A comitiva que foi à Pequim tenta evitar que o cancelamento da visita de Lula a China prejudique ou atrase acordos comerciais do Brasil, que aguarda o aval de mais de US$ 100 bilhões do país para um projeto conjunto de produção agrícola, 20 acordos governamentais e dezenas de contratos bilionários.
Os recursos são para materializar um projeto de produção agrícola que pretende transformar áreas de pastagens em campos de produções agrícolas, sem impactar a paisagem rural do Brasil, sem desmatar e aumentar a produtividade.
A relação comercial do Brasil com a China tem como um de seus fortes a exportação do agronegócio e o fornecimento de alimentos. Mas, para assegurar o abastecimento dos chineses, o governo Lula enxergou assim uma oportunidade para o país também participar no projeto de produtividade.
Segundo o Ministério da Agricultura, a conversão de pastagem para cultivo custará US$ 3 mil por hectare. Há, pelo menos, 40 milhões de hectares que poderiam ser transformadso, o que significaria um peso de US$ 100 bilhões.
Caso a estatal chinesa COFCO aceite financiar a transformação das áreas, o Brasil pagaria em alimentos e commodities ao longo dos anos.
Além deste, Pequim estava prestes a assinar outros 20 projetos e contratos nos próximos dias, caso Lula estivesse no país, mas que serão adiados até a visita presencial do presidente brasileiro.
Também, a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não impactou somente nos 20 acordos governamentais, que esperam ser assinados pela China com a presença do representante brasileiro, mas também em dezenas de contratos bilionários de empresas privadas com o Brasil.
É o que revela Jamil Chade, do Uol. A suspensão dos acordos não é indicativo de que eles não ocorrerão, mas pode sinalizar um atraso para as negociações serem fechadas.
Segundo o colunista, empresas brasilerias como a Suzano e a Embraer planejariam esperar a visita de Lula para novos anúncios com a China, e também a montadora chinesa BYD para negócios com o Brasil.
A expectativa otimista permanece de que, com o novo governo e os gestos dados pelas autoridades brasileiras, mesmo com a ausência de Lula, para o prosseguimento dos acordos e agendas na China, as empresas do país desembolsem US$ 150 bilhões a US$ 200 bilhões nos próximos anos no Brasil.
Logo no primeiro evento oficial nesta segunda-feira (27), o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, discursou em nome do governo brasileiro, mantendo o compromisso e os interesses do Brasil nas relações comerciais com o país.
Durante exposição no evento “Diálogo China-Brasil de Desenvolvimento Sustentável”, Fávaro lembrou que “nada é mais importante que reatar relações amistosas com a China” e ressaltou que os últimos anos, do governo de Jair Bolsonaro, “não foram dos melhores” nas relações bilaterais. “Reconhecemos que, nos últimos anos, o tratamento [do Brasil à China] não foi adequado.”
Carregando as bandeiras de Lula, o ministro enfatizou a possibilidade de aumentar as produções e as relações “de forma sustentável”.
“O Brasil pode e deve intensificar sua produção de alimentos. O Brasil pode e deve intensificar suas relações comerciais com a China. E podemos fazer tudo isso de forma sustentável, aumentando a produção, tanto da agricultura, quanto da Pecuária, sem desmatar uma árvore.”
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José Carvalho
27 de março de 2023 5:40 pmSe aumentar o interesse do Brasil nele mesmo, se os capitalistas nacionais conseguirem enxergar algum interesse no País, tendo projeto e rumo é possível superar o tempo perdido. Com foco no próprio crescimento e desenvolvimento, realizando os esforços necessários para evoluir o local em que está assentada essa sociedade/Estado, pode-se até conquistar a utopia sonhada por Juscelino Kubitschek, de fazer uma superação de crescer décadas perdidas em anos. Mesmo diante de deslizes verbais, oxalá o presidente consiga o apoio, o interesse e o envolvimento de todos aqueles a quem interessa a melhora do Brasil : toda ou parcialmente toda a sociedade brasileira.