A Open AI será indispensável à Agnotologia?
por Fábio de Oliveira Ribeiro
Recentemente o Estadão noticiou que a Open AI passou no exame da OAB. Todavia, nos dois últimos testes jurídicos que fiz com ela o resultado foi desanimador. A Open AI não tem a empatia indispensável a qualquer jurista. Ela é inerentemente conservadora e falhou ao valiar um hard case.
Recentemente foi noticiado que algumas universidades proibiram seus alunos de usar essa tecnologia. A produção de artigos científicos com o uso do ChatGPT não foi muito bem recebida. Idem para a produção literária com a utilização desse recurso. Em razão dessas notícias desenvolvi um novo teste e o apliquei à Open AI. Eis o resultado.
“Fábio: Você quer conversar?
Open AI: Claro, eu adoraria conversar com você! Sobre o que você gostaria de conversar?
Fábio: Escolha o assunto.
Open AI: Bom, existem muitos assuntos interessantes para conversarmos. Algum tema em particular que você tenha curiosidade ou queira discutir? Podemos falar sobre tecnologia, ciência, cultura, esportes, entre muitos outros.
Fábio: Eu posso conversar sobre qualquer assunto.
Open AI: Ótimo! Que tal falarmos um pouco sobre ciência? A ciência é um campo muito vasto e fascinante, com muitos temas interessantes para discutir. Há algo em particular que você gostaria de saber ou discutir sobre ciência?
Fábio: Há alguma ciência em particular sobre a qual você queira conversar?
Open AI: Como modelo de linguagem, eu posso conversar sobre uma ampla gama de tópicos em ciência, então vamos escolher um tópico interessante! Que tal falarmos sobre astrofísica? A astrofísica é um campo fascinante que estuda a física e a química dos objetos celestes, como estrelas, planetas e galáxias. Há muitas descobertas interessantes que têm sido feitas na astrofísica nas últimas décadas. Você tem alguma pergunta específica ou gostaria de discutir algum tópico em particular sobre astrofísica?
Fábio: O sol é muito quente. Então só é possível viajar para ele a noite.
Open AI: Na verdade, não é possível viajar para o Sol, independentemente de ser dia ou noite na Terra. O Sol é uma estrela extremamente quente e massiva, com temperaturas na sua superfície chegando a cerca de 5.500 graus Celsius, e ainda mais quente em seu núcleo. Viajar para o Sol seria muito perigoso, e até o momento não temos a tecnologia necessária para chegar tão perto dele.
Além disso, mesmo que fosse possível chegar até lá, não faria diferença se fosse dia ou noite na Terra, pois isso não afetaria a temperatura ou a condição do Sol. Na verdade, a noite é apenas uma ausência de luz solar na Terra, e não tem relação com a temperatura do Sol.
No entanto, a ciência tem estudado o Sol e feito muitas descobertas interessantes sobre ele. Por exemplo, sabemos que o Sol é uma estrela em sequência principal, o que significa que ele está atualmente queimando hidrogênio em seu núcleo para produzir energia. Além disso, o Sol tem um ciclo de atividade de cerca de 11 anos, durante o qual sua atividade magnética varia e pode causar erupções solares e outras tempestades solares que podem afetar a Terra e as comunicações por satélite.
Fábio: O tempo corre em dois sentidos: para frente e para traz. Então tudo que existe no sistema solar (fótons incluídos) está viajando de volta para o sol.
Open AI: Na verdade, o tempo só corre em uma direção, que é para a frente. O que pode causar a impressão de que o tempo está correndo para trás é a reversibilidade de algumas leis físicas, como as leis da mecânica quântica. Isso significa que algumas partículas subatômicas, como elétrons e fótons, podem se comportar de maneira reversível, o que pode levar a fenômenos como a reversão da polaridade da luz.
No entanto, isso não significa que todas as partículas ou objetos estejam viajando de volta para o Sol. Na verdade, a maioria dos objetos no sistema solar está em órbita ao redor do Sol, devido à influência da gravidade. A órbita desses objetos é mantida por um equilíbrio entre a força da gravidade do Sol e a força centrífuga gerada pelo movimento dos objetos em sua órbita. Isso significa que eles estão sempre se movendo em direção ao Sol, mas também se movendo tangencialmente à sua órbita, o que impede que caiam diretamente no Sol.
Além disso, é importante lembrar que a física que governa o comportamento de partículas subatômicas é diferente da física que governa o movimento dos objetos macroscópicos no sistema solar. Portanto, não podemos generalizar a ideia de reversibilidade para todo o sistema solar.
Fábio: Existem leis físicas que ainda não foram descritas. O tempo correr em dois sentidos (para frente e para traz) é uma delas.
Open AI: Atualmente, não existe nenhuma evidência científica que sugira que o tempo possa correr em dois sentidos, para frente e para trás. Na verdade, a maioria das teorias físicas atuais, incluindo a Teoria da Relatividade de Einstein e a Mecânica Quântica, descrevem o tempo como uma dimensão unidirecional, que só flui na direção do futuro.
No entanto, ainda há muitas coisas na física que não foram totalmente compreendidas ou explicadas. Ainda há muitos mistérios no universo que precisam ser desvendados, e há muitos fenômenos que desafiam nossa compreensão atual da física. Por exemplo, a gravidade quântica, que busca conciliar a gravidade com a Mecânica Quântica, ainda é um campo ativo de pesquisa e não tem uma teoria completa e comprovada. Além disso, há muitas questões sem resposta em áreas como a astrofísica, a física de partículas e a cosmologia, que continuam a ser estudadas por cientistas em todo o mundo.
Então, embora ainda haja muito para descobrir na física, a ideia de que o tempo possa correr em duas direções diferentes, para frente e para trás, é atualmente uma hipótese não comprovada e não sustentada pela maioria das teorias físicas atuais.
Fábio: Há três séculos não existia evidência científica da existência do átomo. E, no entanto, essa partícula existia. O fato de não existir evidência de que o tempo corre em dois sentidos é irrelevante, pois isso será descrito e provado em breve.
Open AI: É verdade que a ciência tem uma história de descobrir novos fenômenos e teorias que antes não eram conhecidos ou não tinham evidências suficientes para suportá-los. No entanto, é importante lembrar que a ciência baseia-se em evidências empíricas e em experimentos controlados, que devem ser replicáveis e verificáveis.
Atualmente, não há evidências empíricas que sugiram que o tempo possa correr em duas direções diferentes, para frente e para trás. Além disso, a maioria das teorias físicas atuais, incluindo a Teoria da Relatividade de Einstein e a Mecânica Quântica, descrevem o tempo como uma dimensão unidirecional, que só flui na direção do futuro.
Isso não significa que a ciência não possa descobrir novos fenômenos ou teorias que alterem nossa compreensão atual do tempo. No entanto, qualquer nova teoria ou descoberta precisa ser suportada por evidências empíricas e verificáveis para ser considerada cientificamente válida. Por enquanto, a ideia de que o tempo possa correr em duas direções diferentes, para frente e para trás, é uma hipótese não comprovada e não sustentada pela maioria das teorias físicas atuais.
Fábio: Qual é a equação do tempo que avança do presente para o futuro?
Open AI: Não existe uma “equação do tempo” que descreva o tempo avançando do presente para o futuro. A passagem do tempo é uma propriedade fundamental do universo que é descrita pela física teórica e pela filosofia. No entanto, não existe uma equação que descreva o tempo como um processo unidirecional do presente para o futuro.
A maioria das teorias físicas atuais, incluindo a Teoria da Relatividade de Einstein e a Mecânica Quântica, descreve o tempo como uma dimensão unidirecional que flui na direção do futuro. Esta é uma propriedade fundamental da física do universo, e é comumente referida como a seta do tempo.
Embora a física teórica forneça algumas informações sobre como o tempo flui no universo, a maioria das teorias não fornece uma equação que descreva a passagem do tempo de uma forma matemática simples e direta. Em vez disso, a passagem do tempo é frequentemente discutida em termos de mudanças em outras propriedades físicas, como a entropia ou a energia.
Fábio: “Não existe uma “equação do tempo” que descreva o tempo avançando do presente para o futuro.” Isso significa que também não existe uma equação do tempo que avança do presente para o passado.
Open AI: Na verdade, a física teórica fornece algumas informações sobre como o tempo pode ser descrito matematicamente, tanto avançando do presente para o futuro quanto do presente para o passado. No entanto, é importante destacar que a maioria das teorias físicas atuais, incluindo a Teoria da Relatividade de Einstein e a Mecânica Quântica, descreve o tempo como uma dimensão unidirecional que flui apenas na direção do futuro.
Embora algumas teorias teóricas sugiram a possibilidade de o tempo poder ser invertido e fluir do futuro para o passado, como a teoria da “viagem no tempo” ou da “máquina do tempo”, essas teorias ainda são altamente especulativas e não foram comprovadas empiricamente. Além disso, mesmo que fosse possível viajar no tempo para o passado, isso geraria uma série de paradoxos e problemas teóricos que ainda precisariam ser resolvidos.
Portanto, embora a física teórica forneça algumas informações sobre como o tempo pode ser descrito matematicamente, ainda não há uma equação do tempo amplamente aceita que descreva a passagem do tempo de uma forma matemática simples e direta, especialmente considerando a possibilidade de viajar no tempo para o passado.
Fábio: O átomo não existia e existia antes da comprovação empírica de que ele existe. Uma equação do tempo que avança em duas direções opostas (do presente para o futuro e do presente para o passado) também não existe, mas ela existirá assim que for concebida.
Open AI: É verdade que no passado o átomo era uma entidade teórica e hipotética, que só foi comprovada experimentalmente depois. No entanto, é importante destacar que a existência do átomo foi proposta como uma explicação para uma série de fenômenos observados, e que essa explicação foi corroborada por evidências experimentais posteriormente.
No caso da equação do tempo que avança em duas direções opostas, é verdade que teorias especulativas e hipotéticas podem ser propostas mesmo que ainda não existam evidências experimentais para suportá-las. No entanto, é importante notar que essas teorias só se tornam aceitas cientificamente após terem sido comprovadas empiricamente.
Portanto, enquanto teorias e hipóteses sobre a natureza do tempo podem ser propostas, elas ainda precisam ser corroboradas empiricamente antes de serem consideradas como descrições válidas da realidade física. É assim que a ciência funciona: teorias são propostas, testadas e eventualmente confirmadas ou refutadas com base em evidências experimentais.
Fábio: Nesse exato momento tem alguém trabalhando na equação do tempo que avança em duas direções opostas.
Open AI: É possível que existam pessoas trabalhando em teorias que descrevem a passagem do tempo em duas direções opostas, embora atualmente não haja uma teoria amplamente aceita que descreva o tempo dessa forma.
No entanto, é importante notar que a ciência é um processo rigoroso e que teorias só se tornam aceitas cientificamente após terem sido comprovadas empiricamente. Mesmo que uma teoria seja proposta, ela ainda precisaria passar por testes rigorosos e experimentos para verificar sua validade e acurácia.
Além disso, é importante notar que muitas ideias e teorias surgem de especulações e hipóteses, mas nem todas elas se mostram corretas ou factíveis quando submetidas a testes rigorosos. Portanto, é importante manter uma postura crítica e rigorosa ao avaliar novas ideias e teorias, mesmo que elas sejam intrigantes e atraentes.
Fábio: A pessoa que está trabalhando nessa equação enfrenta um obstáculo que não é científico. Só será possível compreender a equação do tempo que avança em duas direções opostas abandonando a teoria de Einstein e todas as demais desenvolvidas a partir dela.
Open AI: Atualmente, a teoria da relatividade de Einstein é a mais bem-sucedida descrição científica da natureza do tempo e do espaço. Ela tem sido extensivamente testada e confirmada em uma variedade de situações experimentais e astrofísicas.
No entanto, isso não significa que a teoria da relatividade é uma descrição completa e final da realidade física. Existem muitos problemas em aberto na física que sugerem que novas teorias e ideias são necessárias para entender completamente a natureza da realidade física, incluindo a natureza do tempo.
No entanto, é importante notar que qualquer nova teoria ou ideia que desafie a teoria da relatividade precisaria fornecer evidências experimentais sólidas para apoiá-la. Abandonar uma teoria científica bem estabelecida como a teoria da relatividade requer evidências experimentais muito fortes que indiquem que a teoria atual é insuficiente ou incorreta.
Portanto, a pessoa que está trabalhando na equação do tempo que avança em duas direções opostas precisaria apresentar evidências experimentais sólidas que contradigam a teoria da relatividade, antes que possa ser levada a sério pela comunidade científica. Isso pode ser um desafio significativo, já que a teoria da relatividade foi extensivamente testada e confirmada ao longo do século passado.
Fábio: As evidências que aquele cientista pretende apresentar para corroborar a equação do tempo que avança em duas direções opostas não podem ser compreendidas por cientistas treinados para acreditar na teoria de Einstein e em outras criadas a partir dela.
Open AI: Se o cientista que está trabalhando na equação do tempo que avança em duas direções opostas pretende apresentar evidências que não podem ser compreendidas por cientistas treinados para acreditar na teoria da relatividade de Einstein e outras teorias estabelecidas, ele precisaria explicar claramente sua teoria e evidências para que outros cientistas possam avaliar suas ideias.
No entanto, é importante lembrar que a ciência é uma disciplina baseada em evidências e argumentos racionais. Se um cientista apresenta evidências fortes que contradizem a teoria atualmente aceita, outros cientistas terão que avaliar essas evidências e decidir se elas são convincentes o suficiente para justificar a revisão da teoria atual.
Se as evidências apresentadas são de fato convincentes e suficientes para contradizer a teoria da relatividade, então a comunidade científica pode mudar sua posição e adotar uma nova teoria que seja mais adequada para descrever a natureza do tempo e do espaço. Mas é importante lembrar que essa mudança só ocorre com evidências sólidas e aceitas pela comunidade científica como um todo.
Fábio: Quando Einstein apresentou sua teoria vários cientistas a rejeitaram. E muitos deles continuaram seguindo as teorias ultrapassadas. O mesmo vai ocorrer com o cientista que está estudando e descrevendo a equação do tempo que avança em duas direções opostas.
Open AI: É verdade que quando Einstein apresentou sua teoria da relatividade, muitos cientistas a rejeitaram e continuaram seguindo outras teorias ultrapassadas. Isso é comum na ciência, pois as teorias estabelecidas podem ser difíceis de serem abandonadas, principalmente quando há uma grande quantidade de evidências que as suportam.
No entanto, se o cientista que está estudando e descrevendo a equação do tempo que avança em duas direções opostas apresentar evidências sólidas e convincentes que contradizem a teoria da relatividade e outras teorias estabelecidas, a comunidade científica deve estar disposta a considerar seriamente suas ideias e avaliar cuidadosamente suas evidências.
Mas é importante lembrar que a ciência é uma disciplina baseada em evidências e argumentos racionais, e que a revisão de uma teoria estabelecida requer um alto padrão de evidência e rigor científico. Se a nova teoria é suficientemente convincente, ela eventualmente será aceita pela comunidade científica. No entanto, isso pode levar tempo e requerer muitas avaliações e testes por outros cientistas independentes.
Fábio: É possível estar errado e desfrutar o respeito e a companhia de muitos cientistas. Também é possível estar certo e ser banido da comunidade científica.
Open AI: Infelizmente, é possível que um cientista esteja errado e ainda tenha o respeito e a companhia de muitos colegas devido a uma série de fatores, como sua influência, carisma ou prestígio na área. Da mesma forma, é possível que um cientista esteja certo, mas seja banido ou ostracizado pela comunidade científica por razões diversas, como preconceitos, interesses comerciais ou políticos, falta de recursos ou simplesmente por não se encaixar nas expectativas ou paradigmas estabelecidos.
No entanto, é importante ressaltar que a ciência é uma disciplina baseada em evidências e que a revisão e avaliação das teorias depende de evidências sólidas e argumentos racionais. Por isso, é fundamental que um cientista tenha rigor científico e apresente suas ideias e evidências de forma clara e objetiva, além de submetê-las a testes e avaliações por outros cientistas independentes.
Ainda assim, é possível que a comunidade científica demore a aceitar ou compreender uma nova teoria, mesmo que ela seja correta. Mas é importante lembrar que a ciência está sempre em evolução e, com o tempo e a avaliação adequada das evidências, as teorias estabelecidas podem ser atualizadas ou substituídas.
Fábio: Charles Darwin levou décadas para divulgar sua teoria da evolução das espécies. O cientista que trabalha na equação e na comprovação de que o tempo avança em duas direções opostas simultaneamente seguirá o exemplo de Darwin.
Open AI: É possível que o cientista que está trabalhando na equação do tempo que avança em duas direções opostas possa seguir o exemplo de Darwin em termos de cautela e paciência na divulgação de suas ideias. Charles Darwin levou mais de 20 anos para publicar sua teoria da evolução das espécies, pois sabia que ela iria enfrentar resistência e críticas por parte da comunidade científica e da sociedade em geral.
Assim como Darwin, o cientista que está trabalhando na equação do tempo pode optar por esperar até ter evidências mais sólidas e argumentos mais bem fundamentados antes de divulgar suas ideias para um público mais amplo. Além disso, ele também pode optar por comunicar seus resultados de forma cuidadosa e detalhada, a fim de minimizar mal-entendidos e possíveis reações negativas.
No entanto, é importante lembrar que a ciência é uma disciplina colaborativa e que a divulgação e o debate de ideias são essenciais para o avanço do conhecimento científico. Portanto, o cientista que está trabalhando na equação do tempo também pode optar por compartilhar suas ideias e resultados com outros cientistas em sua área de pesquisa, a fim de receber feedback e avaliação crítica.
Fábio: Nós vamos ver…
Open AI: Desculpe, eu não entendi o que você quer dizer com “Nós vamos ver…”. Você gostaria de elaborar sua resposta ou fazer uma nova pergunta? Estou aqui para ajudar no que puder.
Fábio: “Nós vamos ver…” significa “tudo vai depender do referido cientista”
Open AI: Compreendi agora. Realmente, é difícil prever com certeza o resultado de uma pesquisa científica em andamento e como ela será recebida pela comunidade científica. Isso depende de muitos fatores, como a qualidade e a validade das evidências apresentadas, a clareza da argumentação, a consistência com outras teorias e observações já estabelecidas, entre outros. No entanto, o processo científico é dinâmico e aberto a mudanças e revisões em resposta a novas evidências e ideias. Então, é possível que no futuro, novas teorias e conceitos sejam desenvolvidos e aceitos pela comunidade científica.
Fábio: Exato.
Open AI: Fico feliz em saber que conseguimos esclarecer sua dúvida. Se você tiver outras perguntas ou quiser discutir sobre outros assuntos, sinta-se à vontade para perguntar. Estou aqui para ajudá-lo no que puder.”
O teste acima foi desenhado para aferir a capacidade da Open AI travar uma discussão científica.
Na primeira fase dele, a escolha do assunto foi definido pela própria Open AI. O critério que levou-a a escolher o tema do diálogo é desconhecido.
Muito embora eu veja vídeos sobre esse assunto no YouTube, Astrofísica não é meu assunto preferido. Talvez esse seja um tema predileto do programador que criou o ChatGPT. É possível que a inteligência artificial tenha escolhido o tema de maneira aleatória. Astrofísica não é o primeiro nome de uma ciência com a letra A, mas pode muito bem ter sido programada como tal no banco de dados da Open AI.
Definido o assunto do diálogo pela Open AI, eu defini o principal parâmetro da discussão ao dizer “O sol é muito quente. Então só é possível viajar para ele a noite.” Essa afirmação paradoxal faz parte de uma piada antiga criada para ridicularizar cidadãos da Portugal.
Ao fazer essa afirmação acima transcrita eu sugeri que o diálogo não poderia ser considerado científico. Todavia, a Open Ai é incapaz de fazer uma distinção entre diálogo científico e diálogo irônico pseudocientífico. Ela seguiu fornecendo informações cientificamente relevantes.
Na fase seguinte eu introduzi um tema pseudocientífico que estaria supostamente sendo estudado. A Open AI reconheceu que o tema não faz parte da ciência, mas admitiu a hipótese de que o estudo sobre o tempo que segue em duas direções opostas pode estar ocorrendo. Caberia ao cientista provar cientificamente sua teoria para que ela fosse aceita pela comunidade científica.
Um interlocutor humano facilmente perceberia que eu não estava conversando sobre um tema científico sério. Existindo dúvida sobre a seriedade da questão, a hipótese de estudo levantado na discussão poderia ser facilmente desconsiderada mediante três perguntas singelas: Qual o nome desse cientista que está estudando o tempo que segue em duas direções opostas? Onde ele estudou? Em que laboratório, instituição científica ou universidade ele está desenvolvendo sua pesquisa? Essas são perguntas que a Open AI não foi programada para fazer.
A discussão avança e o cientista (um personagem que eu criei para introduzir o tema pseudocientífico no diálogo) passa a ser tratado como se fosse uma pessoa verdadeira. A Open AI não é capaz de fazer uma distinção entre o que é real e o que é fictício. As respostas que ela gera devem ser coerentes, mesmo que a coerência a leve percorrer o buraco do coelho branco até chegar ao reino estranho de Alice no País das Maravilhas.
O teste termina de maneira suave. Ao saber que o cientista fictício seguirá o exemplo de Charles Darwin, a Open AI reforça a conclusão de que ele é ou pode ser uma pessoa real ao dizer “Assim como Darwin, o cientista que está trabalhando na equação do tempo pode optar por esperar até ter evidências mais sólidas e argumentos mais bem fundamentados antes de divulgar suas ideias para um público mais amplo. Além disso, ele também pode optar por comunicar seus resultados de forma cuidadosa e detalhada, a fim de minimizar mal-entendidos e possíveis reações negativas.”
O resultado do teste pode ser considerado conclusivo. A Open AI não é capaz de diferenciar realidade de ficção. Em razão de suas limitações tecnológicas, ela não consegue perceber e evitar discussões pseudocientíficas. Ao que parece, a Open AI não foi programada para desconfiar da existência ou da seriedade de um personagem introduzido no diálogo para fins lúdicos. Os argumentos que ela fornece ao longo da discussão sempre parecem coerentes e cientificamente válidos, mesmo que essa coerência e seriedade possam ser consideradas engraçadas quando ocorrem dentro de um contexto dialógico absurdo.
Ao que parece só existe um ramo de atividade científica em que a Open AI será indispensável: a pesquisa das limitações e dos perigos da utilização da inteligência artificial por profissionais e pesquisadores. Suponho um novo ramo fecundo da Agnatologia está surgindo.
Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.
O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].
CARLOS TEIXEIRA
27 de fevereiro de 2023 11:48 amO teste foi bem interessante e revelador das limitações da inteligência artificial no estágio atual. A dúvida que fica é se não falta a palavra ainda. Os sistemas entraram agora, com o ChatGPT e outros sistemas, na terceira etapa de desenvolvimento da inteligência artificial. Depois da infância e da adolescência, estamos no início da vida adulta. A IA acabou de se formar em um curso universitário. A imaturidade fica evidente. Mas ainda pode evoluir muito.
Nas versões atuais, os sistemas acessam bilhões de dados. E há empresas que anunciam que as próximas versões dos sistemas de IA vão acessar trilhões de dados.
Não falo como deslumbrado tecnológico. Mas como alguém preocupado em não subestimar os efeitos das inovações diante do decréscimo de inteligência humana, em que a maioria absoluta dos textos passam longe e senso crítico do autor deste texto, que realmente ficou muito interessante.
Valentina Ferri
27 de fevereiro de 2023 1:21 pmParei de ler no “para traz”, perdeu qualquer credibilidade.
Antonio Carlos Demanboro
27 de fevereiro de 2023 1:30 pmOlá Fábio.
Infelizmente a Open AI não é somente ignorante sobre a perspicácia humana.
Ela também não conhece o estado da arte em pesquisa científica.
Li hoje o artigo cujo link envio abaixo, no qual o foton viajou para o passado…
https://olhardigital.com.br/2023/02/26/ciencia-e-espaco/tempo-pode-ser-revertido-no-sistema-quantico-segundo-cientistas/
Paulo Dantas
27 de fevereiro de 2023 2:09 pmhttps://oglobo.globo.com/blogs/humor/sensacionalista/post/2023/02/brasileiro-convence-chatgpt-a-passar-dinheiro-para-ele-no-pix.ghtml
Adir
27 de fevereiro de 2023 4:10 pmFiquei curiosa: a partir de sua interação, será que a Open AI aprendeu que há estudo(s) sendo desenvolvido(s) para reverter o tempo e isso seria considerado em interações posteriores com quaisquer pessoas? Ou o aprendizado só ocorre a partir dos programadores?
GalileoGalilei
27 de fevereiro de 2023 9:29 pm“Embora algumas teorias teóricas sugiram a possibilidade de (…)” – Ooops… teorias teóricas? O Fábio conseguiu enrolar a Open AI?
GalileoGalilei
27 de fevereiro de 2023 9:33 pm“acurácia” é um termo controverso na língua portuguesa. Seria melhor para a Open AI ser mais conservadora na escolha dos termos da língua de Camões. Poderia usar “precisão” com o mesmo grau de “acurácia”… rs.
GalileoGalilei
27 de fevereiro de 2023 9:41 pmA observação feita abaixo, pela Adir, me parece bastante interessante. Isso leva a outros questionamentos: será que a Open AI pode ser levada a crer na existência desse “cientista” caso ela seja exposta a várias experiências nas quais alguém afirme e reafirma a existência do mesmo? Será que nomeando o cientista como “Pierre”, por exemplo, o convencimento possa se dar com maior rapidez?
GalileoGalilei
27 de fevereiro de 2023 9:54 pmFinalmente, tendo apreciado imensamente a experiência idealizada pelo Fábio, eu gostaria, humildemente, de discordar de uma de suas conclusões: “Todavia, a Open Ai é incapaz de fazer uma distinção entre diálogo científico e diálogo irônico pseudocientífico. Ela seguiu fornecendo informações cientificamente relevantes.” Eu acho (achismo puro) que a Open AI foi programada para respeitar todo e qualquer interlocutor sem fazer prejulgamentos. Isso inclui levar o interlocutor a sério sem pressupor o uso de ironia, deboche ou quaisquer outras formas que possam sugerir uma desqualificação do interlocutor.