Por Cristian Lindberg
Comentário ao post “O fator Eduardo Campos-Marina Silva“
As últimas pesquisas eleitorais – DataFolha, CNT, VoxPopulis – apontam para a estagnação dos três principais candidatos à Presidência da República. As oscilações ocorridas estão dentro da margem de erro.
Contudo, a medida em que o cenário vai se materializando e as coligações sendo formadas, o quadro sucessório tende à polarização entre os candidatos Dilma Roussef (PT) e Aécio Neves (PSDB), por mais que haja três postulantes que liderando as pesquisas.
O terceiro postulante, Eduardo Campos (PSB), vive uma crise quase existencial. Nos dois principais Estados do país (RJ e SP) o PSB não terá candidato a Governador. Em São Paulo os socialistas irão apoiar a reeleição de Geraldo Alckmin (PSDB) e no Rio de Janeiro a candidatura de Lindberg Farias (PT). Embora participe da chapa majoritária, a repercussão no eleitorado não é a mesma caso lançasse candidato ao governo. Em outros estados a situação será a mesma. A sua possível companheira de chapa, Marina Silva (Rede), declarou não concordar com esta tática eleitoral. Ela preferia candidaturas próprias.
Além disso, Eduardo Campos vai precisar sair de “cima do muro” e ser mais direto na exposição das ideias e propostas. Por mais que o marketing político seja importante, existe o limite imposto pela realidade. Esse papo de que é possível fazer mais e melhor, de que vai manter a estabilidade econômica conseguida no Governo de FHC, aliando aos avanços sociais do Governo Lula, etc., é mais embromação do que fato real. São projetos políticos antagônicos.
Fora esses dois motivos ainda percebo um terceiro. Situado, segundo as pesquisas, atrás de Dilma e de Aécio, Eduardo Campos vai precisar dizer para o eleitor porque ele é o candidato mais preparado e forte para disputar um eventual segundo turno contra Dilma. Para isso, ele vai ter que mostrar a sua diferença programática e de estilo em relação à Aécio Neves. Consequentemente, o papo de cavalheiros e a troca de gentilezas que tem marcado a relação entre ambos tende a desaparecer.
O quarto aspecto reside no fato de o candidato socialista ter um tempo de campanha na TV e no rádio – aproximadamente 2 minutos – bastante restrito, mesmo contando com o apoio oficial do PPS, PPL, PHS e PRP. Para quem precisa ter projeção nacional é muito pouco tempo para a exposição. Uma possibilidade é explorar a popularidade e a imagem de Marina Silva, mas isso pode ocasionar no atrofiamento da imagem de Eduardo Campos e fortalecer uma eventual concorrente na eleição de 2018.
Enfim, a situação política e eleitoral de Eduardo Campos não me parece ser das melhores. Espero estar enganado. O futuro nos dará o veredicto final.
Antonio Lemos
15 de julho de 2014 6:17 pmA função de Eduardo Campos nesta eleição é uma só:
Levar a peleja pro segundo turno, ou seja, Dilma X Aecio.
Severino Januário
15 de julho de 2014 7:11 pmTodo o projeto do Eduardo
Todo o projeto do Eduardo Campos estava assentado na certeza absoluta de que o caos tomaria conta do país. O caos não veio, a bola dele murchou e ficou imprestável.
A antevisão do advento do caos tomou os corações e as mentes de 90% dos parlamentares, até gente do PT estava certa de que ele viria fatalmente. Foi isso que fez os aliados fisiológicos falarem grosso com o governo dentro do Congresso e puxarem suas cadeiras para perto da oposição. A inflação, estimulada pela mídia, estava destinada a mergulhar em total descontrole. A saúde pública entraria em colapso. Hordas de cidadãos das diversas classes ocupariam as ruas e praças dia e noite, pedindo o fim do governo. O quebra-quebra ficaria insuportável, os serviços de transporte urbano não funcionariam mais. A Copa seria o capítulo final: Um desastre total, que provocaria um sem número de intervenções diplomáticas fazendo do país um pária universal, excomungado pela opinião pública internacional. Tudo isto pode parecer hoje uma quimera estúpida da oposição e de seus pregoeiros, mas nos surpreenderíamos enormemente se pudéssemos saber qual a elevada percentagem de políticos que passaram a acreditar nisso tudo como sendo uma situação que aconteceria de fato, e que era inexorável para eles. Muitos chegaram a acreditar de haveria uma chance real para a instalação de uma nova ditadura militar.
Dentro deste cenário, que já se desenhava lá atrás, surgiu a candidatura Campos. Ele polarizaria com Aécio, já que a Dilma estaria se arrastando feito um pato manco e baleado rumo ao fim trágico de seu governo. E frente ao Aécio, Campos teria grandes vantagens: Uma história progressista, de centro esquerda. Aproveitaria o que de bom aconteceu nos governos Lula/Dilma. Uma cara nova, enquanto seu concorrente Aécio só podia oferecer aos eleitores a face da velha política. Uma vice candidata com uma história de avançadas lutas ambientalistas, que são muito bem recebidas por uma elite intelectual diferenciada de classe média. Campos estaria como a santa salvação pela qual o país em destroços ansioso esperava.
O caos não veio. Os fisiológicos depressa rearrumaram as suas cadeiras. E a candidatura de Campos naufragou.
Carlos Borges
15 de julho de 2014 7:17 pmRegra de Betteridge
De acordo com a regra de Betteridge, todo título que termina com uma interrogação pode ser respondido com a palavra “não”.
http://en.wikipedia.org/wiki/Betteridge's_law_of_headlines
Artaud
15 de julho de 2014 7:42 pmO cara.
Matéria sobre o quase nada.
A candidatura Eduardo Campos não tem forças e nem reunirá recursos para sair de si mesma. Quanto mais para “despolarizar” a eleição. Até porque, nem polarizada está está de fato.
A candidatura de Aécio é a candidatura da grande mídia. Recebe dela todo o suporte e todos os impulsos necessários para mantêla- a candidatura – com alguma chance.
Polarização, se houver será com a mídia. O candidato é só questão de ocasião e lugar. Aécio, como já demonstrou em N oportunidades, é apenas “o cara da vez”. Como foi Collor.
Assis Ribeiro
15 de julho de 2014 9:35 pmUm comentário mais
Um comentário mais consistente do que a torcida pró Campos que temos visto por aqui.
Assis Ribeiro
15 de julho de 2014 10:02 pmO efeito Campos
Candidato à Presidência da República, Eduardo Campos (PSB-PE) prometeu nesta terça-feira (15) adotar o passe livre estudantil, (…).
No Estado que foi governado por ele, porém, não implantou a medida.
o ex-governador fez críticas sobre os acordos políticos da presidente Dilma Rousseff, (…)
No entanto, a coligação de Paulo Câmara (PSB-PE), ex-secretário do presidenciável e seu candidato ao governo de Pernambuco, conta com 21 partidos na base.
Sobre o atraso de obras federais para a Copa, o presidenciável citou (…)
De acordo com a própria Secretaria da Copa do Estado, o corredor viário leste/oeste será concluído apenas em setembro; o norte/sul, em novembro; e o ramal de acesso à Cidade da Copa (local onde está a Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata), em dezembro. http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/07/1486217-
Georgeis10
15 de julho de 2014 11:01 pmEduardo PERDIDO nos Campos
A meu ver, num improvável segundo turno entre Dilma x Eduardo Campos, todos os votos do Aécio (essencialmente anti-petistas) migrariam integralmente para o segundo e ele ganharia a eleição. Como, no entanto, Eduardo Campos pode chegar ao segundo turno sem tomar votos de Aécio no primeiro turno ?
O segundo turno deve ocorrer, como tem sido desde que o Brasil libertou-se da lavagem cerebral do PSDB (ainda em voga em SP) e os votos em Eduardo Campos não migrarão integralmente para o Aécio.
O índice de brancos/nulos/abstenções no 2o turno será o fiel da balança.
JB Costa
16 de julho de 2014 1:53 amEduardo Campos é um enrolão.
Eduardo Campos é um enrolão. Sabe que uma eventual consistência para uma terceira via só teria sentido se fosse Marina a candidata. Ela pelo menos poderia se apresentar com uma certa singularidade, ou singularidades, quais sejam, o novo enfoque no desenvolvimento sustentável e a modernização(na forma, pelo menos) na praxis política.
Já o ex-governador pode muito bem ser o Hamlet da campanha: “ser ou não ser, eis a questão”. Isso olhando para duas caveiras: a do Lula e a do FHC.
J.Roberto Militão
16 de julho de 2014 2:40 amPost para petista e tucanos acalentarem
e exercitarem seus ódios e sandices. Eles querem o “nós x eles”, nós desejamos somar com eles.
A campanha se tomar o rumo que desejamos, implicará na consciência do povo que somente uma proposta de reformas com fulcro num amplo leque de coalizão, reunindo a parte boa do PT, do PSDB e do PMDB (creiam existe uma maioria boa) sob as jovens lideranças de EDUARDO e MARINA, despojados de personalismo do poder pelo poder, viabilizará as mudanças institucionais que o Brasil precisa edificando as bases para as próximas gerações.
Não basta retirar o Felipão (Dilma) e colocar o Luxemburgo (Aécio), é preciso, alterar a filosofia do jogo, com novos objetivos de governabilidade.
Enfim, a terceira via empolgará as vozes das ruas: o povo brasileiro.
JB Costa
16 de julho de 2014 11:20 amTu advogas, então, a entrada
Tu advogas, então, a entrada do Mano Menezes, não é mesmo? Terceira via? Não me faça rir, camarada. Nem tu acreditas nisso.
Numa improvável vitória do Eduardo Campos no dia seguinte ele estaria se compondo com a turma do “uma vez governo, governo para sempre”. Não é uma questão de ódio, mas de pragmatismo.
Não existe essa “parte boa” do PT, nem uma “parte ruim”. Insistir essa cisão, vocês dão prova de inaptidão política. A propósito, qual é a partir ruim do PSB? A que se alia com a Direita? A que se curva ao empresariado “muderno”? Se o PT perder deverá ir para a oposição. Se fizer diferente perderá um voto: o meu.
Quer tu queiras ou não, Eduardo e Marina são “filhotes” do Lulismo. O “novo” não é tão novo assim. reconheço que poderiam, sim, ser uma terceira via. Entretanto passei a duvidar a partir do momento que fizeram desse Lulismo, do qual foram “paridos”, inimigos vicerais, para se ombrearem com o conservadorismo-reacionário e ficarem posando de “bons(boas) mocinhas”.
Lucinei
16 de julho de 2014 3:03 amFiquei com preguiça – eu
Fiquei com preguiça – eu admito – de ler o texto. Tentarei ler depois.
Mas arrisco uma reposata ao título: ele quer é aparecer; e assim será percebido.
Essa conversa de que vai “melhorar” é só auto promoção. Até agora não apareceu nenhuma, nenhuma proposta consistente. Tudo no nível da retórica; e para não “desagradar” ninguém.
Nada novo.
Promessa de campanha de político antigo.
Não vai colar.
Nulo, branco e abstenção, somados, vão passar de 1/3 do eleitorado.
A oposição que se cuide pra não passar vergonha; que passe a tratar eleição como coisa séria sem subestimar o eleitor. Será melhor pra todos.
SergioMedeirosR
16 de julho de 2014 3:53 amDe simples alianças à adoção por Campos do discurso conservador
Este movimento, de possivel viabilização do candidato do PSB como terceira via, teve uma oportunidade de ouro, logo após o anúncio da chapa Campos – Marina.
Entretanto, Eduardo Campos, ao invés de se apresentar como terceira via, e, portanto, em oposição tanto a Aécio quanto a Dilma, com postura compatível com tal posicionamento, optou por não atacar Aécio, pior resolveu se aliar a este, o qual, sendo mais conhecido e com o apoio da mídia, se beneficiou desta relação, quase nada sobrando para Campos (um não tão inocente útil) senão um papel subalterno e subserviente.
A tática dotada por Campos era tentar polemizar com Dilma, candidato mais forte, para assim, obter visibilidade.
Em sua miopia, Eduardo Campos não viu a impossibilidade de um apoio efetivo do PSDB, pois, sua ascensão, ainda que pequena num primeiro momento, efetivamente poderia torná-lo uma terceira via, o que significaria a implosão e morte do PSDB.
Infelizmente, mercê de suas escolhas conservadoras e erro de estratégia, esta terceira via se inviabilizou, não porque Campos tenha construído alianças mais ao centro e à direta, mas porque seu discurso passou a coincidir com o de Aécio e se diluiu no massacre midiático, que somente referencia Aécio.
Esta análise foi feita em outubro de 2013, vejam as manifestações de então e comparem com os atuais desdobramentos da disputa eleitoral.
https://jornalggn.com.br/noticia/o-pior-dos-cenarios-para-aecio-e-a-possivel-implosao-do-psdb
(https://jornalggn.com.br/fora-pauta/como-aecio-neves-e-campos-inviabilizaram-o-rede-de-marina)
Eduardo Ramos
16 de julho de 2014 9:30 amEduardo Campos é oportunista e falso, por isso tem chances!!!
Lendo o post do Nassif e as indagações do Cristian, penso que a “torcida” tanto de petistas como de tucanos, não deve nos impedir de ver uma realidade: estar meio apagado na mídia e ser ainda pouco conhecido do povão, PODE SER UM TRUNFO PARA EDUARDO CAMPOS, se bem utilizado por ele e sua equipe, principalmente nos debates, onde o tempo é igual, e a performance dos candidatos pode sim, influenciar o voto dos indecisos.
“Aquilo que aparento ser” pode ser mais importante em política, do que “aquilo que eu sou…” – por isso o valor de um marketing bem elaborado, nas disputas eleitorais, tanto quanto as realizações e projetos de cada candidato.
Quando por exemplo, Nassif aponta a “antipatia” de Dilma como um empecilho, não importa muito o quanto isso é levado em conta por petistas e simpatizantes, mas para um indeciso, pode importar e muito, portanto, é algo a ser trabalhado pelo marketing da presidente.
Lembremos que a grande mídia, e a oposição radical ao PT, aqueles que querem tirar o partido do poder, CUSTE O QUE CUSTAR, estes, têm fidelidade ZERO a qualquer candidato, e se essa premissa for verdadeira, não terão escrúpulos, a qualquer tempo, de desembarcar da candidatura do Aécio e embarcar com tudo, no barco Eduardo Campos, com verbas, e reportagens o mais bem construídas o possível, para mostrar essa “terceira via” como a “melhor opção para o Brasil atual…” – tentando mesmo, justificar esse mote, da “continuidade das políticas sociais de Lula/Dilma, sem as irresponsabilidades e corrupção do PT…” – ou seja, “o melhor dos mundos…”
Isso provavelmente embrulhará o estômago de todo eleitor do PT, consciente, mas quantos são estes? Arrisco algo em torno de 30 a 35% dos votos, mais uns 25% de votos quase convictos, mas que podem oscilar – pensando em segundo turno. Mas o chamado “povão”, ainda com nível baixo de educação e capacidade de julgamento do que é ou não manipulação de dados, fatos, informações, pode sim, ser influenciado e jogado num “efeito manada”, como gosta de dizer o Nassif, ou formar um “rebanho”, como eu acredito, já vimos isso antes, várias vezes, tanto na construção, como na demolição, rapidíssimos, de candidatos à presidência.
Particularmente, porque sou Dilma convicto, por todos os motivos que levam o eleitor consciente a desejar a continuidade desse projeto de re-construção nacional, iniciado por Lula, torço para que os patamares atuais sejam mantidos, e que se houver segundo turno, seja entre Dilma e Aécio, porque o eleitor de Eduardo Campos, pode votar (parte dele…) em Dilma, mas o eleitor de Aécio, por ser em maioria esmagadora anti-petista, JAMAIS VOTARÁ EM DILMA. Esse, o perigo de um crescimento exacerbado da dupla Campos/Marina.
Até me espanto, pela ingenuidade da grande mídia, e colocar hoje, todas as fichas no boçal e insosso senador mineiro, desastroso em suas últimas aparições.
O PT que acorde, o Brasil ainda é um país às vezes estranho, de reações estranhas em eleições, Dilma ajuda na realização, na dignidade, na seriedade que passa, mas atrapalha sim, sua imagem, na centralização exacerbada, e nessa tal “antipatia”. O markeying terá que ser bom, muito bom, para evitar sustos desnecessários!!!
J.Roberto Militão
16 de julho de 2014 2:03 pmPost para petista e tucanos acalentarem
e exercitarem seus ódios e sandices. Eles querem o “nós x eles”, nós desejamos somar com eles.
A campanha se tomar o rumo que desejamos, implicará na consciência do povo que somente uma proposta de reformas com fulcro num amplo leque de coalizão, reunindo a parte boa do PT, do PSDB e do PMDB (creiam existe uma maioria boa) sob as jovens lideranças de EDUARDO e MARINA, despojados de personalismo do poder pelo poder, viabilizará as mudanças institucionais que o Brasil precisa edificando as bases para as próximas gerações.
Não basta retirar o Felipão (Dilma) e colocar o Luxemburgo (Aécio), é preciso, alterar a filosofia do jogo, com novos objetivos de governabilidade.
Enfim, a terceira via empolgará as vozes das ruas: o povo brasileiro.