O Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retoma amanhã o julgamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) que analisa a inelegibilidade de Jair Bolsonaro e de Walter Braga Neto por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.
No primeiro dia, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Benedito Gonçalves, leu o relatório. Além dele, o representante do Partido Democrático Trabalhista (PDT) apresentou os argumentos da acusação e o advogado fez a defesa dos dois acusados.
No retorno, o voto do relator e os votos dos ministros Raul Araújo, Floriano de Azevedo Marques, André Ramos Tavares, Cármen Lúcia (vice-presidente do TSE), Nunes Marques e Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal.
Na primeira rodada deste julgamento, o ministro Benedito Gonçalves sinalizou a possibilidade de que, além da reunião com Embaixadores, poderão discutir outras ações correlatas.
E é aqui que os pesquisadores do Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP e FGV, contribuem para o debate, disponibilizando os 183 ataques que Bolsonaro realizou contra as urnas já mapeados, ao longo de quatro anos como presidente da República.
De acordo com o relatório disponibilizado, por 80 vezes o então presidente fez afirmações falsas do tipo “a urna eletrônica não é segura” ou, então, por 5 vezes afirmou que “a urna eletrônica não é auditável”. A lista de inverdades é longa.
A maioria desses ataques foram feitos entre julho e agosto de 2021, com 80 ataques, seguido do período de maio e junho de 2021, com 25 ataques. No período entre maio e agosto de 2021, o então presidente fez 105 ataques às urnas eletrônicas.
O pesquisador da FGV Ergon Cugler enviou algumas considerações importantes:
1. Os ataques de Bolsonaro contra as urnas eletrônicas coincidem com o timmingdas principais desinformações contra urnas eletrônicas que circularam no período (as investidas dele estimularam a crescente de desinformações, especialmente diante da proposta da PEC do Voto Impresso e suas lives no segundo semestre de 2021).
2. Além da coincidência temporal, há coincidência discursiva. Muitas das falas de Bolsonaro embasaram a narrativa das principais desinformações propagadas no período em alta circulação.
Leia a nota técnica enviada por Ergon Cugler a seguir.
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