tinham concluído pela UNICAMP. Tive o privilégio, com eles, de aprender a ler Celso Furtado, Raul Prebisch, Marx e Keynes – que vocês mencionaram no artigo –  de forma consequente e a compreender a economia como ciência social e não associal. Participei de inúmeros debates promovidos pela faculdade que enriqueceram em muito minha formação. Como ciência social o estudo da economia passa também pelas relações de poder existentes no país e ao nível internacional. O Brasil, apesar de ter tido avanços significativos em relação a distribuição de renda e a processos democráticos, ainda enfrenta a fúria conservadora que, entre outros desmandos, criminaliza agentes de mudança social. isso se passa no ãmbito do jogo político e parece que a ofensiva agora vem também em termos do conhecimento científico produzido. Como sugestão peço que abram um abaixo assinado para conscientização do jogo que por ora se dá.

    Grande abraço aos professores da UNICAMP.

    1. Fernando Elias Reis

      17 de setembro de 2014 7:08 pm

      Na minha porta uma sombra morta

      Brilhante a percepção de Paulo Camargo.

      Recentemente comecei outro curso superior na UFMG, e percebi que os professores, mesmo externando mais ideias sociais que ideário liberal, fazem questão de afirmar que não são de esquerda. Aparentam ter vergonha de ser de esquerda. Mais um pouco e chorariam arrependidos por não conseguirem amar os valores da sociedade de consumo (como no final do livro 1984). 

      Além da criminalização, existe toda uma campanha de pressão moral e intelectual contra os portadores de ideais e ideais sociais e de fraternidade. Implantaram-se uma ética e uma estética liberais irresistíveis, do tipo “se você não vê a roupa de ouro do Rei é porque vc não tem coração nobre, não entende nada de economia e não tem caráter”. 

      A criminalização nada mais é que o primeiro ato de reação violenta por porte daqueles que, justificados pela estética de direita de que a esquerda não presta e ponto, se julgam no direito de despejar suas frustrações pessoais sobre esse “Judas” (quem se lembra das “farras” de espancar o Judas na semana santa?). Algo semelhante aos jovens que, vendo os pais desandar a língua contra os miseráveis (que lhes incomodam o senso de realidade, uma espécie de Siddhartha Gautama ao contrário), vão e põem fogo em mendigos.

      Na minha porta porta, uma sobra morta, que ninguém quer ver…

      A coisa é bem pior do que parece, mas ainda há esperança para esse país. Se bem que, segundo a nova ética/estética usar palavras de cunho mais moral do que técnico, como “esperança”, faz de meu discurso uma afronta às crenças inabaláveis de que o consumo e a economia, tipicamente técnicistas, sejam a salvação da humanidade… E seu eu ofendo essas crenças, bem, posso ser ofendido também…

  3. hc.coelho

    16 de setembro de 2014 7:39 pm

    Como tenho péssima impressão dos economistas…

    Assim fica pareceendo desculpa. Onde está este instituto que não analisa o que vem acontecendo de bom no país. A eliminação da fome, a distribuição de renda, a elevação de quem nunca participou da vida ativa e econômica do país, a presnça de médicos nos rincões que nunca os viram, as cotas de grande significado econômico (econômico viu?) para aqueles que eram e são vítimas de preconceitos, etc. Isso não interessa? ou é político? Meu grupo não vai gostar? E o itau vai fechar a cara prá nós? 

    E a guerra com fator econômico princiapal da uma turminha dos 0,01% é denunciada? A política econômica que leva os europeus para a pobreza de volta, a destruição de Portugual com as políticas “macro-econômicas” (na verdade eu não sei o que é isso), é motivo de  preocupação, etc, etc? Agora  pedir um banco central “” independente”” desde que nosso, é fácil.

    Economistas….

    Morrem de preocupação porque a gasolina não aumenta….

    1. Sergio SS

      16 de setembro de 2014 8:05 pm

      Muito bem sacado HC !!! 

      Muito bem sacado HC !!! 

  4. altamiro souza

    16 de setembro de 2014 9:33 pm

    acho  que a unicamp deveria

    acho  que a unicamp deveria ser mais contundente com o falacioso representante da equivocada equipe economica da dona marina silva.

    mas no final desse texto parece que o cara levou uma paulada fortíssima.

    boa.

  5. Porém

    17 de setembro de 2014 10:31 am

    Acho que só precisava dizer

    Acho que só precisava dizer que um dos maiores economista da atualidade, Mercadante, tirou doutorado por lá. se verdade for, pois não acredito em tujdo que se diz na net

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