20 de junho de 2026

Bolsonarismo opera como partido orgânico e pode se institucionalizar

Para Frederico Krepe (foto), movimento tem estrutura partidária orgânica com tendência de institucionalização, com risco de novas ondas de radicalização
Frederico Krepe, cientista político. Imagem: Reprodução YouTube

O bolsonarismo atua como estrutura política permanente, com forte mobilização social e digital, segundo analista Frederico Krepe.
O movimento se institucionaliza, ampliando presença no Congresso e governos, mas enfrenta tensão entre pragmatismo e discurso de ruptura.
A institucionalização pode gerar desgaste, mas também impulsiona radicalizações, criando ciclo contínuo de confronto político e mobilização emocional.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

O bolsonarismo deixou de ser apenas um fenômeno eleitoral ligado à figura do ex-presidente Jair Bolsonaro e passou a operar como uma estrutura política permanente.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A avaliação é do analista político Frederico Krepe, que participou do programa TV GGN 20 Horas e defendeu que o movimento já funciona, na prática, como um partido político informal, mesmo sem possuir uma sigla própria.

Segundo ele, a principal força do bolsonarismo não está necessariamente nas estruturas partidárias tradicionais, mas em sua capacidade de mobilização social e digital. Redes de comunicação organizadas em plataformas como WhatsApp, Telegram e redes sociais permitem que o movimento mantenha uma relação direta com sua base, criando uma dinâmica que vai além dos períodos eleitorais.

“O bolsonarismo hoje tem uma estrutura política digital que funciona como um partido orgânico”, afirmou Krepe, destacando que essa estrutura produz algo mais valioso do que simples eleitores: cria militantes dispostos a atuar continuamente na defesa do movimento e de suas lideranças.

Na avaliação do analista, esse modelo permite ao movimento desenvolver uma estratégia de comunicação em duas frentes. Externamente, figuras como o senador Flávio Bolsonaro tentam construir uma imagem mais moderada e institucional, capaz de dialogar com setores menos ideológicos do eleitorado. Internamente, porém, a mobilização da base continua apoiada em narrativas de confronto político e forte engajamento emocional.

Essa combinação ajuda a explicar por que o bolsonarismo consegue preservar apoio mesmo em momentos de desgaste político ou de exposição negativa de suas lideranças. O movimento opera simultaneamente como força eleitoral e como comunidade política organizada.

Da insurgência ao sistema

Ao mesmo tempo em que mantém o discurso de enfrentamento ao establishment, o bolsonarismo enfrenta um novo desafio: sua própria integração ao sistema político.

Para Krepe, o movimento passa por um processo gradual de institucionalização. Depois de conquistar governos, ampliar sua presença no Congresso e consolidar influência em diversos partidos, o bolsonarismo já não pode ser tratado como uma força excepcional ou transitória.

“O bolsonarismo já está virando parte da paisagem política brasileira”, observou.

Essa transformação cria uma tensão permanente. Movimentos que se apresentam como antissistema costumam obter força justamente da crítica às instituições e às práticas tradicionais da política. Entretanto, quando passam a ocupar posições de poder, precisam negociar alianças, administrar governos e conviver com as regras do próprio sistema que criticavam.

A experiência recente mostra essa contradição. Em disputas locais e nacionais, setores mais pragmáticos do campo bolsonarista passaram a defender alianças com partidos do chamado Centrão, enquanto grupos mais ideológicos pressionam pela manutenção de um discurso de ruptura.

O risco de novas radicalizações

Na visão do analista, a institucionalização tende a produzir desgaste político ao longo do tempo. Conforme o movimento assume responsabilidades de governo e se aproxima das práticas tradicionais da política, parte de seu apelo original pode enfraquecer – mas isso não significa uma redução da influência da extrema direita.

Krepe avalia que o cenário internacional mostra um fenômeno recorrente: à medida que determinados movimentos se acomodam dentro das instituições, novas forças ainda mais radicais surgem para disputar espaço junto aos setores mais mobilizados da sociedade.

O resultado é um ciclo contínuo de radicalização política, observado em diferentes países e impulsionado pela lógica das redes sociais, que favorece discursos de confronto, identidade e pertencimento.

Nesse contexto, o futuro do bolsonarismo dependerá de sua capacidade de resolver uma contradição central: preservar a mobilização emocional que o transformou em uma força política nacional sem perder a capacidade de atuar como agente relevante dentro das instituições democráticas e do sistema partidário brasileiro.

Veja mais a respeito do tema na íntegra do programa TV GGN 20 horas

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados