Publicada originalmente em 16 de março de 2006
Jornalista diz que governos repetem erros econômicos
Da Agência Câmara de Notícias
Por Cristiane Bernardes
O jornalista Luís Nassif, que participou do painel “A questão da liderança política para o crescimento” do seminário internacional sobre crescimento econômico organizado pela Câmara, comparou a Política de Encilhamento, promovida em 1890 por Rui Barbosa, ministro da Fazenda do governo de Deodoro da Fonseca, com o Plano Real, implantado por Fernando Henrique Cardoso, ministro da Fazenda no Governo de Itamar Franco, em 1994. Para Nassif, o Brasil registra uma sucessiva repetição de erros políticos e econômicos, independentemente do governo.
Planos dificultam crescimento
Na opinião do jornalista, tanto as mudanças econômicas após a abolição da escravatura, como os recentes planos econômicos acarretaram graves problemas que, até hoje, dificultam o crescimento do País. “A sucessão desses equívocos fez o Brasil perder grandes oportunidades de desenvolvimento e de inserção no mercado internacional”, lamentou Nassif.
Nassif ressaltou que em ambas as oportunidades o Brasil poderia ter usado o excesso de liquidez externa para redistribuir a renda e incluir no mercado consumidor os excluídos: os escravos libertos, em 1890, e as populações favelizadas das grandes metrópoles, em 1994.
Isso não foi feito, segundo ele, porque as aparentes “irracionalidades” da política econômica obedecem à lógica dos interesses do sistema financeiro aliado ao grande capital internacional.
Especuladores favorecidos
O excesso de carga tributária, a política cambial de apreciação da moeda nacional e o favorecimento de apenas alguns “banqueiros de investimento” são algumas das conseqüências desses equívocos, segundo Luís Nassif.
Citando Manuel Bomfim, autor do início do século, o jornalista ressaltou que a “saída mágica” proposta pelos financistas é sempre o corte do orçamento público, especialmente nos setores de saúde, educação e infra-estrutura. Exatamente os setores que, em sua opinião, favorecem o desenvolvimento econômico.
“O cara acaba com a inflação e salva o Governo, mas deixa o País ferrado”, simplificou Nassif. A política de juros altos seria uma forma de favorecer os grupos especuladores que, segundo Nassif, acabaram controlando os processos de “remonetarização” da economia brasileira realizados tanto no século XIX quanto em 1994.
O jornalista destacou que, ao invés de o Estado estar à serviço da Nação, os grupos que chegam ao poder se apropriam do Estado para seu próprio benefício.
“Não existe burrice reiterada, há uma lógica que se aproveita de uma classe industrial atrasada e de uma classe trabalhadora mal informada para fazer dos bancos o negócio do século”, sustentou.
Niveo R. Campos e Souza
9 de abril de 2023 11:19 pmBancos, já dizia o grande Bertold Brecht: ” não sei qual o maior crime: fundar um banco ou assaltar um banco”