Um elefante incomoda muita gente
por Francisco Celso Calmon
Um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito mais (canção infantil).
Uma semana de revelações, de efemérides e auspícios marcantes, para ficar na história e potencializar um ciclo virtuoso adiante.
Do passo trôpego do Lula quanto a transparência dos votos dos ministros do STF à confraternização do meu aniversário, ambos no dia 05.
Da decisão do Ministro Dias Toffoli, 06, inutilizando as provas do lavajatismo, aos sofismas do ministro da Defesa.
Da parada cívico-militar do sete de setembro ao comportamento da primeira-dama Janja.
Felizmente um presidente não pode tudo.
O que leva às agressões aos ministros do STF não tem por causa a transparência, princípio constitucional da Administração Pública, mas à incivilidade fomentada pelo bolsonarismo.
Afora isso, as escolhas para o Judiciário pelos governos Lula, Dilma, Lula, em 90% foram erradas. Sem as quais, nem mensalão, nem lavajatismo, nem 580 dias de prisão, nem impeachment, nem bolsonarismo, teriam existidos.
A defesa de uma tese, num timing que pareceu fora de contexto e justificativa, de viés, talvez, oportunista. Ou seja: à guisa de defender a sua indicação do Zanin para o STF, escorregou numa tese reacionária.
O debate pode até vir a ser bom, mas, pareceu oportunismo em função das críticas a Zanin pelos seus votos iniciais e à escolha do presidente pelo critério de gratidão.
(A verdade é que ninguém sabe o passado do cidadão Zanin, não passou pelo RH).
A transparência permite a sociedade saber como votam os ministros do Judiciário e o ministro saber que será visto pela opinião pública.
Vem sendo um processo formativo e pedagógico à sociedade, inobstante o estrelismo de alguns ministros e a exploração da mídia corporativa, consoante aos seus interesses político-ideológicos.
Felizmente só os puxa-sacos a defenderam de pronto.
Tantas arbitrariedades e irregularidades ante ao devido processo legal, o STF demorou muito tempo para se libertar da república dos meliantes de Curitiba e dos três êmes (mídia, militares, mercado) para anular todos os processos contra Lula, cujo erro principal foi o da parcialidade do ex-juiz Moro e dos conluios entre juiz e promotores.
Prosseguindo nessa marcha autocrítica, o Ministro Dias Toffoli, num longo arrazoado, invalidou tecnicamente as provas. Na decisão, o ministro afirmou que as provas foram obtidas às margens da lei, não apenas as referentes ao Lula, mas também em todos os casos baseados nesses elementos.
“Tratou-se de uma armação fruto de um projeto de poder de determinados agentes públicos em seu objetivo de conquista do Estado por meios aparentemente legais, mas com métodos e ações contra [a lei]”, qualificou aplicando a sociologia jurídica.
“Graças aos militares nós não tivemos um golpe. Como é um golpe de Estado? As Forças vão na frente, o povo vem atrás apoiando. Aqui era muito fácil: o povo foi na frente. Os militares poderiam dizer que estavam acompanhando o que o povo queria…”
Haja sofismas!
Primeiro, nem a história e nem as teorias políticas comprovam a rasa assertiva do Ministro da Defesa sobre como é o roteiro de um golpe.
O vandalismo às sedes dos três poderes foi o primeiro passo para concretizar o plano do golpe, e o objetivo era gerar o caos e a comoção da sociedade, como ingredientes para justificar e angariar apoio para a etapa seguinte.
O segundo passo seria, então, acionar a GLO, proposta pelo Ministro Múcio ao presidente.
A Garantia de Lei e da Ordem se posta em prática, o poder estaria entregue às FFAA, sem gastar munição.
Foi aí que o plano golpista falhou!
O presidente alertado do risco imanente, não aceitou e salvou o Brasil de mais um golpe.
Quem alertou ao Lula, quem se contrapôs à proposta do Ministro da Defesa, ainda não veio totalmente à lume, mas virá!
Nós precisamos nos libertar dessa suspeição,declarou o Múcio e prosseguiu:
“E nós – vou falar como se fosse Forças Armadas – vamos tomar as nossas providências, porque nós precisamos nos libertar dessa suspeição. Eu quero sair do patamar de suspeito para o patamar de parceiro. Eu quero ajudar este governo.”
Vejam o primor revelador desse enunciado.
Ele não faz parte, ele se coloca numa posição de poder paralelo, que deseja ser parceiro do governo.
A Globo News é a fofoqueira e fomentadora da discórdia. Quanto mais voz der ao Ministro da Defesa (não estamos em guerra), significa colocar os militares na política.
Múcio não é ministro do governo junto às três armas, pois até o pronome e o tempo do verbo evidenciam que é representante dos militares no governo. Só não percebe quem, além de desconhecer a linguística, está com antolhos na política.
Se libertar dessa alegada suspeição, senhor ministro, bastará as Forças pedirem desculpas à nação por todos os golpes já protagonizados.
Já alertei em artigos anteriores: Múcio é quinta-coluna.
Algum operador do direito, algum cidadão, enfim, qualquer brasileiro, amante da justiça, defende a prisão e encarceramento por 580 dias do Lula, se nem condenado em última instância havia sido?
Tantas arbitrariedades e irregularidades ante ao devido processo legal, que o STJ demorou muito tempo para se libertar da república dos meliantes de Curitiba e dos três êmes (mídia, militares, mercado) para anular todos os processos contra Lula, cujos erros vão da ausência de provas à parcialidade do ex-juiz Moro e dos conluios entre ele e os promotores.
A efeméride do sete de setembro de 1822 marca a independência política do Brasil, a constituição do regime imperial e o início de sua dependência econômica.
Não foram os militares que levaram o país à independência no dia 7 de setembro de 1822, por que, então, eles são maioria nos desfiles?
O sete de setembro é do povo, e, nas paradas, quem em maioria deveria estar, seriam os estudantes, os atletas, que bem representam o Brasil no exterior, e, por fim, os militares.
A parada cívico-militar deste ano, 2023, foi bem no estilo lulista de paz e amor, na intenção.
Ministros e militares se confraternizando e, através de um gesto de mãos entrelaçadas, Lula passou a imagem da unidade pátria.
Entretanto, seu semblante não passava conforto e alegria.
Os chefes militares e o Ministro da Defesa estavam no seu habitat.
A mudança ministerial foi anunciada.
Lula trocou quem lhes proporcionou à vitória por aqueles que, supostamente, vão proporcionar governabilidade. Resta ver.
Na eleição municipal, essas trocas poderão mostrar se deram os resultados desejados.
A Janja incomoda muita gente, gregos e troianos, a maioria pela sua postura independente, inconvencional e hiperativa.
Sua alegria, estampada em seu sorriso, incomoda ainda mais.
É uma esposa que é parceira de cama, mesa e de gestão do governo de seu marido.
Coisas menores, como cor de vestido, não deveriam ocupar espaço para fofocas, mas, o que fazer com a mídia que temos?
O que a política tem que pautar – Congresso e sociedade, é qual é a função da ou do consorte?
Nas próximas eleições gerais, os candidatos ao Executivo, deverão apresentar a sua ou o seu cônjuge, e este ou esta declinarem como partilharão a vida comum no exercício do governo. Debate essencial, haja vista as primeiras-damas recentes.
Não deve ser desconhecida para o eleitor de como será a participação do(a) consorte (primeira-dama, ou primeiro-cavalheiro).
Mesmo assim, ainda é pouco, pois pode haver surpresas.
Para que não ocorra, o cargo ou a função ou a posição, deveria ter algumas regras.
Ah, quanto à confraternização do meu niver foi top. Fui agraciado com as presenças dos que vieram de longe, como a da Denise Tatin, de Passo Fundo, de Eugênio Aragão, de Brasília, de Antônio Carlos Calmon, do Rio, e os convivas do ES.
Comemorei mais um ano de experiência e menos um de vida.
Dá um certo friozinho quanto ao prazo de validade, que não está escrito no nosso DNA, ou está?
Como geração 68, nosso sonho não acabou, nossa luta continua.
Francisco Celso Calmon, analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.
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