4 de junho de 2026

Tesouro atrasa repasses de pagamento de benefícios sociais para Caixa

 
Jornal GGN – A Caixa Econômica Federal está em uma disputa com o Tesouro Nacional devido ao pagamento dos benefícios sociais do governo. O banco estatal está fazendo os pagamentos mas tem recebido os repasses do Tesouro com meses de atraso. A diferença entre pagamentos e repasse superou R$ 1 bilhão em abril, e o caso tramita desde maio pela Câmara de Conciliação e Arbritragem da Administração Federal, da Advocacia-Geral da União (AGU).  
 
Segundo matéria da Folha de São Paulo, o principal problema está no seguro-desemprego, que teria tomado R$ 2 bilhões da Caixa entre julho de 2013 e julho deste ano. Ainda de acordo com a reportagem, o contrato assinado entre o banco e o Tesouro não estipula um limite de tempo ou valor em que a Caixa pode ficar no negativo.
 
Da Folha
 
 
Banco estatal trava disputa desde maio na AGU, para reduzir uso de seus recursos em repasses
 
Em abril, diferença entre pagamentos e repasse superou R$ 1 bi; contratos não preveem situação de ‘abuso’
 
JULIO WIZIACK
MARIANA CARNEIRO
 
A Caixa Econômica Federal está travando uma disputa com o Tesouro Nacional porque está pagando benefícios sociais do governo, como o seguro-desemprego e o Bolsa Família, mas só recebe os repasses correspondentes com muitos meses de atraso.

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O caso já está sendo analisado pela Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Federal, da Advocacia-Geral da União (AGU), onde tramita desde maio.
 
No centro dessa discussão, está um valor superior a R$ 1 bilhão que ficou contingenciado nos cofres do Tesouro em abril, em vez de ser repassado à Caixa para o pagamento de benefícios sociais.
 
Ainda segundo apurou a reportagem, o maior problema estaria no pagamento do seguro-desemprego. Entre julho de 2013 e julho deste ano, o benefício já teria tomado R$ 2 bilhões da Caixa.
 
O banco não confirma nem nega os números.
 
O CONTRATO
 
Cada ministério assina um contrato com a Caixa, que passa a ser o agente financeiro do pagamento dos benefícios. No início do governo de Dilma Rousseff, os ministérios pagavam à Caixa diretamente, após receber os repasses do Tesouro.
 
Em 2013, o Tesouro passou a intermediar e centralizar os pagamentos à Caixa.
 
Os saques dos benefícios ocorrem diariamente, mas os aportes do Tesouro não. Por isso, há meses em que o fluxo mensal ficou positivo e outros em que ficou negativo.
 
Essa situação está prevista nos contratos, mas não há uma cláusula que estipule um limite de tempo ou valor em que a Caixa pode ficar no negativo. Também não está previsto o pagamento de juros para esses casos.
 
Na prática, portanto, funciona como se a Caixa estivesse financiando o Tesouro.
 
Desde julho de 2013, a Caixa considera que está sendo prejudicada, já que, desde então, a conta mensal dos repasses do Tesouro fica mais negativa que positiva.
 
Neste ano, a situação se agravou, chegando ao pico em abril, com a conta a descoberto em mais de R$ 1 bilhão.
 
Se estivesse no caixa do banco, esse dinheiro poderia girar o motor do crédito, que já responde pela metade das receitas da instituição.
 
INVISÍVEL
 
Essa realidade “dia a dia” não aparece na contabilidade da Caixa, porque o Tesouro zera a conta antes do fechamento dos balanços.
 
O presidente da Caixa, Jorge Hereda, já vinha mantendo conversas com o Tesouro desde o ano passado para tentar resolver a situação.
 
Sem sucesso, a discussão foi parar na AGU. A Folha apurou que o banco tenta rever os contratos ou obter compensação por antecipar os pagamentos do Tesouro.
 
Por meio de sua assessoria, a Caixa admite que está discutindo o caso na AGU, mas, oficialmente, nega pedir a revisão dos contratos. Afirma que a conciliação é só para “dirimir dúvidas”.
 
Ao represar os recursos destinados aos programas sociais, o Tesouro entra em uma espécie de “cheque especial” na Caixa.
 
Ou seja, cumpre os pagamentos obrigatórios e atrasa os desembolsos, ganhando tempo para chegar à meta de superavit primário (economia para o pagamento dos juros da dívida).
 
O governo se comprometeu em economizar o equivalente a 1,9% do PIB neste ano.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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4 Comentários
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  1. Athos

    13 de agosto de 2014 5:57 pm

    E a CEF segura o pgato das

    E a CEF segura o pgato das incorporadoras, manda fiscal medir menos…

     

    Obras param, empresas quebram, empreendimentos bons, dão errado….gente perde o emprego.

     

    Uma maravilha.

    Veja só, a CEF teve que jogar no ventilador… Porque será?

  2. pois é

    13 de agosto de 2014 6:12 pm

    Banco estatal existe mesmo é

    Banco estatal existe mesmo é para essas coisas e não para ter lucro.

  3. Sérgio Lamarca

    13 de agosto de 2014 6:35 pm

    Incompetência

    É muita incompetência ou mais uma “arte cênica” deste diretor “inventivo” do Tesouro Nacional.

  4. Caetano.

    13 de agosto de 2014 7:00 pm

    Outro exemplo da

    Outro exemplo da “criatividade” governamental para fechar as contas… Se a presidente não demite essa gente, ela mesma deveria renunciar ao cargo!

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