Uma análise dos dados do comércio varejista divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram um segmento que ainda sente dificuldades em retomar seu ritmo após a pandemia de covid-19.
Em 12 meses, o crescimento acumulado ficou em apenas 1% – embora acima do acumulado de 2022 (quando o percentual ficou em 0,8%), o número é bem inferior ao visto no mesmo período de 2021, quando o percentual acumulado era de 3,9%.

Segundo o IBGE, as vendas registradas na Páscoa levaram o comércio varejista a crescer 0,1% na passagem de março para abril – o que ajuda a explicar o crescimento de 3,2% no segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo.
No gráfico abaixo, é possível verificar que, quando se avalia apenas o setor de hipermercados e supermercados, a variação ficou praticamente estável (queda de 0,1%).
Pelo lado negativo, destaque para as perdas no segmento de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação – uma hipótese para essa queda é o reflexo da adoção do regime de home office por muitas empresas, como forma de redução de custos.

Como a política afeta o comércio
Na avaliação ao longo de 12 meses, é possível verificar que os eventos políticos tiveram efeito imediato na venda do comércio. Senão, vejamos:
- A curva mais acentuada de queda foi vista de junho de 2015 a setembro de 2017, período em que houve a crise do segundo governo Dilma e o consequente impeachment da então presidente, seguida pela posse do vice-presidente Michel Temer.
- O segmento chegou a ensaiar uma recuperação até o primeiro trimestre de 2020, quando caiu de forma brusca por conta da pandemia de covid-19.
- O crescimento repentino visto entre junho de 2020 e março de 2022 pode ser creditado ao pagamento do auxílio emergencial, o que ajudou a aquecer o consumo no período. No trimestre em que o pagamento foi interrompido, a queda nas vendas foi praticamente imediata.

Quando a análise toma um horizonte mais amplo de tempo, é possível perceber o impacto do cenário político sobre a economia, e por consequência nas vendas do varejo.
O setor apresentava um ritmo relativamente estável pelo lado da alta até o final do governo Lula e primeiro mandato de Dilma Rousseff, com a instabilidade política e o consequente impeachment derrubando as vendas por conta das incertezas geradas.

Varejo ampliado
No varejo ampliado, que considera o setor todo mais veículos, motos, partes e peças e material de construção, o IBGE afirma que a queda nas vendas chegou a 1,6%, mas as vendas comparadas com o mesmo período de 2022 mostram crescimento de 3,1%, ao passo que o acumulado em 12 meses subiu 3,3% no ano.
Quando se compara o comércio varejista ampliado com o mesmo período de 2022, destaque para o avanço de 9,2% no segmento de combustíveis e lubrificantes – o que pode ser um reflexo da mudança na política de preços para a venda de combustíveis pela Petrobras.
Na outra ponta, as vendas de veículos e motocicletas despencaram 16,7%, o que também justifica a recente política de incentivos estruturada pelo governo federal para a compra de veículos populares.

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