10 de junho de 2026

Guatemala: protestos exigem manutenção do resultado das eleições de agosto

Vencida por Bernardo Arévalos, do partido Semilla, eleições estão ameaçadas por acusações de fraude do Ministério Público contra o Semilla
Na capital departamental de Totonicapán, o movimento 48 Cantões de Totonicapán chegou à sede do MP local para manifestar o seu repúdio às ações lideradas por Porras. Foto: 48 Cantones Oficial

Protestos espalhados por todo o país acontecem desde as primeiras horas desta segunda-feira (4) na Guatemala exigindo a manutenção do resultado da eleição de agosto, vencida por Bernardo Arévalos, do partido Semilla, e que deve tomar posse no dia 14 de janeiro de 2024; caso contrário, será um golpe. 

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As manifestações, incluindo na capital, a Cidade da Guatemala, ocorreram em frente às sedes do Ministério Público (MP) para exigir a renúncia da procuradora-geral Consuelo Porras e do chefe da Feci (Procuradoria Especial Contra a Impunidade), Rafael Curruchiche.  

Desde antes do primeiro turno das eleições, Porras e Curruchiche tentam invalidar na Justiça Federal a candidatura de Arévalos por suposta falsificação de assinaturas de cidadãos para o processo de habilitação do partido Semillas perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Para a população que saiu às ruas nesta segunda, o MP e o chefe da Feci estão tentando desestabilizar a democracia do país pela perseguição judicial contra o Movimento Semente, o Semilla. Afirmam os manifestantes que toda esta persecução penal visa quebrar a ordem constitucional.

O governo brasileiro pediu na sexta-feira (01) às autoridades da Guatemala que respeitem os resultados das eleições vencidas por Arévalos e que garantam uma transição pacífica.

Em declaração divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Brasil expressou preocupação com a situação política na Guatemala, após o anúncio da suspensão provisória da personalidade jurídica do Semilla, partido de Arévalo.

Judicialização excessiva

O país da América Central tem estado sob o olhar da comunidade internacional pela “judicialização excessiva”, como descreveu a Organização dos Estados Americanos (OEA) após o primeiro turno das eleições, em 25 de junho.

Os manifestantes exigem também a renúncia de Porras e Curruchiche, mas também do juiz Fredy Orellana, que, em 12 de julho, na 7ª Vara de Instância Penal, ordenou a suspensão da pessoa jurídica do Semilla, o que segundo eles desencadeou a crise política no país.

Na capital departamental de Totonicapán, o movimento 48 Cantões de Totonicapán, na companhia de vários cidadãos, chegou à sede do MP local para manifestar o seu repúdio às ações lideradas por Porras.

Atos por todo o país

Os 48 de Totonicapán também informaram que ocorreram atos semelhantes em Chichicastenango, Quiché; Nebaj; Quiche; departamento de Jalapa e San Cristóbal Totonicapán.

Luis Pacheco, presidente dos 48 de Totonicapán, disse ao jornal Prensa Libre que os protestos são em defesa da democracia, porque estão cansados ​​de que o juiz Orellana tome resoluções que vão contra a vontade do povo.

“Já estamos fartos, instauramos processos judiciais, fizemos declarações diversas e, mesmo assim, não somos ouvidos”, disse Pacheco. Ele disse aos promotores Porras, Curruchiche e Orellana para terem um pouco de dignidade e respeitarem o povo.

Ataque contra a democracia

Os manifestantes salientam que Porras, Curruchiche e Orellana não cumpriram o juramento de fidelidade à Constituição Política da República da Guatemala e que perderam o princípio da objetividade no exercício das suas funções.

Acreditam ainda que os três são manipulados por grupos corruptos que querem desestabilizar a democracia, impedir a alternância no poder, anular a vontade popular que elegeu Bernardo Arévalo como presidente e Karin Herrera como vice-presidente.

A Prefeitura Indígena de São Francisco Quetzaltepeque, Chiquimula, no leste do país centro-americano, apelou “ao povo que defenda a democracia e rejeite o golpe e o desrespeito pela decisão popular nas urnas”.

Outros protestos

Também foi marcada uma caminhada e manifestação para esta segunda na cidade de Chichicastenango, centro do país, convocada pelas Comunidades Indígenas Aliadas, em frente aos escritórios do MP e do Juiz de Paz.

Organizações sociais de Huehuetenango (oeste) convocaram atos para esta segunda, mas também para esta terça (5) e quarta (6) com manifestações pacíficas em frente à Procuradoria-Geral da República para exigir o respeito à soberania, ao Estado de direito e à democracia.

A Assembleia dos Povos do Litoral Sul de Escuintla, que através de um comunicado repudiou o que classificou como um “pacto corrupto”, em referência aos operadores políticos e de justiça que criminalizam o Semilla, mas também outras organizações partidárias e líderes sociais e jornalistas.

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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