4 de junho de 2026

Terreiro histórico de candomblé em SP sofre reintegração de posse, por Leci Brandão

Terreiro existe desde 1966, ou seja, são quase 60 anos de Axé, um legado imenso e maravilhoso da Yalorixá Mãe Caçulinha D’Oxum

no Instagram da deputada Leci Brandão

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Neste momento, um terreiro de candomblé histórico, um território sagrado, está sofrendo uma reintegração de posse. O barracão que será provavelmente vendido pela família carnal da sacerdotisa é nada menos que o Abassá Oxum Oxossi, templo de matriz africana que fica no bairro de Cangaíba, em São Paulo. Ele existe desde 1966, ou seja, são quase 60 anos de Axé, um legado imenso e maravilhoso da Yalorixá Mãe Caçulinha D’Oxum, liderança nacionalmente reconhecida que fez sua passagem em 2016.

Unindo-nos ao esforço sempre coletivo de proteger o terreiro, nós propusemos o Projeto de Lei 771/2023, que pede o reconhecimento do espaço enquanto patrimônio histórico material e imaterial. Aliás, uma proposta que, como outras de natureza parecida, vem encontrando obstáculos na sua tramitação por conta do conservadorismo que cada vez mais toma conta da Assembleia de SP.

Recentemente, nós fizemos a seguinte reflexão em entrevista sobre o assunto: “a Casa de Mãe Caçulinha sempre foi um patrimônio e é uma das grandes referências para os povos tradicionais de terreiro do estado de São Paulo. Por isso, consideramos que esse assunto não pode ser tratado apenas na esfera jurídico-institucional, porque, se assim for, o risco da comunidade religiosa enfrentar o racismo institucional, não apenas por parte do Judiciário e das instituições de um modo geral, mas também da relação que a família carnal tem com as religiões de matriz africana”.

Infelizmente, é o que se passa hoje. A Justiça brasileira ainda não reconhece como deveria a importância destes espaços enquanto territórios de valor cultural, religioso, histórico, comunitário e ancestral. O resultado são atos como este, que expressam sim o racismo institucional a que os terreiros estão submetidos.

Minha solidariedade aos filhos e filhas da Casa. A vocês, peço a benção. Continuamos aqui na luta pela defesa de nossa ancestralidade. Sem esmorecer, vamos juntos conquistar este reconhecimento!”

Redação

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