2 de agosto de 2026

Observatório de Geopolítica: A possibilidade de impeachment de Trump é real?

Baixa popularidade, desgaste na política externa e temores sobre interferência eleitoral marcam análise de especialistas em política americana
Crédito: Reprodução/ TV GGN

Democratas podem retomar Congresso em novembro e abrir novo impeachment contra Trump, discutem especialistas.
Trump prometeu afastar EUA de conflitos, mas guerra na Ucrânia e tensão com Irã persistem, dizem debatedores.
Risco maior está na certificação eleitoral, com governo influenciando Justiça e segurança cibernética, alerta analista.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Com as eleições de meio de mandato marcadas para novembro nos Estados Unidos, cresce o debate sobre a possibilidade de os democratas retomarem o controle do Congresso, e, com isso, viabilizarem um novo processo de impeachment contra o presidente Donald Trump. O tema foi discutido em edição do programa Observatório de Geopolítica, que reuniu especialistas em relações internacionais e política americana para analisar o cenário.

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Segundo os participantes do debate, Trump chegou à Casa Branca prometendo afastar os Estados Unidos de conflitos armados no exterior, o que rendeu apoio significativo do eleitorado ligado ao movimento MAGA. Na prática, porém, o afastamento em relação à guerra na Ucrânia, evidente em comparação à administração anterior, não se traduziu no fim do conflito, apesar da promessa de uma solução em poucos dias e do encontro com o presidente russo Vladimir Putin no Alasca.

Some-se a isso o envolvimento americano, desde fevereiro, em um confronto com o Irã no Golfo Pérsico, além do distanciamento de parceiros tradicionais na Europa Ocidental e na Ásia Oriental, como Coreia do Sul e Japão, um quadro descrito pelos debatedores como um retrocesso na política externa do país.

No front interno, a situação também é apontada como preocupante: cresce a insegurança alimentar entre a população mais pobre, o custo da moradia sobe e mais de 10% dos americanos vivem hoje na linha da pobreza. Entre a classe média, o debate aponta aumento do endividamento e sensação de insegurança profissional, num contexto de concentração de renda que se intensifica há cerca de quatro décadas.

Aprovação em baixa

Nesse cenário, a taxa de aprovação de Trump estaria na casa dos 34%, caindo para 43% mesmo entre o eleitorado branco sem diploma universitário, a base que mais o apoiou nas eleições em que concorreu à presidência.

O professor de Relações Internacionais Alexandre Uehara, da ESPM, avaliou que os indicadores e pesquisas de opinião apontam para uma provável perda da maioria republicana na Câmara dos Representantes em novembro, refletindo a insatisfação tanto com as promessas de política externa não cumpridas quanto com os efeitos econômicos das tarifas impostas pelo governo. Já em relação ao Senado, o professor considerou mais incerta uma eventual perda de maioria republicana, apesar de projetar perda de cadeiras.

A professora e pesquisadora Rúbia Marcucci, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos dos Estados Unidos, explicou o funcionamento do mecanismo previsto na Constituição americana de 1788. O processo ocorre em duas etapas: primeiro, a Câmara dos Representantes precisa reunir evidências e aprovar as acusações por maioria simples, formalizando o impeachment; em seguida, o processo segue para o Senado, onde é necessário voto qualificado de dois terços para que o presidente seja de fato afastado e impedido de ocupar cargos públicos no futuro. Caso o Senado rejeite as acusações, a autoridade permanece no cargo.

Segundo a pesquisadora, ao longo da história americana a Câmara já abriu cerca de 60 processos de impeachment, dos quais 21 avançaram de forma significativa, mas apenas três recaíram sobre presidentes: Andrew Johnson, em 1868, Bill Clinton, em 1998, e o próprio Trump, em duas ocasiões, 2019 e 2021. Na segunda vez, motivada pelo papel do então presidente nos eventos de invasão ao Capitólio em janeiro daquele ano, a votação no Senado terminou em 57 votos a favor da condenação contra 43 pela absolvição, número insuficiente para atingir a maioria qualificada necessária.

Processo eleitoral

A cientista política Gisele Anhel, colunista do Congresso em Foco e especialista em política americana, chamou atenção para um fator adicional ao debate: diferentemente do primeiro mandato, quando o questionamento de resultados eleitorais partia de fora do poder, hoje Trump ocupa a Casa Branca com influência direta sobre o Departamento de Justiça, o Departamento de Segurança Nacional e a comunidade de inteligência, incluindo o diretor de Inteligência Nacional, recentemente sabatinado no Senado, responsável por decidir quais informações sobre o processo eleitoral são divulgadas ao Congresso e à população.

Segundo Anhel, o governo também tenta avançar uma medida que exigiria comprovação documental adicional de identidade dos eleitore, proposta que, na avaliação dela, afetaria de forma desproporcional mulheres que mudaram de sobrenome, pessoas trans e a população negra, esta última também impactada por mudanças recentes no redistritamento eleitoral. Ela avalia como pouco provável que a medida avance no Congresso por meio do formato como foi apresentada, dada a exigência de regras específicas para matérias orçamentárias, mas destaca que o presidente também tem pressionado o Judiciário, especialmente em relação ao voto por correio, modalidade usada por cerca de 30% a 40% do eleitorado em determinados estados.

Para a analista, o principal risco não estaria necessariamente no resultado das urnas, mas na fase de certificação dos vencedores, etapa em que o governo teria mais instrumentos para gerar contestações e fomentar desconfiança em torno do processo eleitoral, à semelhança de discursos anteriores do presidente sobre fraudes e sistemas de votação. Ela citou ainda o esvaziamento de estruturas federais de apoio à segurança cibernética eleitoral e a substituição de lideranças bipartidárias responsáveis por certificar padrões de urnas e organizar dados eleitorais nos estados, sem que novos nomes tenham sido indicados até o momento.

O debate seguiu com a discussão sobre a 25ª Emenda constitucional, mecanismo que permite ao vice-presidente solicitar o afastamento do titular do cargo, tema que os participantes prometeram aprofundar na sequência do programa.

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Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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