5 de junho de 2026

Caçadores eleitorais, por Janio de Freitas

Jornal GGN – Em sua coluna no jornal Folha de São Paulo, Janio de Freitas argumenta que há sinais de que a campanha presidencial será “grosseira e de escassíssima inteligência”. Para ele, as eleições mostram que o país é “politicamente primitivo”. Ele relembra as campanhas anteriores e diz que não é surpresa o ressurgimento do gênero “eu tenho medo”, largamente utilizado em outras eleições presidenciais. Leia a coluna abaixo:
 
Da Folha
 
 
A eleição presidencial como um processo de apelações ficou vinculada à democracia brasileira
 
Janio de Freitas
 
Os sinais, em momento tão inicial da disputa, sugerem mais uma campanha grosseira, de escassíssima inteligência, acafajestada mesmo, não por um lugar de vereador em sertão de jagunços, mas pela Presidência da República. As eleições tanto situam o Brasil como uma democracia política quanto o caracterizam como um país politicamente primitivo: ainda no nível zero em cultura política.
 
A primeira campanha presidencial no pós-ditadura parecia acidental. Os métodos do bando que circundou o falso “caçador de marajás” não podiam ser o que o Brasil tinha a mostrar, eleitoralmente, depois do regime dos retardados políticos e culturais. A intimidação, a violência, a corrupção escancarada entre o poder econômico e o bando do “caçador” compuseram, porém, o modo de buscar a preservação das condições econômicas e sociais. Modo por fim consagrado com ordinarices policiais e televisivas.

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Não mais se chegou a tanto. Mas a eleição presidencial como um processo de deformações e apelações grosseiras ficou vinculada à democracia política à brasileira. Na segunda eleição presidencial pós-ditadura, as exacerbações petistas foram o falso pretexto para a retirada da igualdade de condições entre os candidatos, com a aberração do favorecimento ao preferido pelo que muitos chamam de poder midiático. Força transplantada para a terceira disputa eleitoral, a da primeira reeleição, e mantida nas seguintes com a artilharia das acusações e do clima “eu estou com medo”.
 
Lideranças na Câmara e no Senado agem, neste princípio de campanha, como pequenos discípulos do “caçador de marajás”: para tudo têm ferozes acusações de crime e ações judiciais prontas. Na hora de ir para a CPI, com a oportunidade de fazer interrogatórios substantivos sobre ocorrências na Petrobras, nenhum é visto. Estão em inventado recesso, não como caçadores, mas como marajás do Congresso.
 
Não surpreende, nesse gênero de campanha, o constatado ressurgimento do sórdido gênero “eu tenho medo”. Com o qual a campanha pró-Aécio, na internet, associa Eduardo Campos à ameaça, em caso de vitória sua, de socialização dos bens particulares.
 
Como começo da eleição presidencial à brasileira, não poderia ser mais sugestivo.
 
SELETIVOS
 
O noticiário sobre os negócios e ligações do doleiro Alberto Youssef refere-se, com frequência, a R$ 10 bilhões que ele teria movimentado em operações de lavagem de dinheiro e remessas para contas sigilosas no exterior. Com o interesse eleitoreiro de fixar o caso nas relações entre Youssef e pessoas que possam comprometer a Petrobras e o governo Dilma, os bilhões pairam no noticiário como almas penadas. A própria Polícia Federal não lhes dá um sentido.
 
É o que não falta, porém. As remessas por meio de doleiro, para depósito em contas sigilosas no exterior, são a mais usada cobertura de corrupção paga a representantes de governo por empreiteiras de obras públicas e grandes fornecedores.
 
As relações de Youssef nesses setores são notórias. Se as suas ligações com gente da Petrobras e do Congresso são levantadas e noticiadas, seria razoável ver o mesmo com nomes de empreiteiras e de seus dirigentes que motivaram o movimento dos tais bilhões, ou de um punhado deles.
 
É curioso como tudo se desencaminha quando chega às empreiteiras.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
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  1. Luiz Antonio Antunes Machado

    12 de agosto de 2014 6:30 pm

    Só empreiteiras ?

    Só empreiteiras, Jânio ? Só interessa ficar na superfície também porque se forem fundo vão descobrir nomes que querem blindar. Diz a lenda que algumas notórias e veteranas  aves estão metidas até o pescoço ( ou bico longo, sei lá) em negócios polpudos de empreiteiras em cidades de um estado do Sul do país. E aí ? Vamos fundo ?

    1. sergio m pinto

      12 de agosto de 2014 11:03 pm

      Tem a ver com uma

      Tem a ver com uma investigação que sumiu do mapa, chamada de “castelo de areia”? Acho que entrou areia nessa investigação.

  2. josé adailton

    12 de agosto de 2014 8:17 pm

    Diferenciado

    Para o FT pode até relampejar e trovejar que o barco não perde  o rumo. 

    http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/08/1499178-blog-do-ft-compara-economia-brasileira-com-danca-da-cordinha.shtml

    “… o blog afirma ainda que os eleitores não parecem incomodados com o mau desempenho da economia do país, já que a presidente Dilma Rousseff tem chances de ser reeleita em primeiro turno…”

  3. altamiro souza

    13 de agosto de 2014 3:34 am

    dar confiança para os

    dar confiança para os provocadores é o mesmo que dar milho pra bode.

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