4 de junho de 2026

Ideli retoma a busca de mortos e desaparecidos

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A Ministra Ideli Salvatti deixou a coordenação política do governo bastante desgastada. Recebeu como aparente prêmio de consolação a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Sem entender inicialmente dos temas, mas dotada de boa vontade, Ideli está promovendo mudanças radicais nos trabalhos da Secretaria, a maior dos quais é a retomada dos trabalhos para a identificação dos mortos e desaparecidos enterrados em Perus e no Araguaia – colocando um paradeiro a décadas de abandono a que os familiares foram relevados. Mães, pais e irmãos já morreram seu ter conseguido enterrar seus mortos, nem ao menos saber de seu fim.

No mandato de sua antecessora, Maria do Rosário, os trabalhos foram deixados às moscas. Rosário entregou a coordenação dos trabalhos a uma pessoa despreparada, Gilles Gomes, que se indispôs com as famílias e com todos os grupos envolvidos com o tema. A presidência da Comissão foi mantida com um advogado idesnteressado. Ambos – Rosário e o advogado Marco Antonio Barbosa – acabaram sendo alvos de representação do Ministério Público Federal por falta de responsabilidade com suas atribuições.

Foi um desrespeito tão grande que as famílias acabaram juntando algum dinheiro para trazer – por sua conta – peritas argentinas para iniciar os trabalhos. As peritas ficaram hospedadas em casas das família para economizar, enquanto as verbas da SDH eram distribuídas a convênios que pouco tinham a acrescentar aos trabalhos.

Alexandrina CristensenO relatório das peritas foi essencial para reabrir os trabalhos. E o governo Dilma Rousseff começa, enfim, a se reconciliar com o tema graças a Ideli, ao Secretário Nacional de Justiça Paulo Abrão e a Rogerio Sotilli, Secretário Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo, três figuras públicas que honram o Estado brasileiro.

Os trabalhos, já iniciados, trarão mais luzes sobre o desserviço prestado por um dos mais controvertidos especialistas brasileiros: o legista Badan Palhares.

PS – Dia desses, no Alemão, conheci a militante Alexandrina Cristensen de Souza, da Associação Brasileira de Anistyiados, que juntou os recursos para trazer as peritas argentinas. Estava com câncer. Morreu semanas atrás, sem saber que, finalmente, através de Ideli, o governo Dilma acordou para o tema.

Retomada dos trabalhos em Perus é prioridade, diz ministra a Comissão

Retomada dos trabalhos em Perus é prioridade, diz ministra a Comissão

A ministra destacou a importância dos trabalhos de identificação. Foto: Mariana Farias

18/06/2014

A ministra Ideli Salvatti, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), abriu nesta quarta-feira (18), a reunião da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, em Brasília.

Ideli conversou com os membros da Comissão e destacou como prioridades a retomada dos trabalhos de identificação das ossadas encontradas no Cemitério de Perus, em São Paulo, juntamente com a retomada do Grupo de Trabalho Araguaia (GTA), que passa por uma reestruturação.

“O sentido de urgência nessas buscas é em primeiro lugar pelos familiares dos mortos e desaparecidos”, destacou. “Esse trabalho tem que ser feito pelo Estado brasileiro em respeito aos familiares, para que esse luto seja encerrado.”

A ministra agradeceu também o apoio do Ministério da Educação (MEC) na retomada dos trabalhos de Perus. O MEC apoiou a ação ao arcar com o aluguel do espaço onde o trabalho será realizado, ajudando ainda a contratar peritos internacionais e a criar um centro de referência em Antropologia e Arqueologia Forense, na estrutura da Universidade Federal de São Paulo.

Entre os encaminhamentos da reunião – da qual participaram também o Coordenador-Geral da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Rafael Schincariol – está a inserção, nos documentos de certificação de óbito de mortos políticos, de que as circunstâncias da morte foram apuradas pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos ou pela Comissão da Verdade.

Ossadas de Perus – A vala clandestina de Perus foi aberta em 1990. Nela, foram encontradas 1.049 ossadas, dentre as quais estariam os restos mortais de desaparecidos políticos da ditadura civil-militar, indigentes e vítimas de grupos de extermínio.

Na primeira fase do trabalho de retomada da identificação das ossadas, serão investidos R$ 2,4 milhões. Este investimento será destinado à contração dos peritos e do aluguel do espaço que será utilizado os restos encontrados no Cemitério de Perus.

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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5 Comentários
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  1. joel lima

    25 de agosto de 2014 4:17 pm

    A situação da Anistia no

    A situação da Anistia no Brasil é kafkaniana. Por ser uma lei que prevê que  ninguém será punido pelos crimes feitos durante o regime militar,teoricamente não haveria  obstáculo nenhum para a localização dos desaparecidos para dar a eles um enterro digno, receber o último adeus dos seus. Mas o que ocorre é justamente o contrário. E é lamentável a posição das forças armadas brasileiras em todo esse calvário impostos aos familiares. Essas insituições tinham que ser as primeiras a ajudarem a colocar luz nesse período de trevas. O que elas pretendem, no fundo, é apagar esse período, negando toda a carnificina praticada pelos que nelas estavam. E o outro ponto lamentável é que os últimos 03 presidentes – FHC , Lula e Dilma – pouco fizeram para mudar isso, apesar dos três terem sido vítimas da ditadura – e no caso de Dilma, a que mais sofreu na mãos dos militares. 

     

    Ah, antes que eu me esqueça = Maria do Rosário e Bolsonoro se merecem. 

     

  2. Maria Luisa

    25 de agosto de 2014 4:40 pm

    Vamos avançar

    Realmente uma boa noticia. Maria do Rosario foi uma decepção, e não apenas com o pouco caso com que tratou essa questão delicada e importante par ao Brasil atual. Esperamos que Ideli Salvatti leve o trabalho avante e que, o MPF, também ajude avançar nas investigações. Chegou a hora das FFAA colocar o dedo la onde doi para que possamos virar essa pagina. Eles vão ter que abrir sua caica-preta. 

    1. leonidas

      25 de agosto de 2014 6:01 pm

      As forças armadas Brasileiras

      As forças armadas Brasileiras são instituições honradas e jamais devem se prestar a dar quaisquer esclarecimentos que tenham na verdade a intenção de denegri-las.

      Principalmente quando essa agenda é completametne estranha a sociedade brasileira e esta sendo levada a cabo por razoes revanchistas de uma porçao de totalitarios que jamais forma democratas

      Prova inconteste disso é que esses tais apoiam firmemente a ditadura Cubana que ja matou, torturou, executou, e estrupou ( e ainda faz isso ) um numero centenas de vezes maior do que os casos relatados no Brasil…

      1. Anônimo

        26 de agosto de 2014 11:52 am

        A Comissão da Verdade é uma

        A Comissão da Verdade é uma instituição honrada e jamais deve se prestar a aceitar quaisquer declarações que tenham na verdade a intenção de denegri-la.

        Principalmente quando essa postura é completamente estranha à sociedade brasileira e está sendo levada a cabo por razões corporativistas de uma porção de totalitários que jamais foram democratas.

        Prova inconteste disso é que esses tais apoiaram firmemente a ditadura chilena que matou, torturou, executou e estrupou um número centenas de vezes maior do que os casos relatados no Brasil…

         

  3. Free Walker

    25 de agosto de 2014 9:15 pm

    Sou catarinense e conheco

    Sou catarinense e conheco muito bem essa senhora paulista petista importada para fazer greve no SINTE. Depois de passar pela alta cupula do Governo Central, hoje morta e desaparecida, deveria estar procurando por si mesma em vez de estar olhando pelo retrovisor da historia brasileira..

     

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