4 de junho de 2026

Novas informações colocam general Augusto Heleno em grupo que tramou golpe

Heleno fez parte de um grupo de Whatsapp, desfeito no dia 8 de janeiro, com 40 militares, no qual foram discutidas ações golpistas
General Augusto Heleno, chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional). Foto: Reprodução

A trama urdida para derrubar o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, desencadeando as ações golpistas do dia 8 de janeiro, em Brasília, a cada dia ganha novos participantes graúdos em discussões e grupos defensores de uma intervenção antidemocrática. 

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

O general Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) no governo de Jair Bolsonaro (PL), fez parte de um grupo de Whatsapp com cerca de 40 militares da ativa e da reserva no qual foram discutidas ações golpistas.

Conforme a repórter Juliana Dal Piva, do UOL, uma das possibilidades tratadas era a de uma intervenção do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), para impedir a posse de Lula. 

Este grupo de Whatsapp, chamado “Notícias Brasil”, foi desfeito no dia 8 de janeiro, data dos ataques às sedes dos Três Poderes. O general da reserva Sérgio Etchegoyen, GSI no governo Michel Temer (MDB), estava no grupo. 

Heleno negou qualquer participação em planos de intervenção militar e afirmou que não se recorda do grupo, ressaltando que participou e participa de vários onde as pessoas se manifestam das mais variadas formas.  

Impeachment da Dilma 

A existência do grupo foi revelada ao UOL pelo coronel aviador reformado Francisco Dellamora. O militar vê com naturalidade a existência do grupo. Tanto que na entrevista atacou o senador Rodrigo Pacheco, Lula e o STF. 

Ele afirma que o grupo foi criado em 2016, durante o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, até hoje questionado quanto ao teor político anormal que eclipsou a ausência de necessidade de ele precisar acontecer por condutas indevidas da presidente.  

Segundo Dellamora disse ao UOL, a base para uma intervenção e até um adiamento da posse de Lula seria o relatório das Forças Armadas sobre o sistema das urnas, apresentado em novembro de 2022.

No documento, a conclusão dos técnicos militares é ambígua: não se constatou fraudes, mas também não descartam a possibilidade de acontecer. Ou seja, quem quis acreditar em fraude eleitoral não foi totalmente desencorajado a isso. 

“Nós não consideramos legal [a eleição]. Consideramos o STF [Supremo Tribunal Federal] na ilegalidade. O TSE [Superior Tribunal Eleitoral] na ilegalidade. E todos os dias eles praticam mais um ato de ilegalidade. Invadiram os escritórios do senador Marcos Do Val”, disse Dellamora para Dal Piva.

Tentativa de golpe 

Nos precedentes do dia 8 de janeiro, conta o militar reformado, existia uma expectativa de greve ou da eclosão de um movimento que, na visão dele, permitisse o “uso da lei e da ordem”.

Esta é a referência a uma interpretação equivocada para o uso do artigo 142 da Constituição, muito falado pelos bolsonaristas após a derrota nas urnas, como um poder moderador pelas Forças Armadas, o que é falso. 

Dellamora falou ao UOL que um brigadeiro, que era o administrador do grupo, encerrou o canal de troca de mensagens no mesmo dia 8 de janeiro. Dellamora não quis revelar para Dal Piva o nome do responsável pelo grupo.

“As pessoas que estavam na ativa, como ele [Heleno], não se pronunciavam [no grupo]. Inclusive, quase todo dia que eu escrevia alguma coisa e às vezes eu olhava para ver quem tinha lido. Teve um dia que ele leu três vezes, mas ele [Heleno] não se pronunciava”, disse Dellamora ao UOL.

LEIA MAIS:

Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    20 de junho de 2023 2:14 pm

    Todos os caminhos do golpe de estado encenado em 08/01/2023 estão no celular de ajudante de ordens do ex-presidente da República. O relatório da PF compromete vários militares e o advogado Ives Gandra. Dizer que Jair Bolsonaro não sabia o que estava ocorrendo, que salvou a democracia ou que ele não comandava o show de horrores é apenas uma continuação do golpe por outros meios.

    https://www.linkedin.com/posts/f%C3%A1bio-de-oliveira-ribeiro-272376155_relat%C3%B3rio-da-pf-activity-7076970013051527170-4PQ5?utm_source=share&utm_medium=member_android

  2. AMBAR

    20 de junho de 2023 2:53 pm

    Numa alegoria bem grosseira, podemos dizer que só conseguimos bons panos quentes numa lavanderia.
    Nossas queridas e valorosas forças armadas sempre tiveram suas ações encobertas por grossos panos quentes e onde se esquentam panos também se lavam coisas. Se, por acaso fôssemos averiguar quem mandou esquentar os panos, encontraríamos também que pagou para lava-los. As perguntas cabíveis de sempre: “qui bono”? e as respostas possíveis: ” follow the money”

  3. +almeida

    20 de junho de 2023 3:58 pm

    Todo canalha traidor, acima de tudo é um grande covarde que não tem coragem de assumir seus crimes e as delinquências que fez, participou e apoiou.

Recomendados para você

Recomendados