4 de junho de 2026

O que a visita de Henry Kissinger à China sinaliza ao xadrez global

"A política dos EUA em relação à China precisa de sabedoria diplomática de Kissinger e de coragem política ao estilo de Nixon", diz Wang Yi
Nos Estados Unidos, a visita de Kissinger é vista como um esforço do governo chinês de influenciar o pensamento americano. Foto: Huang Jingwen/Xinhua

Tratado como “um velho amigo” pelo presidente da China, Xi Jinping, o ex-secretário de Estado americano, Henry Kissinger, foi recebido nesta quinta-feira (20) de maneira afetiva e com honras pelo governo chinês, que sinaliza: a busca do país é por cooperação sem permitir que a contenham. 

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A visita, no entanto, não tratou apenas do passado que Kissinger tem com a China, sendo o articulador da aproximação com os Estados Unidos, na década de 1970, quando os países eram governados por Richard Nixon e Mao Tsé-tung.

Em solo chinês, onde esteve nos últimos três dias, Kissinger, que recentemente completou 100 anos, afirmou que “nem os EUA e nem a China podem arcar com o preço de tratarem o outro como inimigos”. 

Sua visita, com toda a pompa de chefe de estado, aparenta ser a mais nova tentativa chinesa de aproximação com Washington sem a intermediação do governo de Joe Biden, cujos representantes vêm sendo recebidos pelos chineses mesmo com as relações conflituosas

Nos Estados Unidos, a visita de Kissinger é vista como um esforço do governo chinês de influenciar o pensamento americano sobre o país fora da burocracia estatal num momento de tensões diplomáticas entre as duas nações. 

Ocorre que nesta quinta, o ex-secretário foi recebido por Xi na residência de Diaoyutai, o mesmo edifício que ocupou em 1971. A televisão estatal chinesa o tratou como “diplomata lendário”. 

Mudança e paz mundial

Xi declarou a Kissinger: “o povo chinês valoriza a amizade. Nunca vamos esquecer nosso velho amigo e sua contribuição histórica para a promoção do desenvolvimento das relações entre China e Estados Unidos”. 

De acordo com a imprensa estatal, o presidente chinês completou que “isto não beneficiou apenas os dois países, mas também mudou o mundo”. 

Kissinger viajou de maneira secreta a Pequim em julho de 1971 para preparar o até então impensável estabelecimento de relações diplomáticas entre Washington e a China, além de planejar uma visita de Nixon em 1972. 

“A política dos Estados Unidos em relação à China precisa de uma sabedoria diplomática ao estilo de Kissinger e de uma coragem política ao estilo de Nixon”, disse o diretor do Comitê Central do Partido Comunista Chinês para as Relações Exteriores, Wang Yi, depois de encontro com Kissinger. 

Vozes cada vez mais raras

A atual viagem não foi secreta, mas simetrias podem ser observadas. “As relações entre nossos países serão centrais para a paz no mundo e para o progresso de nossas sociedades”, disse Kissinger durante o encontro com Xi. 

Pequim, ao não encontrar eco entre democratas e republicanos, tem apostado na recepção de líderes empresariais como Bill Gates e Elon Musk para destacar o relacionamento econômico de longa data e os perigos de desembaraçar as cadeias globais de suprimentos. 

Ouvido pelo The New York Times, Zhu Feng, professor de relações internacionais da Universidade de Nanjing, afirmou que a visita de Kissinger aponta para “a ansiedade de Pequim sobre como influenciar e persuadir as elites políticas americanas a reduzir sua repressão estratégica à China”, em um momento em que vozes como a dele “são cada vez mais raras em Washington”. 

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. José de Almeida Bispo

    20 de julho de 2023 8:26 pm

    Sim, muito bem; mas não dá, nem para os chineses acreditarem que os ianques cumprirão acordos futuramente, já que originalmente de tribos predatórias desde a Europa Ocidental da Era do Bronze, que os europeus (Os povos do mar) afundaram, e fiéis seguidores do modelo, desde que chegaram em solo americano; nem também o mundo além dos dois vai estar a fim de perecer para que China e Estados Unidos o divida pra si.

  2. josé Oliveira de Araújo

    21 de julho de 2023 8:45 am

    Oa EUA, são uma super potência bélica em declínio e a história nos ensina, que a tendência dos impérios decadentes, é usar a força para evitar a queda de sua supremacia. O GRANDE PERIGO é o uso de armas atômicas no conflito, cuja consequência seja o aniquilamento da humanidade. No quadro atual, Os EUA buscam o cnflito, à China interessa a paz, pois sem guerra, dentro de alguns anos, ela ultrapassará os EUA.

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