Um dos principais articuladores do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, durante esta semana, transformou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do MST, na Câmara Federal, em uma aula magna sobre o movimento e a reforma agrária.
Ao contrário do que esperava o relator da CPI, o deputado federal Ricardo Salles (PL), ex-ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, a ida de Stédile à comissão reforçou a importância do MST para o país e não confirmou acusações como “crimes de invasão” ou “implementação do comunismo”.
Stédile mostrou a importância das ações de ocupação e sua legalidade, a centralidade da reforma agrária para o país, as relações entre agricultura, economia e sociedade, além de denunciar, com dados e fatos, as relações perigosas do agronegócio com a violência no campo, crescimento limitado do país, a insegurança alimentar, a depredação ambiental e o uso desmedido de agrotóxicos.
O podcast “Los Nadies”, conduzido pela presidenta do grupo TeleSUR, Patricia Villegas, recebeu o economista fundador do MST na década de 1990. A liderança aprofundou a análise levada à CPI: a América Latina passa por uma crise do capitalismo.
Para Stédile, diante da crise, a burguesia busca proteger seus privilégios de uma maneira feroz. Ele lembrou que essas forças do capital desferiram quatro golpes antidemocráticos contra o povo e os movimentos progressistas no Brasil nos últimos seis anos.
Capitão maluco
Listou o impeachment da presidente Dilma Rousseff sem motivo, a instalação de um governo fantoche com Michel Temer, a prisão do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a “imposição de um regime fascista de um capitão maluco chamado (Jair) Bolsonaro”.
“Os capitalistas, em tempos de crise, continuam a se apropriarem de terras públicas, terras indígenas, porque estão interessados em privatizar os bens da natureza, e acumulam, não produzindo alimentos, mas apropriando-se privadamente dos bens da natureza, que é a luta de classes”, afirmou.
Tal como explicou durante a CPI, o movimento dos sem-terra é um perigo porque “seríamos a ameaça permanente de impedi-los (o capitalismo) de continuar com esses crimes e confiscar privadamente os bens comuns, queimar a floresta e usar todos os crimes ambientais desequilíbrio”, disse.
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