Por Juliana Sada, do Centro de Referências em Educação Integral
“Era uma vez um burro e seu dono. Um dia, enquanto andava, o burro caiu num poço. Apesar de não ter se machucado, não conseguia sair. Seu dono avaliou que o animal já estava velho e não valia o esforço de ser retirado, então decidiu enterrar o burro e já tapar o buraco. Ele começou a encher o poço de terra e assim foi continuando, apesar dos gritos do animal. Em algum momento, o burro se calou e o homem presumiu que ele havia morrido. No entanto, aos poucos, o animal foi sacudindo a terra que, ao cair, ia se acumulando, servindo de apoio para a sua saída.”
A fábula foi contada por um professor de matemática aos seus alunos no México. A Escola Primária José Urbina Lopez fica ao lado de um depósito de lixo, na cidade de Matamoros na fronteira com os Estados Unidos. Com quase meio milhão de habitantes, o município sofre com a intensa violência decorrente do tráfico de drogas. “Nós somos como este burro. Tudo que é jogado em nós é uma oportunidade para sair do poço em que estamos”, afirmou o educador, convidando seus estudantes ao debate.

Naquele dia mesmo, o professor Sergio Juárez Correa havia se deparado com mais um episódio da vulnerabilidade que seus alunos convivem. Para contar a fábula, o professor havia selecionado um vídeo, mas ao tentar exibi-lo, percebeu que haviam roubado o cabo elétrico do projeto, provavelmente para vender o cobre.
O panorama de pobreza, carência e vulnerabilidade pode levar a crer que nada de positivo pode vir de um lugar como este. No entanto, a imagem não poderia estar mais errada. Foi exatamente na Escola Primária José Urbina Lopez que garotas e garotos surpreenderam o país.
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