A trama urdida para derrubar o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, desencadeando as ações golpistas do dia 8 de janeiro, em Brasília, a cada dia ganha novos participantes graúdos em discussões e grupos defensores de uma intervenção antidemocrática.
O general Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) no governo de Jair Bolsonaro (PL), fez parte de um grupo de Whatsapp com cerca de 40 militares da ativa e da reserva no qual foram discutidas ações golpistas.
Conforme a repórter Juliana Dal Piva, do UOL, uma das possibilidades tratadas era a de uma intervenção do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), para impedir a posse de Lula.
Este grupo de Whatsapp, chamado “Notícias Brasil”, foi desfeito no dia 8 de janeiro, data dos ataques às sedes dos Três Poderes. O general da reserva Sérgio Etchegoyen, GSI no governo Michel Temer (MDB), estava no grupo.
Heleno negou qualquer participação em planos de intervenção militar e afirmou que não se recorda do grupo, ressaltando que participou e participa de vários onde as pessoas se manifestam das mais variadas formas.
Impeachment da Dilma
A existência do grupo foi revelada ao UOL pelo coronel aviador reformado Francisco Dellamora. O militar vê com naturalidade a existência do grupo. Tanto que na entrevista atacou o senador Rodrigo Pacheco, Lula e o STF.
Ele afirma que o grupo foi criado em 2016, durante o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, até hoje questionado quanto ao teor político anormal que eclipsou a ausência de necessidade de ele precisar acontecer por condutas indevidas da presidente.
Segundo Dellamora disse ao UOL, a base para uma intervenção e até um adiamento da posse de Lula seria o relatório das Forças Armadas sobre o sistema das urnas, apresentado em novembro de 2022.
No documento, a conclusão dos técnicos militares é ambígua: não se constatou fraudes, mas também não descartam a possibilidade de acontecer. Ou seja, quem quis acreditar em fraude eleitoral não foi totalmente desencorajado a isso.
“Nós não consideramos legal [a eleição]. Consideramos o STF [Supremo Tribunal Federal] na ilegalidade. O TSE [Superior Tribunal Eleitoral] na ilegalidade. E todos os dias eles praticam mais um ato de ilegalidade. Invadiram os escritórios do senador Marcos Do Val”, disse Dellamora para Dal Piva.
Tentativa de golpe
Nos precedentes do dia 8 de janeiro, conta o militar reformado, existia uma expectativa de greve ou da eclosão de um movimento que, na visão dele, permitisse o “uso da lei e da ordem”.
Esta é a referência a uma interpretação equivocada para o uso do artigo 142 da Constituição, muito falado pelos bolsonaristas após a derrota nas urnas, como um poder moderador pelas Forças Armadas, o que é falso.
Dellamora falou ao UOL que um brigadeiro, que era o administrador do grupo, encerrou o canal de troca de mensagens no mesmo dia 8 de janeiro. Dellamora não quis revelar para Dal Piva o nome do responsável pelo grupo.
“As pessoas que estavam na ativa, como ele [Heleno], não se pronunciavam [no grupo]. Inclusive, quase todo dia que eu escrevia alguma coisa e às vezes eu olhava para ver quem tinha lido. Teve um dia que ele leu três vezes, mas ele [Heleno] não se pronunciava”, disse Dellamora ao UOL.
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Fábio de Oliveira Ribeiro
20 de junho de 2023 2:14 pmTodos os caminhos do golpe de estado encenado em 08/01/2023 estão no celular de ajudante de ordens do ex-presidente da República. O relatório da PF compromete vários militares e o advogado Ives Gandra. Dizer que Jair Bolsonaro não sabia o que estava ocorrendo, que salvou a democracia ou que ele não comandava o show de horrores é apenas uma continuação do golpe por outros meios.
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AMBAR
20 de junho de 2023 2:53 pmNuma alegoria bem grosseira, podemos dizer que só conseguimos bons panos quentes numa lavanderia.
Nossas queridas e valorosas forças armadas sempre tiveram suas ações encobertas por grossos panos quentes e onde se esquentam panos também se lavam coisas. Se, por acaso fôssemos averiguar quem mandou esquentar os panos, encontraríamos também que pagou para lava-los. As perguntas cabíveis de sempre: “qui bono”? e as respostas possíveis: ” follow the money”
+almeida
20 de junho de 2023 3:58 pmTodo canalha traidor, acima de tudo é um grande covarde que não tem coragem de assumir seus crimes e as delinquências que fez, participou e apoiou.