
Por Antonio Carlos Fon
Oi Nassif,
o CPMVJ – Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça, junto com os comitês da Paraiba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, produziu três vídeos para marcar os 35 anos da votação da Lei da Anistia, nesta quinta-feira, dia 28. O objetivo é aproveitar a campanha eleitoral e levar o Brasil a discutir os crimes da ditadura, defendendo a revisão da Lei de Anistia de forma a chegar à apuração e punição desses crimes. Para isso decidimos interpelar os três poderes da República – Executivo, Legislativo e Judiciário – sobre a impunidade dos agentes do Estado no período da ditadura militar. Os três vídeos já estão no youtube e podem ser vistos nos links abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=q0-ih5Z6yU0&list=UUVwgAPWHe9ylaZYm0ktCATQ height:394]
https://www.youtube.com/watch?v=yGTAmbDNEV4&list=UUVwgAPWHe9ylaZYm0ktCATQ height:394
[video:https://www.youtube.com/watch?v=RASd14FoBzE&list=UUVwgAPWHe9ylaZYm0ktCATQ height:394
O questionamento ao Executivo é feito por Gregório Gomes da Silva, filho de Virgílio Gomes da Silva, torturado até a morte. Gregório faz um apelo à presidente Dilma Roussef, que compartilhou celas e torturas com sua mãe, Ilda Martins da Silva, para que nos ajude a não deixar impunes os assassinos de seu pai.
Como representante do Legislativo escolhemos o senador Aloysio Nunes Ferreira, não só por ser candidato a vice-presidente mas, principalmente, porque – apesar de seu passado de militante da esquerda armada – defende a impunidade dos assassinos e torturadores de seus antigos companheiros. Quem o questiona é a professora Rosalina Santa Cruz, irmã de Fernando Santa Cruz, preso pelo Doi-Codi do Iº Exército em 1974 e desaparecido desde então.
Ao Judiciário a interpelação é feita pelo professor Pedro Estevam Serrano, professor de Direito Constitucional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Serrano exige dos ministros do STF a revisão imediata de sua interpretação de que a Lei da Anistia beneficia também os crimes cometidos pelos agentes do Estado, demolindo os argumentos de quem defende a impunidade de estupradores, torturadores e assassinos.
O Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça (CPMVJ) considera que a discussão dos crimes da ditadura e sua punição, especialmente neste momento, é essencial para a construção da democracia no Brasil.
Um abraço,
A.C.Fon
aliancaliberal
28 de agosto de 2014 4:06 pmAbaixo a ditadura menos a
Abaixo a ditadura menos a Cubana, a Norte Coreana, a de myanmar, a da China, Camboja, ….
Abaixo a ditadura que não seja a esquerdista.
Abaixo a ditadura para a esquerda implantar uma ditadura socialista.
Francisco J. Corrêa
28 de agosto de 2014 5:21 pmOs três vídeos postados
Os três vídeos postados referem-se à ditadura que se instaurou no BRASIL. Os criminosos ocultados s ão brasileiros, apesar de indignos. Não há porque se invocar slogans contra outras ditaduras no mundo. Os criminosos impunes estão aqui. Punir assassinos é implantar ditadura socialista? Então, vivam as ditaduras (!?) socialistas.
aliancaliberal
28 de agosto de 2014 9:33 pm” Punir assassinos é
” Punir assassinos é implantar ditadura socialista? Então, vivam as ditaduras (!?) socialistas.”
O problema é punir só um lado e deixar o outro de boa.
AlexRio
28 de agosto de 2014 6:35 pmA de Myanmar é de direita e
A de Myanmar é de direita e militar, informe-se melhor.
aliancaliberal
28 de agosto de 2014 9:25 pmO relato da tragédia de
O relato da tragédia de Mianmar – Insensíveis os ditadores da “Via Birmanesa para o socialismo”
Um rio com milhares de corpos: o relato da tragédia de Mianmar
Milhares de corpos estão flutuando no delta do Rio Irrawaddy, em Mianmar, mas a junta
Elas desejam transportar para a cidade 70 toneladas de arroz, feijão e água potável engarrafada. As funcionárias da organização foram instruídas a avaliar a situação e fazer os preparativos necessários para a operação de ajuda humanitária planejada. Infelizmente, as duas não foram muito longe. Elas solicitaram uma reunião com as autoridades locais, mas o pedido foi negado.
As funcionárias visitaram campos de refugiados nos quais milhares de pessoas que perderam as suas moradias devido ao ciclone estão em uma situação precária, sofrendo de diarréia, e incapazes de fazer qualquer coisas por si próprias. Elas constataram como os representantes da junta militar vêm até esses campos para contar os vivos (mas não os mortos, que não são mais úteis para o governo).
Soldados entregaram aos sobreviventes cédulas de votação para o referendo constitucional do país. O referendo, que foi adiado na região do delta devido ao ciclone, deverá ser realizado aqui em 24 de maio -apesar de a imprensa controlada pelo governo já ter anunciado o resultado da eleição, que foi realizada na maior parte do país em 10 de maio, conforme originalmente planejado. O governo alegou que 99% dos eleitores votaram, e que 92% do eleitorado birmanês votou a favor da junta.
Elas observaram como folhas de zinco foram distribuídas para famílias de boa situação financeira, para que pudessem consertar os telhados das suas casas de pedra localizadas nas ruas principais, que só foram ligeiramente danificadas pela tempestade. Desta forma tudo terá uma aparência bonita e arrumada quando quer que os generais passarem por essas ruas nas suas limusines pretas.
As funcionárias viram também como os campos foram montados com tendas feitas de folhas de plástico azuis. Mas ninguém está vivendo nessas tendas. Elas serão ocupadas por apoiadores do regime pouco antes de os generais fazerem uma visita, acompanhados da televisão estatal e de repórteres do jornal “Nova Luz de Mianmar”, controlado pela junta. Isso é para provar ao povo de Mianmar e do mundo que os generais mantém a situação no delta sob controle.
“Isso teve início com um desastre natural”, diz a mulher mais baixa, lutando para conter as lágrimas e controlar a raiva. “Agora a situação diz respeito apenas à política. O que a junta está fazendo aqui é algo tão repugnante que é difícil acreditar”.
As mulheres estão sentadas à margem da estrada de concreto próxima a Bogalay porque o desespero fez com que tentassem uma tática diferente.
Em um esforço derradeiro, elas tentam contrabandear os suprimentos de auxílio humanitário para a cidade devastada. Elas fizeram com que o arroz, o feijão e a água fossem acondicionados em caminhões da Cruz Vermelha Birmanesa. Assim os caminhões teriam permissão para entrar na zona de exclusão, já que pertencem a uma organização de auxílio birmanesa.
Mas até o momento nenhum caminhão chegou. De fato, parece que ninguém está vindo para Bogalay. As mulheres temem que o estratagema possa ter sido descoberto. Elas acham que os militares podem ter parado os caminhões em algum ponto do percurso e que os motoristas podem estar impedidos de seguir viagem.
Bogalay fica no delta do Irrawaddy, cerca de cem quilômetros a sudoeste de Rangoon, no meio de arrozais verdejantes. Esta foi a área mais violentamente atingida pelo ciclone Nargis, que abateu-se sobre a região nas primeiras horas da madrugada do sábado, 3 de maio. Ventos de até 230 quilômetros por hora passaram pela região do delta e criaram grandes ondas que subiram o rio. Uma delas atingiu Bogalay, derrubando coqueiros sobre milharais e jogando embarcações contra moradias. Os casebres da população foram simplesmente varridos do mapa.
Há um silêncio sinistro em Bogalay. Não se ouve o som de motosserras, escavadeiras ou tratores. O exército birmanês tem cinco helicópteros, mas durante o dia inteiro nós não vimos nem um deles. Não se ouve sequer pássaros trinando. Os sobreviventes dizem que depois da tempestade os pássaros silenciaram.
Cerca de 200 mil pessoas moram nesta cidade portuária e nas cercas de 500 vilas que ficam em volta dela. A maioria dos moradores é composta de agricultores que cultivam arroz, e que moram em choupanas cobertas com folhas de palmeiras às margens do Irrawaddy e dos milhares de seus afluentes menores no delta. Quase todas as choupanas foram destruídas pela tempestade. Incontáveis corpos flutuam no rio. Dezenas de milhares de seres humanos morreram aqui. O número total de mortos pode chegar a 130 mil. “Por que deveríamos retirá-los do rio?”, questiona um sobrevivente. “Mal somos capazes de ajudar a nós mesmos”.
Faz mais de duas semanas que Bogalay praticamente não recebe remessa alguma de suprimentos de ajuda. O grau de cinismo demonstrado pelos generais da junta é criminoso. Os sobreviventes têm consciência de que a mídia internacional faz reportagens diárias sobre eles, de que milhões de dólares e toneladas de suprimentos foram doados e de que grande parte desse auxílio já chegou a Mianmar. Mas até o momento eles não receberam qualquer assistência financeira, suprimentos médicos ou sequer arroz para comer.
Mas não são apenas os suprimentos de outros países que estão proibidos em Bogalay; os estrangeiros também estão. A junta colocou soldados de prontidão em postos policiais construídos às pressas. Eles montam guarda em pontes e em entroncamentos de estradas que conduzem ao delta, e inspecionam cada veículo que passa, gritando: “Naingchartar?” (“Estrangeiros a bordo?”). Todos que não forem birmaneses ou que não apresentarem uma permissão oficial são obrigados a sair do veículo.
Nós chegamos à cidade pouco depois do pôr do sol. Tivemos que fazer três tentativas até conseguirmos chegar aqui. No início do dia fomos parados por soldados que anotaram os números dos nossos passaportes, ainda que não conseguissem lê-los (e o fato de segurarem os passaportes de cabeça para baixo provavelmente não ajudou). Eles ordenaram ao nosso motorista que desse meia-volta e retornasse a Rangoon.
Nós vagamos por estradas de cascalho durante horas a fio, vendo apenas arrozais e pessoas esmolando à beira da estrada. Procuramos nos esconder na traseira do táxi no qual viajamos. Os nossos ajudantes birmaneses colocavam casacos e cobertores sobre nós todas as vezes em que surgia um posto policial.
“Precisamos de um telhado sobre as nossas cabeças”
Em Bogalay, fomos acolhidos por um médico que mora em uma rua simples. São 20h e a sala de tratamento está lotada de pacientes. Uma mulher usando um sarong rasgado entra às pressas. Ela é de uma da vilas ao longo do Irrawaddy que foram totalmente destruídas. A mulher viajou quatro horas de barco até chegar aqui. Ela carrega uma criança nos braços. É o seu neto. A filha, cujo bebê ela tenta salvar, e oito outros membros da família foram mortos pela tempestade. Faz uma semana que o neto dela tem febre e diarréia. A criança vomita e começa a chorar.
O médico fala com uma voz alma e reconfortante. Não há muito que ele possa fazer -o seu armário de remédios dá a impressão de ter sido saqueado. Caso uma epidemia de desinteria ou tifo irrompesse de fato aqui, ele não poderia fazer nada, a não ser fugir.
O médico nos leva até um jovem monge de cabeça raspada que usa óculos de estilo antiquado. Ele não pergunta nada e nos recebe com um sorriso gentil. O monge usa um robe vermelho-escuro, e, no mosteiro, está sentado em uma cadeira parecida com um trono. Nos bons tempos os fiéis vêm até aqui, ajoelham-se em frente a ele três vezes, e lhe oferecem esmolas e comida como forma de melhorar o karma. Essas pessoas acreditam que, quanto mais doarem, mais fácil será a próxima vida. E caso aconteça algum desastre, elas crêem que isto se deve a algo que fizeram em uma vida anterior.
À noite, quando todos estão dormindo, o monge coloca um rádio transistorizado junto ao ouvido e escuta a “BBC” e a “Free Asia”.
Essas estações foram proibidas pelo regime militar, mas mesmo assim quase todos as ouvem em Mianmar. Bogalay é freqüentemente mencionada nesta noite em particular.
Antes da aurora o monge caminha conosco pelas redondezas. Uma escola próxima ao mosteiro foi transformada em um campo para acolher 1.400 pessoas que ficaram desabrigadas pela tempestade. As pessoas usaram mesas e cadeiras para fazer camas. Elas agacham-se em poças enlameadas de água no refeitório da escola. A água da chuva pinga sem parar do telhado de zinco. Crianças jazem em poças de água escuras e mulheres preparam sopas ralas em fogueiras. Lenha é a única coisa que não está em falta por aqui.
Aonde quer que o monge vá, as pessoas aglomeram-se à sua volta. Elas o convidam para entrar em suas casas destroçadas e fazem chá para ele. Ele as conforma sem falar muito. Ele simplesmente as apóia com a sua presença.
O monge nos leva até o porto. Aqui, também, casas desabaram, telhados foram arrancados e paredes desmoronaram. A barca de Rangoon está atracada em um píer no qual chegou dois dias atrás com produtos “Made in Myanmar”. Ajudantes carregam água engarrafada da barca, bem como alguns sacos de arroz e frutas. Os soldados montam guarda no cais, com metralhadoras dependuradas nos ombros, observando atentamente cada movimento. Esta é a cara da junta. “Primeiro eles estocam os mantimentos”, diz o monge. “Depois, avaliam cuidadosamente o que distribuirão e a quem. Esse processo pode demorar dias. De qualquer forma, não haverá o suficiente para todo mundo”.
O monge fala com o dono de um depósito de barcos, que consegue alguma gasolina e nos ajuda a entrar em um barco de metal enferrujado. O monge agacha-se, segura-se à borda da embarcação e olha para a água amarronzada. De vez em quando ele aponta para a margem, ao enxergar mais um corpo, mas na maioria das vezes não diz nada. Esta é a primeira vez desde a tempestade que ele olha a cidade a partir do rio. Aquilo que ele vê faz com fique em silêncio.
Os corpos estão inchados, com a pele amarela coberta de pústulas negras.
Cada onda leva-os para mais perto da margem. Alguns encontram-se emaranhados nos juncos. Uma perna amputada desponta entre as raízes de uma árvore. Os sobreviventes caminham pela margem, segurando panos sobre o nariz na tentativa de se protegerem do odor adocicado nauseabundo exalado pelos corpos putrefatos. Apenas alguns metros adiante algumas pessoas pescam, lavam as roupas e cozinham as suas últimas reservas de arroz em latas de zinco.
Tha Mynt está em uma pequena ilha feita de terra aluvial. A sua vila consistia de 80 casebres de bambu. Agora só cinco estão de pé. A metade das 400 pessoas que moravam aqui morreu. Tha Mynt está de pé na beira d’água. Ele está descalço e usa uma camiseta rasgada. Vizinhos sentam-se nos caibros do seu casebre, ajudando-o a cobrir de novo o telhado, usando para isso pequenas lascas de madeira em vez de pregos. Eles queimam destroços das cabanas destruídas e arroz estragado pela enchente.
Tha Mynt nos diz que, na noite em que a tempestade atingiu a área, ele não fazia a menor idéia do que estava por acontecer. Não houve nenhum aviso. Não há energia elétrica nas aldeias, e, freqüentemente, também não existe nenhum aparelho de rádio. Quando o vento começou a soprar e a chuva a cair, ele abrigaram-se nas choupanas. Quando estas começaram a desabar, eles pularam no rio, com água pelo pescoço, e agarraram-se a troncos de coqueiros. As mulheres amarraram os seus bebês nas costas com roupas. Mas a tempestade rasgou as roupas, fazendo com que os bebês se soltassem.
Tha Mynt conta que na manhã seguinte eles sentaram-se na margem do rio, paralisados pelo choque e a exaustão. Os seus bens, as suas imagens do Buda, o dinheiro que ganharam com a colheita do arroz e que mantinham em caixas de metal no altar do Buda, tudo foi carregado pela inundação.
Eles mandaram as suas mulheres e os seus filhos para a cidade, para ficarem com parentes, e a seguir jogaram no rio os corpos dos moradores mortos e dos búfalos afogados para que fossem levados pela correnteza.
Não havia mais nada que pudessem fazer.
O que acontecerá agora? Tha Mynt dá de ombros. “Primeiramente, precisamos de um telhado sobre as nossas cabeças e de alguma coisa para comer”, diz ele. “Depois, veremos o que vamos fazer”. Por que ele não está chorando? Por que não expressa desespero e nem reclama? Por que não está furioso? O monge diz que o povo daqui vê a borrasca como um destino, um sinal de mau karma. Mas eles também culpam a junta militar.
Eles vêem a tempestade como uma punição pelo fato de o exército ter espancado brutalmente e matado monges em setembro passado, quando eles protestaram contra o regime. Mas, no final, como sempre, quem arca com a maior parte do sofrimento é a população em geral.
O monge ordena que o barco continue subindo o rio. Ele quer ter uma imagem da dimensão do horror. Mas agora ele não emite uma só palavra.
O capitão do barco é um garoto de apenas 16 anos. Ele usa um boné de beisebol com a foto de Che Guevara e tem um cigarro atrás de cada orelha. O adolescente diz que mais acima há um numero ainda maior de corpos boiando na água -são tantos que é difícil passar por eles de barco.
Inicialmente os sobreviventes remaram até lá em canoas, procurando por familiares desaparecidos. Agora o odor de corpos podres é tão insuportável que deixa as pessoas nauseadas e incapazes de identificar os mortos.
O jovem capitão diz que cadáveres geralmente não têm nenhum significado para os budistas. Mas até mesmo ele acha a imagem perturbadora.
“Se ninguém ajudar essas pessoas, nós, birmaneses, teremos que ajudá-las”
O capitão pára em um moinho de arroz. O moleiro e a sua família só sobreviveram ao ciclone porque naquela noite refugiaram-se na área de depósito de arroz. Eles sentaram-se no topo de uma pilha de sacas de arroz, aglomerados, tremendo de frio e medo, recitando orações budistas a noite toda. Depois que a tempestade acabou e o sol voltou a surgir -o céu estava azul nos primeiros dias após o ciclone- a filha do moleiro deu a luz a uma criança. O bebê nasceu muito prematuro, mas está saudável, pelo menos por ora.
O monge indica que deseja partir. Ele nos mostra uma trilha sinuosa que leva a uma ponte localizada nos arredores da cidade. Ele abre o seu guarda-chuva, que é vermelho-escuro como o seu robe, sorri para nós e desaparece no lusco-fusco.
Alguns quilômetros fora da cidade, as duas mulheres birmanesas ainda estão aguardando os caminhões carregados de arroz e outros suprimentos.
À noite elas retornarão a Rangoon, extremamente frustradas por não terem conseguido cumprir a missão da qual foram incumbidas.
No caminho de volta, os dois birmaneses que nos acompanharam de Rangoon a Bogalay começam a fazer ligações nos seus telefones celulares. O que eles viram os deixou chocados. Agora eles querem fazer alguma coisa, superar a sensação de impotência.
Eles telefonam para pessoas que têm dinheiro e influência -monges proeminentes, empresários chineses e russos que estão nos principais hotéis internacionais. Eles passam horas pedindo doações em dinheiro, roupas e alimentos. Enquanto estávamos no barco eles tiraram fotografias dos corpos, usando o zoom de suas câmeras para obter imagens em close-up. Não foi algo fácil, mas eles sabiam que precisariam de fotografias para mostrar a possíveis doadores. “Caso contrário eles não acreditarão em nós e não nos darão nada”, disseram. No dia seguinte eles querem alugar um caminhão e seguir para Bogalay. “Se ninguém mais ajudar essas pessoas, nós, birmaneses, teremos que ajudá-las”.
Podemos ver o Pagode Shwedagon, uma estrutura famosa de Rangoon, com o seu brilho dourado à distância. O dano causado pela tempestade ao telhado foi consertado rapidamente, e à noite ele está novamente iluminado por holofotes amarelos. Pode-se ver funcionários de organizações de auxílio humanitário usando botas pesadas e calças de trabalho sentados e de pé nos saguões dos hotéis. Eles aguardam pelo início de uma missão que provavelmente jamais ocorrerá. Esses indivíduos não podem fazer nada antes que a junta lhes conceda autorização.
Diplomatas ocidentais e delegações da Organização das Nações Unidas
(ONU) apresentam planos para missões e preparam-se para reuniões em Naypyidaw, cidade que foi declarada a nova capital administrativa do país. Eles ainda não desistiram.
O general Than Shwe, o líder da junta, continua passando a maior parte do tempo em reclusão em Naypyidaw. O general é um homem supersticioso que não confia em ninguém, a não ser no seu astrólogo. Ele optou por se isolar do seu povo e do resto do mundo na bizarra nova capital.
Existe pouquíssima informação sobre a vida dele, mas um vídeo de dez minutos do casamento suntuoso da sua filha pode ser visto no YouTube. É um espetáculo decadente, mostrando a filha dele com o cabelo cheio de diamantes e usando um vestido de casamento feito mais fina seda. Vê-se também um bolo de casamento de cinco andares e muita champanha que foi servida aos convidados. Em meio a todo esse esplendor, pode-se ver o ditador empanturrando-se sem nenhuma manifestação de alegria, enquanto lá fora o seu povo passa fome.
Naypyidaw fica 350 quilômetros ao norte de Rangoon, no meio da selva. É como se a cidade estivesse em um outro planeta. http://opicodamontanha.blogspot.com.br/2008/05/o-relato-da-tragdia-de-mianmar.html
Daytona
28 de agosto de 2014 9:54 pmAbaixo a ditadura, menos a
Abaixo a ditadura, menos a ditadura liberal de Pinochet, a mais sanguinária da América, menos a ditadura brasileira com seus ministros Campos e Bulhões!
Abaixo a ditadura, menos a ditadura racista defendida por Hans-Hermann Hoppe, do Instituto Mises.
Fábio de Oliveira Ribeiro
28 de agosto de 2014 4:44 pmSofri as consequencias da
Sofri as consequencias da ditadura aos 3 anos de idade. Meu único crime: mijar num comunista, meu pai. Não fui anistiado. Não anistiei ninguém, pois quando a Lei da Anistia foi aprovada eu nem mesmo era eleitor. Tive que fazer um barulho danado para ser atendido pela Comissão da Verdade e, depois de muito esforço, consegui fazer com que a mesma me enviasse uma ficha do meu pai no DOPS. Eis aqui a única satisfação que recebi do Estado brasileiro: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=642189499138215&set=pb.100000415136357.-2207520000.1409243778.&type=3&theater Por ter desafiado militares para um duelo de pistola por causa da Anistia na internet http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/aos-interessados-em-defender-a-ditadura recebi várias ameaças de morte (os canalhas chegaram a publicar na internet fotos da rua onde moro). Sou “estranho no ninho” brasileiro, desde sempre. Nos últimos anos venho recolhendo material sobre a ditadura para escrever um livro. Já juntei mais de cinco caixas grandes de livros editados durante a ditadura e publicados depois dela que tratam sobre aquele período. Mas o desgosto me paraliza. Não seria melhor comprar uma pistola para dar baixa em políticos novos e militares envelhecidos que ainda defendem aquela merda de regime?
AlexRio
28 de agosto de 2014 6:30 pmApesar de minha total
Apesar de minha total simpatia humana aos homens e mulheres que foram torturados, assassinados e “desaparecidos” durante a ditadura militar, gostaria que a Sra. Rosalina Santa Cruz explicasse em que lugar do mundo já foi instalado e exista o tal “socialismo democratico” a que ele se refere como objetivo dela e do irmão, e o que exatamente seria isso, já q nunca se viu.
Ao contrario, a Historia mostra que em todos os paises onde foi instalado o tal socialismo (q nao existe nem na Venezuela como forma de governo, penas um simulacro de) jamais houve democracia.
No mais concordo q torturadores e assassinos deviam todos ser punidos.
Daytona
28 de agosto de 2014 9:55 pmCadê o “Al” “Revolução
Cadê o “Al” “Revolução Democrática de 64” Argola, grande defensor da anistia para estupradores, torturadores e assassinos?
Devem estar comemorando o aniversário da Lei em algum buteco.