O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, contou que o governo aposta na tríade reforma tributária, marco fiscal e plano de transição ecológica o projeto de reconstrução do País.
Haddad deu uma entrevista à jornalista Natuza Nery esta segunda-feira (10), e comentou que na última sexta (7), teve uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em que comentou que a pasta trabalhava em segredo para mapear oportunidades ecológicas como estratégia para reposicionar o Brasil na economia mundial.
A fim de atingir tal objetivo, o plano de transição ecológica terá 100 ações, que vão se desdobrar ao longo dos próximos quatro anos. A proposta contempla a adoção de políticas voltadas para o crédito de carbono e tem na reforma tributária com imposto seletivo uma forma de onerar as atividades prejudiciais ao meio ambiente.
O Ministério da Fazenda também mapeou oportunidades nas áreas de infraestrutura, energia limpa, investimentos estrangeiros para produzir produtos verdes, combate ao desmatamento, estímulo à energia eólica e solar, investimento em hidrogênio verde e biocombstiveis, além do marco regulatório da mineração.
As ações ainda serão validadas por Lula e não há estimativa do impacto causado pelo plano de transição ou qual será a quantidade de empregos gerados pela proposta.
Governo verde
Haddad conta que ele e o presidente, de quem é amigo há anos, estão alinhados, tanto é que o próprio Lula já tinha em mente priorizar ações ambientais antes mesmo da escolha dos ministros. Foi por isso que o presidente escolheu Marina Silva para chefiar a pasta.
“Lula me disse: ‘Olho nesta questão ambiental. Quero que a sua interação com a Marina seja a melhor possível no meu governo, porque acredito que esta agenda é a que vai mudar a cara do Brasil perante o mundo'”, compartilhou o ministro da Fazenda.
Apesar de ainda não ter as ações do plano de transição ecológica completas ou mesmo a estimativa do impacto que causará, Haddad garantiu que os ministérios diretamente envolvidos com as futuras políticas ambientais “já estão cientes do plano de voo”.
Empregos e nem-nem
Questionado sobre as políticas para geração de emprego e renda, o ministro afirmou que o primeiro desafio do governo está em recolocar o País na rota de crescimento. “Não podemos continuar crescendo 1% ao ano em média, que é o que acontece no Brasil há uma década. Década trágica na história brasileira. Foram 10 anos de baixíssimo crescimento, de 2013 a 2022. Foram 10 anos que vão marcar a nossa história e encejar muitas teses para saber o que de fato aconteceu”, comentou Haddad, desejando que a década “tenha ficado para trás”.
Para inserir jovens de 15 a 29 anos no mercado, que não estudam ou trabalham e são conhecidos como nem-nem, o ministro defende uma agenda para o Ministério da Educação, em que os estuantes que não têm a intenção de ingressar no ensino superior possam, pelo menos, obter uma qualificação antes de concluir o ensino médio.
“Tenho conversado muito com o Camilo Santana [ministro da Educação] que o Ministério da Fazenda está à disposição para retomar esta agenda, a agenda de dar no ensino médio uma educação que qualifique o jovem para a vida. via poliica, vida social e via no mundo do trabalho. sem essa revolução no ensino medio, nós vamos ter ainda muit tempo de dificuldade pela frente. está na mao fazer. temos vários instrumentos à disposição”.
Fernando Haddad, ministro da Fazenda
Economia
Haddad celebrou ainda a aprovação da reforma tributária na Câmara dos Deputados, que agora precisa do aval do Senado. Por isso, ele vai se encontrar nesta terça-feira (11) com Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para discutir o avanço do projeto de lei na Casa.
Além de estimar que a reforma tributária vai ter impacto entre 0,5% a 1% de crescimento por ano a mais do que a expectativa inicial do Executivo, já em 2024 será possível zerar o déficit fiscal.
“Vamos mandar a peça orçamentária e um conjunto de leis disciplinando algumas vitórias que tivemos nos tribunais e outras que nunca foram disciplinadas. Vamos mudar o orçamento com leis de ajuste fiscal, sobretudo cortes de gasto orçamentário”, explica o ministro.
Se o governo continuar contando com a ajuda do Legislativo e do Judiciário, será possível zerar o déficit. “Da minha perspectiva, se o Congresso continuar nos ajudando como está, se o Judiciário continunar nos ajudando como está, não é fazendo favor, é sendo céleres. ‘Julga isso aqui, que está errado. Congresso, resolve esse problema que está errado.’ Se nós continuarmos neste caminho, a gente zera”, conclui o ministro.
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