2 de agosto de 2026

PT oficializa Lula à reeleição, e discursos apostam na experiência do presidente para enfrentar cenário de crise mundial

Convenção em São Paulo confirma chapa com Alckmin e reúne, pela primeira vez desde a redemocratização, os sete partidos do campo progressista já no primeiro turno
Crédito: João Valadares

PT oficializa Lula à reeleição com Alckmin de vice em convenção no Expo Center Norte, São Paulo.
Lula anuncia 5 compromissos para novo mandato e reconhece falta de mulheres nos discursos da convenção.
Haddad destaca conquistas do governo e convoca militância contra desinformação na campanha eleitoral.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Partido dos Trabalhadores formalizou neste domingo (2), em convenção realizada no Expo Center Norte, em São Paulo, a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, buscando um quarto mandato à frente do país. Como em 2022, Geraldo Alckmin (PSB) segue como vice na chapa, oficializada pelo PSB na quarta-feira anterior (29). O evento reuniu lideranças de PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PSB e PDT — a primeira vez, desde a retomada das eleições diretas em 1989, que todo o campo progressista se une em torno de uma única candidatura presidencial desde o início da disputa.

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Diante de militantes e lideranças aliadas, Lula pediu desculpas por erros e omissões de sua gestão e anunciou cinco compromissos para um eventual novo mandato: avançar definitivamente na área da educação, criar um programa voltado à população idosa, fortalecer a indústria de defesa, preservar em benefício dos brasileiros a riqueza em terras raras do país e impulsionar a transição energética. Em tom mais firme, disse esperar de si mesmo, num quarto mandato, uma postura mais combativa do que conciliadora.

O evento teve ainda um momento de constrangimento: ao notar que nenhuma mulher estava escalada para discursar na convenção, Lula reconheceu publicamente a falha e passou a palavra à primeira-dama, Janja da Silva, que comentou a necessidade de as mulheres reafirmarem constantemente seu espaço.

Haddad

Antes de Lula, discursaram o presidente do PT, Edinho Silva, e o candidato do partido ao governo de São Paulo, Fernando Haddad. Haddad defendeu a coerência política de Lula ao longo de sua trajetória, afirmando que o presidente jamais se afastou dos compromissos assumidos desde seus primeiros discursos como líder sindical no ABC até a posse na Presidência.

Para o ex-ministro, num mundo marcado por guerras e pelo avanço da extrema-direita na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina, o Brasil precisa de uma liderança experiente e confiável, capaz de acionar os instrumentos necessários para proteger a soberania nacional, e, na sua avaliação, ninguém cumpre esse papel melhor do que Lula hoje.

Haddad também listou conquistas do governo, como a recomposição de cerca de R$ 100 bilhões nos orçamentos da saúde e da educação, que segundo ele haviam sido retirados na gestão anterior, além do crescimento econômico acelerado, da inflação sob controle e do desemprego em mínima histórica, combinado, disse, com ajuste fiscal que não recaiu sobre os trabalhadores.

Citou ainda a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais, medida que beneficia cerca de 15 milhões de pessoas, e afirmou que a liderança de Lula desperta admiração internacional. Encerrou convocando a militância a combater a desinformação da oposição nos próximos dois meses de campanha.

Edinho Silva

Ao abrir e encerrar os trabalhos, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, chamou militantes, movimentos populares e forças democráticas a intensificar a mobilização em torno da chapa Lula-Alckmin, destacando que a capacidade de organização do campo progressista, se unificada, não encontraria rival no país.

Ele descreveu a eleição de outubro como uma escolha entre dois projetos de país — de um lado, autoritarismo, negacionismo e desmatamento; de outro, soberania nacional e defesa das riquezas naturais — com repercussões, na sua visão, para o futuro da América Latina e da democracia mundial.

Também contrapôs escolhas como transição energética versus desmatamento e investimento em ciência versus negacionismo, e afirmou que a gestão de Lula já reconstruiu o país e abriu caminho para um novo ciclo, cabendo agora à militância consolidar essa vitória.

Ainda antes do discurso presidencial, o secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, resumiu o espírito da convenção como uma celebração da união democrática em torno do crescimento econômico com inclusão social e da defesa da soberania e autonomia do país.

Trajetória

Aos 80 anos, Lula soma sua quinta candidatura presidencial: foi eleito em 2002, reeleito em 2006, derrotado em 1989, 1994 e 1998 (por Fernando Collor e, depois, duas vezes por Fernando Henrique Cardoso) e eleito novamente em 2022. Em 2018, o PT chegou a lançar sua candidatura, mas ela foi barrada pela Justiça, levando Haddad a substituí-lo na disputa daquele ano. Uma vitória em outubro o levaria a 16 anos como presidente, atrás apenas de Getúlio Vargas, que, no entanto, foi eleito de forma direta apenas uma vez.

Alckmin, que enfrentou Lula em disputas presidenciais no passado, quando ainda estava no PSDB, consolidou nos últimos anos uma relação de proximidade com o presidente, acumulando a vice-presidência com o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, posição que o colocou como interlocutor do governo junto ao empresariado.

Entre os partidos aliados, o PDT foi o primeiro a declarar apoio a Lula, em 20 de julho, citando a defesa da pauta trabalhista e a necessidade de união das forças contrárias à extrema-direita. O PSB repete a aliança de 2022. Já PT, PV e PCdoB atuam juntos por meio da Federação Brasil da Esperança, criada em 2022, enquanto PSOL e Rede formam a Federação PSOL/Rede, esta última tendo entre suas principais lideranças a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, também candidata ao Senado por São Paulo na chapa de Haddad.

A convenção reuniu ainda outras lideranças e pré-candidatos, entre eles os governadores Elmano de Freitas (Ceará), Jerônimo Rodrigues (Bahia), Rafael Fonteles (Piauí) e Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte), além de Simone Tebet e Marina Silva, ambas concorrendo ao Senado por São Paulo, do ministro Guilherme Boulos, da ministra Márcia Lopes, do senador Rogério Carvalho e da deputada federal Benedita da Silva.

Até o momento, o principal adversário de Lula na disputa, Flávio Bolsonaro (PL), ainda não anunciou coligações. Os partidos têm até 5 de agosto para realizar suas convenções e definir chapas e alianças; o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral deve ocorrer até 15 de agosto, com início oficial da campanha no dia seguinte.

Lançamento oficial

O primeiro grande ato de campanha da chapa Lula-Alckmin está marcado para 16 de agosto, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, palco histórico das grandes greves do fim dos anos 1970, quando Lula despontou como liderança sindical no ABC paulista, em um movimento que ajudaria a moldar a criação do PT e a redemocratização do país.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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