21 de junho de 2026

Reitor é condenado 9 anos e 4 meses de prisão por trabalho escravo em GO

Marcelo Palmério é filho de Mário Palmério, autor de “Vila dos Confins”, que meu pai adorava. Mário morreu em 1996 e deixou um império nas mãos de seus dois filhos (Marcelo e Marília): a Universidade de Uberaba tem hoje 40 cursos. Mário além de escritor, foi político pelo antigo PTB e embaixador no Paraguai.

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Carlos Eduardo Cherem
Do UOL, em Belo Horizonte

A Justiça de Goiás condenou o reitor da Universidade de Uberaba, Marcelo Palmério, a nove anos e quatro meses de prisão, com cumprimento inicial da pena em regime fechado, além de multa de R$ 8,5 milhões pelos crimes de trabalho escravo e falsidade ideológica.

Palmério foi acusado pelo MPF (Ministério Público Federal) em Goiás por empresas que possui em Catalão (a 255 km de Goiânia), em Goiás. Entre as atividades das firmas estão florestamento, reflorestamento, extração, industrialização, comércio e exportação de produtos e subprodutos de madeira.

A decisão foi tomada pela juíza substituta Mara Elisa Andrade, da 5ª Vara Criminal de Goiânia, em 13 de agosto. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (4). 

De acordo com a assessoria de Palmério, seus advogados vão recorrer da sentença. Segundo a defesa, a responsável pela contratação dos empregados nas empresas era terceirizada. O reitor não comentou o caso.

Segundo a denúncia do MPF, entre 1996 e 2009, as empresas de Palmério fraudaram direitos trabalhistas de dezenas de empregados.

“O empresário providenciou a constituição de empresas em nome dos trabalhadores, com vistas à contratação como se fossem autônomos, sem vinculação trabalhista. Para tanto, inseriu declarações falsas sobre as supostas empresas na Junta Comercial do Estado de Goiás. Ao todo, foram constituídas 20 empresas, todas com o mesmo endereço, com o objetivo único de burlar a legislação trabalhista.”

Segundo os procuradores, em 2006, o empresário teria colocado 118 trabalhadores, contratados para o corte e o empilhamento de madeira, com condição análoga à de trabalho escravo.

“Os funcionários foram alojados em moradias precárias, sem chuveiro ou água encanada e sem instalação sanitária. O deslocamento para as frentes de trabalho, distantes de sete a dez quilômetros do alojamento, era feito a pé ou na caçamba do caminhão da empresa, sem qualquer proteção. No trabalho não era fornecida nem sequer água para beberem ou equipamentos de proteção individual.”

 

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2 Comentários
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  1. Ricardo Pereira

    6 de setembro de 2014 12:00 pm

    Mais um que pensava ser um rei-tor

    mas nao passava de um feitor.  O autoritarismo atavico da elite se manifesta.  Gente como este e o atual interventor da Usp, Mazago, são exemplos acabados do mal estar da nossa sociedade contemporanea com as antigas formas de controle que ainda permanecem nas estruturas das universidades, embora neste caso, trata-se de crime cometido em outro tipo de negocio.  No caso deste, o feitor era tambem o dono. Mas o exemplo é valido porque, ao se utilizar de mao de obra terceirizada (o bordao do Mazago da Usp, a pedra-de-toque do neoliberalismo), ele procurava se eximir das suas responsabilidades com os trabalhadores. Mas, coincidentemente, o Mazago e a Usp tambem foram condenados no STF esta semana e foram obrigados a pagar os salarios atrasados dos trabalhadores em greve, mostrando como foi acertada a decisao de proteger o trabalhador inserida na legislaçao a partir do gov Vargas e ampliada na atual constituiçao.

  2. Geraldo Naves

    8 de julho de 2016 12:23 am

    E OS OUTROS EMPREGOS QUE ELE GERA?

    Eu não acredito nisso, a não ser que ele tenha terceirazado a contratação e não soubesse como os funcionários estavam sendo tratados. Marcelo Palmério tem centenas de outras pessoas prestando serviços em seus negócios e é conhecido por tratar muito bem a maioria deles, todos contratados legalmente.

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