10 de junho de 2026

Pentágono envia general para “aconselhar” Israel sobre guerra urbana, diz NYT

James Glynn liderou anteriormente operações especiais dos EUA encarregadas de combater o Estado Islâmico e esteve na guerra do Iraque
Soldados israelenses se reúnem perto da barreira com a Faixa de Gaza em 16 de agosto [Menahem Kahana / AFP]

Em reportagem publicada nesta segunda-feira (23) pelo jornal The New York Times, o Pentágono teria enviado o tenente-general da Marinha James Glynn, de três estrelas, para aconselhar as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) em operações urbanas diante da possibilidade de um ataque por terra à Faixa Gaza, na Palestina. 

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O oficial liderou anteriormente operadores especiais dos EUA encarregados de combater o Estado Islâmico (EI, antigo ISIS), e antes disso serviu em Fallujah, no Iraque, durante alguns dos mais violentos combates de casa em casa após a invasão dos EUA em 2003.

Embora a Casa Branca tenha sustentado que as autoridades americanas não estão tomando decisões em nome de Israel, Glynn supostamente irá aconselhar, diz o The New York Times, as forças israelenses sobre “como mitigar as baixas civis na guerra urbana”, sendo que esta informação o jornal afirma que também foi apurada pela Associated Press, que citou um oficial americano como fonte. 

No entanto, o coordenador do Conselho de Segurança Nacional, John Kirby, disse aos repórteres nesta segunda que os conselheiros americanos não servirão em funções de combate e apenas consultarão os comandantes israelenses.

Enquanto isso, outro funcionário não identificado disse ao New York Times que Glynn não permaneceria no terreno em Israel caso uma invasão terrestre começasse.

Preocupação com plano viável 

Autoridades dos Estados Unidos (EUA) expressaram preocupação com a percepção de que Israel não tem um plano viável para enviar forças terrestres para Gaza e questionam se as forças de defesa conseguirão atingir seu objetivo de aniquilar o grupo militante Hamas. 

Em discussões recentes com o seu homólogo israelita, Yoav Gallant, o secretário da Defesa dos EUA, Lloyd Austin, enfatizou a necessidade de “consideração cuidadosa” antes de lançar uma campanha terrestre no território densamente povoado, informou o New York Times.

“A administração está preocupada que as Forças de Defesa de Israel ainda não tenham um caminho militar claro para alcançar o objetivo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de erradicar o Hamas”, apurou a reportagem do The New York Times. 

Conforme a publicação, em conversas com autoridades israelenses desde os ataques do Hamas do último dia 7 de outubro, as autoridades americanas disseram que ainda não viram um plano de ação viável.

Durante uma chamada com Gallant ainda nesta segunda, o secretário da Defesa Austin enfatizou “a importância da proteção civil” e “encorajou” os militares israelitas a “conduzirem as suas operações de acordo com a lei da guerra”.

As FDI e os direitos humanos 

As FDI já foram atacadas por alguns grupos de direitos humanos por ataques a estruturas civis em Gaza, que deixaram pelo menos 5 mil palestinos mortos e milhares de feridos, segundo autoridades locais. Cerca de 1.400 pessoas foram mortas em Israel desde que eclodiu a última ronda de hostilidades, em 7 de outubro, quando o Hamas lançou um dos seus maiores ataques terroristas.

Centenas de milhares de residentes em Gaza foram deslocados no meio da violência, muitos deles necessitando urgentemente de ajuda, o que suscitou também avisos de um desastre humanitário iminente por parte das Nações Unidas e de outras organizações.

Com informações do The New York Times, Associated Press e Agência RT

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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