1 de julho de 2026

Investigadores apuram motivação do ataque em escola de SP: versões de racismo e ataques planejados

As autoridades investigam se o ataque do estudante em escola na zona oeste de São Paulo foi isolado ou um ataque planejado em escolas
Ataque ocorreu na Escola Estadual Thomazia Montoro, em São Paulo - Foto: Reprodução

As autoridades investigam se o ataque do estudante em escola na zona oeste de São Paulo, nesta segunda (27), foi um ato isolado ou se foi um ataque planejado. Mensagens encontradas no celular do adolescente indicavam ataques em outras escolas. O aluno tinha registros de “comportamento suspeito” e depoimentos dão conta de motivação racista para iniciar uma briga, na semana passada.

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O episódio da professora morta a facadas e três professoras feridas, na manhã de hoje, provocou comoção. O aluno de 13 anos foi levado detido e a Polícia Civil de São Paulo passou o dia coletando depoimentos de professores e alunos da Escola Estadual Thomazia Montoro.

Mais de um ataque

Uma das hipóteses levantadas, de acordo com reportagem do Uol, era de que o ataque foi planejado e registros no celular do adolescente traziam indícios de ataques em outras escolas, nesta mesma segunda-feira (27).

Outra escola, na zona leste de São Paulo, também registrou uma tentativa de ataque, desta vez por uma mulher que tentou invadir a escola municipal Prof. Antonio Carlos Rocha, para atentar contra professores. Ela foi desarmada pelos seguranças da unidade escolar e levada presa.

As autoridades não confirmaram qualquer registro ou indício de relação entre ambos os ataques.

Motivação racista

Depoimentos de estudantes da Escola Estadual Thomazia Montoro, onde a professora Elizabeth Tenreiro, de 71 anos, foi morta, relatam que o estudante já havia ameaçado e indicado que agrediria estudantes. Na semana passada, o adolescente chamou outro aluno de “macaco”, iniciando a briga. A professora Elizabeth havia apartado a confusão.

De acordo com um dos estudantes, ouvidos pelo G1, o aluno agressor teria jurado vingança à professora e também ao outro estudante, que não compareceu à escola nesta segunda.

“Foi assim: chamou o menino de preto e macaco. O outro menino [vítima de racismo] não gostou e partiu pra cima dele. A professora Beth separou. Aí hoje esse menino que chamou o outro de macaco veio com com uma faca e esfaqueou várias vezes a professora. Ele já falou que iria fazer isso, mas ninguém acreditava”, relatou.

Histórico de ameaças

O mesmo estudante que narrou o episódio disse que ele também era um dos alvos do adolescente, no dia de hoje. “Ele estava atrás de mim tentando me matar. Na hora, eu corri e me escondi ali atrás e fiquei cerca de uns 40 ou 60 minutos esperando a polícia chegar.”

A mãe deste aluno também disse à reportagem do G1 que a escola tinha registros de brigas frequentes. “É muita briga nesse colégio.”

Reportagem da CNN também levantou que o adolescente detido já havia feito ameaças na escola que estudava antes, a Escola Estadual José Roberto Pacheco, de Taboão da Serra.

Um boletim de ocorrência informa que o jovem “apresentando um comportamento suspeito nas redes sociais, postando vídeos comprometedores como, por exemplo, portando arma de fogo, simulando ataques violentos.”

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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