Venturas e desventuras do teatro brasileiro (I)*
por Izaías Almada
“Querido público, vamos! Busquem sem esmorecer!
Deve haver uma saída, tem que haver!
B. Brecht.
A Boa alma de Sezuan, Epílogo.
No segundo semestre do ano 2000, o Teatro Ágora, em São Paulo, com a supervisão do diretor Roberto Lage e do ator Celso Frateschi, realizou um ciclo de palestras sobre o teatro a que deu o nome de “Odisseia do Teatro Brasileiro”.
Nessa viagem, realizada em duas semanas, além do jovem e entusiasmado público presente, participaram – como conferencistas – alguns dos mais credenciados Ulisses das nossas artes cênicas. Entre eles, Gianni Rato, Fauze Arap, Gianfrancesco Guarnieri, Fernando Peixoto, Augusto Boal, Zé Celso Martinez Corrêa e Antunes Filho.
Procurou-se, com esta iniciativa, contemplar ou dar a conhecer o que se fazia até então em teatro pelo Brasil: de norte a sul do país. Mais do que isso foi conseguido. Entretanto, evidenciaram-se, durante o encontro, divergências e convergências entre aqueles que eram antigos mestres do teatro brasileiro em saudável confronto com as novas gerações, mas – sobretudo – ressurgiu a consciência (entre a maioria dos participantes) de que o teatro para retomar-se como sólido integrante do panorama cultural do país, seria preciso, antes de tudo, estudar e conhecer bem a realidade sobre a qual aquele teatro trabalhava.
Ter dessa realidade uma leitura crítica e ampla, e do mundo à nossa volta um conhecimento mínimo necessário e satisfatório, um saber histórico sempre atualizado que acabe – de uma forma ou de outra – por se manifestar sobre o palco.
Não se tratava de apenas medir quantitativamente a relação público/espetáculo, mas a qualidade e a sintonia entre o palco e a plateia.
Uma curiosa dicotomia se revelou durante aqueles encontros e que pode muito bem ter dado significado ao panorama do teatro brasileiro daquela época para os dias atuais: o pessimismo dos mais velhos, permeado – contudo – por uma visão otimista e coletiva da superação de alguns obstáculos identificados, e o pessimismo dos mais jovens (exceção feita, no meu entender, a Sergio Carvalho do Grupo Latão), permeado por uma visão e/ou niilista da sua própria visão de mundo, como me pareceram as intervenções de Antonio Araujo, Eduardo Tolentino e Enrique Diaz, ainda voltados para questões meramente formais e/ou existenciais dentro dos grupos em que trabalhavam. Em outras palavras, o que isso quer dizer? (*)
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(*) – Esse artigo foi escrito para a Revista “Educação & Comunicação” da USP no ano de 2001, agora revisado e atualizado para o Jornal GGN.
(CONTINUA)
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
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