4 de junho de 2026

As lições dos esportes americanos para a organização do futebol brasileiro

Enviado por Assis Ribeiro

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Do Viomundo

Nos EUA, ligas rejeitam monopólio nas transmissões

Por Heloisa Villela, de Nova York, especial para o Viomundo

Cento e dez milhões de telespectadores. Este foi o público da última final do campeonato de futebol americano, o Super Bowl, no dia 2 de fevereiro deste ano.

Com um público desta envergadura, não é à toa que o futebol americano fique com o filé mignon, ou melhor, com o caviar do bolo publicitário, não apenas dos eventos esportivos mas dos eventos que a televisão dos Estados Unidos transmite ao vivo. Para se ter uma ideia, cada comercial de trinta segundos, nos intervalos da partida, custou cerca de 4 milhões de dólares. Claro, a exposição é garantida.

O público faz questão de assistir ao jogo na hora em que ele está acontecendo. Ninguém vai gravar a partida para ver mais tarde, porque se torna impossível não saber o resultado antes de tocar a gravação. A grande emoção é acompanhar lance a lance. Torcer. Vibrar e ficar arrasado, junto com todos os outros torcedores espalhados pelo país, unidos diante da telinha.

Os patrocinadores e os donos dos times sabem que a final do futebol americano é o único evento que comanda essa audiência e tem tudo para continuar comandando.

Mas, ao contrário de outros paises, nos Estados Unidos o esporte é organizado para dar lucro. No caso do futebol americano, um trator, máquina de fazer dinheiro. Como eles chegaram lá é o que interessa.

Uma lei federal, assinada no começo dos anos 60, garantiu aos times a possibilidade de agregar a venda dos direitos de transmissão dos jogos, sempre em leilão. Nunca ficam nas mãos de uma única emissora.

A NFL, National Football League, que reúne os 32 times profissionais do país, divide a temporada em pacotes diferentes, para explorar melhor o produto.

Funciona da seguinte maneira: o campeonato nacional tem duas ligas, com dezesseis times cada. O campeão de uma joga com o campeão da outra na grande final. Só aí,  já são três pacotes de transmissões para vender. O campeonato da chamada Conferência Nacional, o da Conferência Americana e a final, o Super Bowl.

O último contrato que a NFL fechou com as tevês vigora até 2022 e vai render cerca de 5 bilhões de dólares por ano aos clubes.

As redes CBS, FOX e NBC entraram no racha da tevê aberta.

A CBS transmite os jogos de uma conferência, a FOX os da outra e a NBC ficou com a partida que abre a temporada, numa quinta-feira à noite, um jogo durante o feriado de Ação de Graças, quando o país para e todo mundo vê televisão, e a melhor partida do domingo à noite enquanto a temporada está em andamento, durante quatro meses.

A NFL já faz planos para elevar a arrecadação com a venda de direitos, ingressos e merchandising para 25 bilhões de dólares até 2027.

Ninguém ficou escandalizado com o plano mais recente que veio à tona.

A liga inventou, há dois anos, um novo pacote. Os jogos de quinta-feira à noite, que não faziam parte do calendário das transmissões esportivas.

Eles foram promovidos, primeiro, como exclusividade da NFL Network: a liga de futebol americano tem sua própria rede de TV. Este ano, o pacote já foi vendido à CBS por U$ 250 milhões. São apenas oito jogos.

Quem inventou essa história de ter rede de teve própria foi a liga de basquete dos Estados Unidos, a NBA, National Basketball Association.

Em 2008 a liga licenciou os direitos digitais do basquete para a Turner Sports. A empresa passou a administrar o site NBA.com e a NBA TV.

A audiência das duas plataformas cresceu rapidamente.

Hoje, a NBA TV entra em 60 milhões de domicílios do país.

Agora, a liga está em plena negociação do próximo pacote de direitos de transmissão, que vence em dois anos, e já pensa em trazer de volta, para dentro da NBA, os direitos digitais.

Existem conversas em andamento com o YouTube, com quem a NBA já lançou um canal para a liga do verão e a chamada liga D.

Antenada nas mudanças do mercado esportivo, a NBA está pensando em mudar a rodada de quinta-feira para outro dia da semana, para não bater de frente com a nova transmissão da NFL. Ninguém quer competir com o futebol americano.

Hoje, a NBA fatura U$ 7,5 bilhões com os contratos de transmissão dos jogos de basquete.

Dinheiro que é dividido igualmente entre os 30 times profissionais do país.

Aliás, a preocupação em nivelar os clubes é grande, em todas as ligas. Não é que aqui exista alguma preocupação com a igualdade de condições. Nada disso. Questão de marketing.

Existe a compreensão de que o campeonato só é bom, só vai atrair muitos torcedores e telespectadores, se houver disputa acirrada, entre times equilibrados. Uma partida de futebol que termina em 7 a 1, vamos combinar, não tem muita graça.

O que fazem as ligas de beisebol, futebol americano e basquete para garantir a emoção dos jogos, hoje, e a qualidade no futuro?

Adotaram o salário teto e o chamado imposto do luxo.

Os times trabalham com um limite de gastos, um teto para o conjunto dos salários dos jogadores. Não é baixo. Os atletas ganham um bocado. No caso da NBA, o volume máximo de salário que cada time pode pagar ao seu conjunto de jogadores é de 63 milhões de dólares por ano. Claro que os grandes nomes tem renda complementada por patrocínios específicos. Kobe Bryant, por exemplo, com os patrocínios fatura U$ 30 milhões por ano.

Se fosse em salário, seria quase metade de tudo o que os Los Angeles Lakers podem investir na remuneração de seu elenco completo.

Se um time quer gastar os tubos para contratar um craque, sabe que vai ter de segurar o salário do resto da turma. Não vai ter fôlego para comprar os 3 ou 4 melhores jogadores do país.

Dessa forma, em princípio, todo clube tem a oportunidade de comprar o passe de um peso-pesado, seja o Moto Clube ou o Corinthians daqui.

Quem passa do limite paga à liga o chamado imposto de luxo sobre cada dólar ultrapassado. O imposto aumenta exponencialmente para os times que ferem a regra consecutivamente.

Um clube que não dá pelota para o imposto é o multibilionário New York Yankees, o Real Madrid do beisebol. Desde que o imposto foi criado, em 2003, o clube ultrapassou o limite todos os anos. Recentemente, foi obrigado a pagar 28 milhões de dólares em imposto sobre o luxo.

Isso não significa domínio dos Yankees, já que mesmo clubes de mercados muito menores, com dinheiro garantido pela venda coletiva dos direitos de transmissão, podem formar times campeões.

Nos últimos dez anos, os Yankees, baseados numa cidade de cerca de 9 milhões de habitantes, com um região metropolitana de mais de 20 milhões, foram campeões nacionais uma vez, em 2009; enquanto isso, os St. Louis Cardinals, de uma cidade de 350 mil habitantes numa região metropolitana de cerca de 3 milhões de pessoas, ganharam o título nacional duas vezes, em 2006 e 2011.

No futebol americano, os dois ganhadores mais recentes do Super Bowl — Baltimore Ravens e Seattle Seahawks –, são de duas cidades relativamente pequenas, com 600 mil habitantes, de extremos opostos do país. É como se o Figueirense fosse campeão brasileiro de futebol em um ano e o Clube do Remo no ano seguinte. Nos últimos dez anos, oito clubes diferentes ganharam o título supremo do futebol americano.

No basquete, o time de Nova York está na fila do título nacional há 40 anos. Nem por isso correu o risco de morrer.

Na NBA, os clubes não faturam somente com a venda da transmissão nacional de seus jogos. Cada time negocia, também, com as tevês locais.

Os Lakers, por exemplo, fecharam em 2011 o contrato mais caro da história da NBA. Fizeram um acordo de 20 anos com a Time Warner Cable, que prevê o lançamento de dois canais regionais de esportes, um em inglês e outro em espanhol, no valor de U$ 4 bilhões.

No ano passado, os trinta times da NBA faturaram juntos, com esses contratos regionais, U$ 628 milhões, que correspondem a 33% de toda a receita da liga com as diferentes mídias, de U$ 1,9 bilhão. A maior fatia, de 53%, veio dos direitos de transmissão nacionais.

O que isso significa? Que além de ter uma exposição nacional, atraindo os patrocinadores mais endinheirados, os clubes tem ampla divulgação regional, junto a seus próprios torcedores. Se apenas uma fração deles comprar ingressos, é casa cheia.

Seria, mal comparando, como se o ABC de Natal tivesse garantia de algumas partidas transmitidas para todo o Brasil, mais exposição completa em seu próprio mercado, em emissoras diferentes. Com isso, conseguiria encher a Arena das Dunas, arrumar um patrocinador regional e outro nacional para sua camiseta e, o mais importante, ter um time competitivo para enfrentar equipes de estados maiores e mais ricos.

Na temporada 2012-13 de basquete da NBA, enquanto quatro clubes gastaram mais que faturaram, os outros 26 tiveram lucro. Um cenário bem diferente daquele que se vê no Brasil, onde mesmo clubes de grandes torcidas vivem endividados e frequentemente caem para a segunda divisão.

PS do Viomundo:  No Brasil não é a Globo que serve ao esporte, mas o esporte que serve à Globo. Alguns clubes, sim, recebem uma bolada da emissora, os de maior torcida e audiência. Os outros que se virem. É o esporte pré-capitalista, em que os peixes pequenos vão ficando pelo caminho. Para se ter uma ideia, é só listar o grande número de clubes de futebol literalmente extintos no Brasil nas últimas décadas.

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25 Comentários
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  1. janes salete

    15 de julho de 2014 12:33 pm

    A globo não traz o que de bom

    A globo não traz o que de bom tem no USA, só importa o que não presta para o país, mas que beneficia, exclusivamente, a ela, máfia midiática..

  2. alfredo machado

    15 de julho de 2014 12:36 pm

    Clubes e $$$ prá todos eles

    Assis,

    É isto, e o roteiro não tem qualquer correlação com futebras ou coisa que o valha.

    Heloísa Villela esqueceu de mencionar que, nos USA, todos os clubes de todos os esportes tem dono, funcionam como uma empresa de verdade e podem ser vendidos a qualquer momento.

    Um abraço

    1. Paulo F.

      15 de julho de 2014 1:14 pm

      Só prá fechar

      Caso isso possível no esporte brasileiro (comprar times como se compram empresas) ia ter gente comprando só para fechar , visando exterminar a competição, coisas da falta TOTAL de regulamentação no país. Vide a recente compra da Webjet pela Gol. Gordon Gekko é santo perto do que a relidade apresenta.

      1. alfredo machado

        15 de julho de 2014 4:39 pm

        Regulamentação

        Paulo F.,

        Você fez a observação, correta, e aproveitou prá dar a solução, REGULAMENTAÇÃO prá valer. 

  3. Cláudio José

    15 de julho de 2014 12:38 pm

    PROJETO: FINAL DE SEMANA OLÍMPICO NA TV

    Caros amigos (as) mandei um projeto, para ajudar os atletas amadores, para a TV Brasil, Ministério do Esportes e a Presidência da República, e até hoje não tive uma resposta, por ambas as partes. Infelizmente, ainda perdemos vários talentos, pela falta de visão dos nossos dirigentes, pois esse país poderia ser uma potência olímpica, em vários esportes, se houvesse mais vontade política, e apoio por parte dos nossos dirigentes. Muitas vidas poderiam ser transformada através do esporte. A copa está aí, para mostrar para os nossos dirigentes  e comandantes como eles erram, e no futuro também vão cobrar dos nossos atletas olímpicos pelos resultados na Olimpíada do Brasil. Espero que o próxímo presidente o presidenta um dia esculte e atenda os nossos atletas e o seu povo.

    Rio de Janeiro, 14 de agosto de 2012

    Diretoria da TV Brasil
    Assunto: PROJETO FINAL DE SEMANA OLÍMPICO NA TV

    Prezada senhores (as) como o Brasil que ser uma potência olímpica se a nossa Tv aberta não cobre os esportes amadores? O Povo brasileiro deveria cobrar dos nossos dirigentes esportivos e televisivos mais apoio para os nossas atletas amadores. Por exemplo, todo final de semana a TV Brasil, poderia cobrir as competições de campeonatos brasileiro de várias modalidades como natação, judô, boxe, ginástica, hipismo, etc. tendo um calendário esportivo e televisivo em sintonia para incentivar a prática de esportes. Isso seria muito bom para quem gosta de esporte e um bom exemplo para as nossas crianças e jovens. O marco para esse nova cobertura na TV Brasil, seria um torneio internacional de futebol feminino, A COPA DAS NAÇÕES AMIGAS, um torneio de países do idioma inglês, como: EUA X INGLATERRA (português) BRASIL X PORTUGAL (Francês) FRANÇA X CANADÁ (espanhol) ARGENTINA X ESPANHA, de países que foram colônia contra os colonizadores para dar um charme e chamar mais atenção para o evento. Senhores (as) o Brasil desde já precisa preparar o seu povo para receber bem os turistas, que virão para os grandes eventos esportivos como a Copa e a Olimpíada, e esse torneio poderia servir de teste, para a organização, tendo como o ingresso a troca de um quilo de alimento, por uma entrada do evento, para que os estádios fiquem cheio, e se faça o bem para as pessoas que ainda passam por dificuldades para se alimentar. Senhores (as) o esporte tem o dom de salvar vidas e  melhorar a saúde de muita gente, e o Brasil não pode perder essa oportunidade de se transformar num país mais justo, solidário, olímpico e bom para todos. 

  4. Mario Blaya Santos

    15 de julho de 2014 12:39 pm

    eu fico um pouco desconfiado

    eu fico um pouco desconfiado quando pessoas como a Heloisa Helena e o PHA criticam a Globo, pois são funcionarios da Record, que tentou desesperadamente comprar os direitos do futebol, mas não cobriu a oferta da Globo!  

    e duro crer na sinceridade das opiniões de pessoas que tem comprometimento com uma das partes!

     

     

    1. Lionel Rupaud

      15 de julho de 2014 1:40 pm

      Entendo sua desconfiança mas

      1 – o texto é bom jornalismo, portanto podemos aprender algo com ele, coisa impossível quando se lê textos dos empregados na editoria de esporte na mídia brasileira tradicional, e

      2 – concorrência é a alma do capitalismo, é sei que você gosta muito desta alma, mas na organização do esporte brasileiro há de tudo menos concorrência, só monopólios. E os “states” descobriram já há um século que, pragmaticamente, o estado (federal) deve cuidar para que haja de fato esta concorrência, agindo com sua força quando monopólios/oligopólios destroem esta “alma do capitalismo”.

      P.S. Bom comentário o seu, sem o ranço que marcou suas participações anteriores. Bem vindo e continue assim!

  5. Alberto Santos Neto

    15 de julho de 2014 12:41 pm

    O maior problema do futebol

    O maior problema do futebol brasileiro é a Rede Globo. Ela está por trás de tudo o que é ruim, não só no futebol, mais em muitas outras áreas da vida brasileira. Portanto, um dos primeiros passos para modernizar o futebol seria tirar o monópolio da Globo. Em qualquer área que a Globo interfere, vira o caos e somente ela consegue tirar proveito. A Globo manipula, difama e está sempre ao lado de diregentes que só pensam em seu próprio bebefício.

  6. Fernando Antonio Moreira Marques

    15 de julho de 2014 12:45 pm

    O nosso monopólio de

    O nosso monopólio de transmissões não está apenas no futebol, que é totalmente neoliberal e onde o Estado e seu Ministério do Esportes são meras figuras decorativas, mas atinge a todos os setores da informação. é muito maior que a exclusividade do PRAVDA na antiga União Soviética e do GRAMMA do Castro e sua fazendola. É a Ditadura da Informação!

    Por falar em esporte, os “vira-latas” seguidores do IG estão propugnando por um técnico estrangeiro. Seria ridículo termos um técnico argentino para dirigir os destinos da nossa seleção quando temos ZICO que foi tão jogador como Felipão, com a diferença de ter sido um craque e não um beque da roça, tendo experiência em clubes internacionais e de ter formado e dirigido a seleção japonesa numa copa do mundo. Será que o neoliberalismo esportivo, que pela sua “competição intrinseca” resolve todos os problemas do Brasil, como todo neoliberalismo fajuto, não pensou nisto?????

  7. Lionel Rupaud

    15 de julho de 2014 12:46 pm

    Belo texto, um ótimo contraponto á situação atual

    do futebol brasileiro cujo nível real foi mostrado ao vivo a uns bilhões de pessoas nos jogos da fase final da Copa das Copas.

    Levar 10 gols em 2 jogos não é para qualquer um!

    E teve gente que colocou 1* no post! Devem ser assalariados da TV Globo, só pode ser. 

  8. Rafael

    15 de julho de 2014 12:56 pm

    A Globo paga para não transmitir os jogos

    Um dos maiores problemas gerados pelo monopólio da transmissão por uma emissora seja justamente não transmitir os jogos. Explico. O Campeonato Brasileiro possui 380 jogos divididos em 38 rodadas de 10 jogos. A Globo transmite um jogo da rodada de meio de semana (quarta-feira às 22:00) e um jogo na rodada de fim de semana (domingo às 17:00), ou seja, 38 jogos em um campeonato de 380!

    A emissora compra o campeonato inteiro e veicula apenas 10% dos jogos, apenas em dois dos quatro dias da semana nos quais ocorrem jogos (os jogos ocorrem sempre às quartas, quintas, sábados e domingos). Deve-se concluir que a empresa adquire o campeonato não para transmitir os jogos e sim para não transmiti-los!

    Se os clubes quisessem ganhar dinheiro com o Brasileirão, poderiam copiar as ligas profissionais norte-americanas e vender slots de programação ou partes do campeonato para diversas emissoras diferentes. Se temos quatro dias de jogos por semana, por que não estabelecer, por exemplo, oito horários de jogos que podem ser veiculados pela TV Aberta? Digamos que os clubes estabeleçam que os jogos sejam às 20:00 e 22:00 nas quartas e quintas e 17:00 e 19:00 nos sábados e domingos e leiloem pacotes diferentes para as diferentes emissoras.

    Tomemos um exemplo de distribuição: após os leilões Globo compraria o pacote de jogos de quartas às 22 e domingos às 17; Band teria o direito de transmitir os jogos de quartas e quintas às 20; Record teria os sábados e Rede TV o jogo de domingo às 19 e quintas às 22.

    Ao invés de termos 2 jogos do campeonato por semana, teríamos 8. Em um ano, ao invés de 38 jogos transmitidos, teríamos 152! Para os clubes e anunciantes, maior exposição, gerando melhores patrocínios. Para a Globo, um gasto bem menor do que os custos com a exclusividade, transmitindo o mesmo número de jogos.

    Quem perderia? Justamente aqueles que ganham não com a transmissão dos jogos, mas sim com a ausência dela.

    1. Mgp

      15 de julho de 2014 1:14 pm

      Ainda tem mais um detalhe:

      Ainda tem mais um detalhe: desses 38 jogos, mais da metade, não importa se estão ou não com um time bom, são jogos que envolvem Flamengo ou Corinthians. Se você for de outro Estado, tome peiperviú!!! Ou seja, de dane.

    2. drigoeira

      15 de julho de 2014 1:29 pm

      É isto aí! Bem comentado.

      Enquanto não terminar o monopólio da Globo, só sonhar.

      Este rede quer tudo para sí. Foi assim e sempre será. Que o público se foda. 

      Ela compra a CBF inteira todos os anos e ainda deve utilizar dinheiro do BNDES para isto.

      Única saída é os Governos (Federal e dos Estados) comprarem os direitos e liberar o sinal livremente. No Brasil o sinal pago é irrisório. Deve ser 1% do que se usa nos EUA.

      A organização dos eventos também devem mudar. No intervalos dos jogos nos EUA existem pequenos torneios entre os torcedores. No Beisebol, a bolinha lançada na torcida fica com quem pegar. No Futebol Americano depois de uma jogada espetacular o jogador pode premiar um torcedor a seu gosto, entregando a bola em mãos.

      Fazer comparações com os EUA é um sonho mesmo, mas deve ser um rumo a ser tomado.

    3. C. Khosta y Alzamendi

      15 de julho de 2014 1:58 pm

      Caro Rafael,

      tens razão, em parte, pois muitos dos jogos não transmitidos na TV aberta o são na TV paga, e isso é parte da lógica do ‘negócio’: por quê mostrar o evento de graça se eu, que detenho os diretios de transmissão em TODOS os media, posso vender parte dele? Aliás, desse ponto de vista, a obrigatoriedade de transmissão aberta significa uma perda de oportunidade de faturamento na media fechada (a propósito: estou SUPONDO que tal obrigatoriedade exista, seja por força contratual ou legal)..

      Infelizmente, esse ‘modus operandi’ acaba sendo parte, a meu ver, de algo perverso, um fenômeno que muita gente chama de “espanholização” do nosso futebol, e que não me parece algo isolado ao futebol ou ao esporte, mas a qualquer outra coisa ligada a consumo no Brasil. A exposição maciça e sistemática de meia dúzia de equipes (com “meia dúzia” estou sendo generoso…) ao longo de bastante tempo faz com hoje um garoto nascido no interior do MT se identifique com clubes do Sul ou do Sudeste em detrimento dos clubes tradicionais do seu estado (os torneios regionais seguem o mesmo padrão), o que seria até compreensível se ainda estivéssemos na era do rádio. E essa “pasteurização” atende à lógica do negócio, e o realimenta.

       

       

       

      1. Rafael

        15 de julho de 2014 3:49 pm

        Caro Carlos

        Na verdade,  a TV fechada passa regularmente apenas um jogo a mais na grade, às 18:30 de domingo no SporTV. Às vezes, ocorre a veiculação de um jogo no sábado. Todo o restante dos jogos, quando muito, é ofertado através do pay-per-view.  O resultado é, sim, a espanholização, pois acaba que a emissora detentora dos direitos só quer transmitir jogos de Corinthians e Flamengo.

        A oferta em TV aberta não é gratuita para a emissora. Na verdade, quanto maior a audiência, maiores são as cotas de patrocínio para a TV. O que a emissora não deseja, ao deixar de transmitir mais jogos, é criar um produto que seja competidor da sua grade.

        Se os clubes leiloassem horários de jogos ao invés do campeonato, venderiam um produto mais barato para as emissoras e não dependeriam apenas de uma TV e de seus gostos pessoais por apenas dois clubes. No mais, poderiam ter maior exposição dos próprios patrocinadores de camisas e placas, além das próprias marcas.

  9. Mauro B.

    15 de julho de 2014 1:45 pm

    O maior problema é que lá os

    O maior problema é que lá os times são franquias, empresas que podem ser livremente negociadas e nas quais lucros e prejuízos vão diretamente ao bolso dos acionistas.

    Aqui os clubes são estruturas arcaicas, sob comando de aposentados que não respondem por nada.

    É muito mais fácil culpar a Globo do que realmente transformar o futebol  num negócio com os riscos inerentes.

    O Clube dos 13 tentou formar uma liga e foi implodido pelo o Andrés, amigo do Lula e candidato do PT, que caiu nos braços da Globo, numa negociação individual que obrigou os outros a fazerem o mesmo.

    Os clubes vivem de pires na mão por má gestão, e aí é a raiz de todo o mal.

  10. Guigo Barros

    15 de julho de 2014 1:49 pm

    Eles não querem a mudança.

    O caos, a confusão, a balbúrdia interessam à Rede Globo que sejam mantidos. Junte-se à “Vênus Platinada”: dirigentes, técnicos de futebol, atletas com maior exposição, jornalistas esportivos. Agregue-se a turma que contribui maciçamente com a grana: anunciantes e patrocinadores e ainda, a outra ponta nefasta: um pacotão numeroso de políticos.

    Alguém acha que eles irão entregar a ‘galinha dos ovos de ouro’, assim de graça? Só vejo alguma possibilidade se acontecer:

    1. Retirada de todos os incentivos públicos da CBF e federações; ou

    2. Intervenção direta do governo federal na CBF e federações.

    1. L@!r M@r+35

      15 de julho de 2014 8:58 pm

      É… e depois o governo

      É… e depois o governo negocia com a Globo a transmissão dos jogos… A Globo vai ficar superfeliz em saber que vai perder audiência da novela pra Palmeiras x Figueirense.

       

      Enquanto houver Globo, não tem país!

  11. Carlos Ramirez

    15 de julho de 2014 1:50 pm

    2 modelos muito diferentes

    Os exemplos do texto são bem interessantes mas perdem o foco da principal diferença do esporte americano para o restante do esporte brasileiros.

    Os esportes profissionais americanos organizam-se através de ligas onde os clubes são formadores da liga e, portanto, participantes ativos de todas as decisões da liga.

    Isto dá uma visão de parceria entre os clubes onde a ação conjunta resulta em um lucro total maior que o modelo brasileiro onde um clube é rival comercial do outro. A maioria dos produtos das ligas americanas, televisão, patrocínio de uniforme são vendidos pelas ligas e não pelos clubes.

    Decisões esportivas, como arbitragem, também são tomadas pelos clubes diretamente.

    No Brasil, os campeonatos são organizados pelas federações onde os clubes grandes não tem força para fazer prevalecer seus interesses. Os processos eletivos das federações estaduais e da CBF são feitos de forma que clubes pequenos, facilmente subornáveis, consigam eleger os caciques regionais. Os clubes grandes sabendo que serão voto vencido, não tem coragem de desafiar o futuro presidente das federações.

    Esse modelo gera federações sanguessugas dos clubes que fazem todo o trabalho e ainda tem que financiar esses vampiros burocráticos dominados por grupos familiares. Para estes últimos, o lucro não é dado pela evolução do esporte, mas pelo tanto que conseguem arrancar dos clubes. Nosso modelo também prejudica a união entre os grandes clubes, dado que, mesmo reunidos, não são fortes o suficiente para definir a eleição nas federações e impor seus interesses. Neste caso, para cada clube individualmente, compensa mais aliar-se aos donos do poder para beneficiar-se de arbitragens e que tais, que aliar-se a seus pares para tentar gerir o esporte coletivamente.

    No Brasil, as federações tomam decisões cujos principais atingidos não são elas mas os clubes.

    No EUA, as ligas são formadas diretamente pelos clubes que gerem, coletivamente, os campeonatos.

  12. L@!r M@r+35

    15 de julho de 2014 2:13 pm

    Temos ainda um longo

    Temos ainda um longo caminho…

    Isso está parecendo aquele pessoal reacionário que quer aplicar o “tolerância zero” de Nova York em São Paulo! Tem um longo caminho pela frente antes de sequer pensar no que estamos falando neste post.

    Ontem eu estava lendo um post aqui e acabei chegando em uma resenha do “Muito além do Cidadão Kane”.  Nós temos que acertar tantas coisas na estrutura de TV que temos no Brasil antes de chegar ao futebol que vamos precisar de umas 2 gerações!

    Neste Brasil que conhecemos bem e foi bem mostrado no filme “Mauá: O imperador e o Rei” (que pode ser simplista, mas dá uma boa visão de como se construiu o capitalismo no Brasil), mais importante que o dinheiro é o status social das famílias.  Em relação à TV, basta ver como a cartelização da comunicação do Brasil que só beneficia financeiramente a TV Globo, conforme apresentado em um post anterior neste mesmo blog.  E porque as outras empresas que participam do “cartel” aceitam isso? Porque, por mais incrível que pareça, o status de ter ser uma família de prestígio é mais importante que o lucro proporcionado pela TV! Por isso as concorrentes não se importam.

    Por isso, nós temos milhares de acertos para fazer antes de mais nada.  Talvez, quem sabe, até revisar os anos de chumbo e a história do monopólio da TV Globo.

    Como os clubes não vão aceitar um monopólio que o próprio governo e as TVs concorrentes aceitam?

    A única boa notícia é que uma viagem de mil milhas começa com um único passo.  Quem sabe em um segundo mandato da Dilma esse passo possa acontecer…

  13. [email protected]

    15 de julho de 2014 2:33 pm

    Que globo que bobo

    Culpa é do nosso futebol que é péssimo, e não é de agora. A formação do atleta nos EUAs passa pelos colégios, aqui existe a maldita lei Pelé, rei do futebol business. Com 14 anos de idade ou até menos o jovem é obrigado a assinar para o clube se quer continuar treinando. Vinculado, só sai dali se o dirigente quiser. Sem oportunidade porque na maioria das vezes ou é mal treinado, ou inexiste profissional com capacidade técnica para desenvolvê-lo ou identificar o seu potencial (os treinadores no Brasil são limitados, vide o Felipão que está na seleção. 95% são iguais a ele), o jovem abandona o esporte. Alguns vão trabalhar, outros estudar. Observem, veja se há algum jogador de futebol oriundo da classe média no país, mesmo esta representando a maioria da população. Vão dizer que filho de classe média não sabe jogar bola??? Isto ofende qualquer raciocínio estatístico. Só continuam no futebol aqueles que tem poucas opções, pouca orientação e digo até pouca educação. O esporte é arriscado, e para piorar, ser bom não quer dizer que você terá o seu espaço, porque aí há outro mundo, dos empresários em conluio com os dirigentes e a TV: eles promovem somente quem eles querem. Conclusões:

    1) há milhares de bons jogadores de futebol que abandonam a carreira, não são aproveitados, porque a estrutura de desenvolvimento do atleta é totalmente viciada. Somente os excepcionais, que saltam à cara, como Neymar, são aproveitados. Os diamantes brutos, que precisavam ser lapidados e até podem ser melhores que o Neymar, ficam no caminho. 

    2) Ficam no futebol jogadores medianos e sem opção muitas vezes de vida. Tornam-se medianos porque são mal lapidados grande parte. Nosso futebol descresce vertiginosamente de qualidade há décadas. 

    3) A consequencia é que os campeonatos são medianos, até péssimos. Jogos medíocres que não valem a empolgação. 

    4) Entrando no assunto do post, não há como tornar isto aqui um exemplo de negócio, tal qual os esportes americanos. A qualidade do esporte praticado aqui é muito ruim. Nos EUAs, qualquer liga, até a de hockey, é mais emocionante e interessante do que o campeonato nacional. 

    Primeiro mude-se a estrutura de formação de atleta, daí teremos times melhores e melhor audiëncia. Enquanto isso, somente os 15 milhões de fanáticos nacionais, que assistem até jogo de botão quando se fala que é futebol, é que vão continuar assistindo isto. Para conquistar mais audiência vai ser difícil. 

  14. evandro condé de lima

    15 de julho de 2014 3:21 pm

    moeda de várias faces

    Peraí, não nos esqueçamos que os clubes estão aí com dívidas do FGTS, INSS, Leão, etc.. Então, já que o governo não tem de se meter, bem que poderia cobrar, de mim sei que o fazem.

  15. Rodrigo C Moreira

    15 de julho de 2014 4:04 pm

    O artigo é ótimo. Eu concordo

    O artigo é ótimo. Eu concordo com cada linha do que está escrito.

    O interessante, no entanto, é que o contexto mostrado vai no extremo oposto da maluquice proposta pelo nosso Ministro “especialista” em futebol, o Sr. Aldo “Comunista” Rebelo.

    O modelo americano funciona – em todos os aspectos – por que é um negócio. Simples assim. 

    A solução para todos os problemas está, portanto, na seguinte passagem:

    “Hoje, a NBA fatura U$ 7,5 bilhões com os contratos de transmissão dos jogos de basquete.

    Dinheiro que é dividido igualmente entre os 30 times profissionais do país.”

    Como podem ver, nao existe essa palhaçada de clubes que se organizam como associações, “sem fins lucrativos”, onde os dirigentes nao ganham salário.

    Essa é a maior hipocrisia do futebol. Nao são os lucros da globo, os negócios com empresários e jogadores ou o que quer que seja.

    É a fantasia do clube sem fins lucrativos. Vamos ser francos: você assumiria a Presidência do Flamengo, com, sei lá, R$ 100M de faturamento, sem ganhar um centavo de salário? Comprometeria todo o seu tempo com isso sem ganhar nada?

    É claro que não. 

    É por isso que a pouca-vergonha rola solta. Os dirigentes levam o deles por fora, pouco importando a situação financeira dos clubes – afinal, como “associações”, nao estão sujeitos à falência.

    Se futebol é um negócio – e é, nao há como negar – deve ser tratado como tal do início ao fim, exatamente como ocorre nos EUA.

    Assim, os clubes teriam um dono. Esse dono teria que (i) investir o SEU dinheiro no clube, (ii) ADMINISTRAR BEM o clube, pondendo, portanto, (iii) LUCRAR, legitimamente, às claras, com o resultado desta boa administração.

    Além disso, caso o dono nao ponha seu dinheiro lá e nao administre bem o clube, ele (i) perderá o SEU dinheiro e nao o do outros, (ii) o clube irá QUEBRAR e (ii) o dono será responsabilizado, pessoalmente, pela perda, caso se comprove a má-fé ou confusão patrimonial, exatamente como ocorre com qualquer padaria ou empresa grande.

    Nao é isso que se quer, afinal? Clubes saudáveis financeiramente, que se responsabilizem por suas dívidas e nao precisem ficar mendigando perdão de dívidas perante o Estado?

    Pois muito bem. Que se tornem empresas!

    Essa era a ideia da Lei Pelé. Mas o “clube empresa” nao pegou. Ora, por que? Por que adminstrar uma empresa dá trabalho e responsabilidade pessoal. Administrar uma associação é muito melhor. Eu finjo que nao ganho salário, tiro um por fora sem declarar nada e se o clube ficar devendo, nao tenho nada com isso – afinal, o dinheiro nao é meu.

    O mesmo se aplica à CBF. Esse sistema de Federações – todas associações “sem fins lucrativos (hahahaha faz-me rir) atende à mesma hipocrisia de administrar um negócio bilionário em que ninguém, em tese, ganha um centavo de lucro.

    Vocês acreditam nisso? Claro que não.

    Daí por que a NBA é uma empresa. Os clubes são cotistas – é como a antiga estrutura da Bovespa, em que as corretoras eram cotistas da bolsa. A Bovespa funcionava muito bem (como funciona até hoje).

    Todo mundo ganhava dinheiro às claras e era essencial que o negócio desse certo, pois o sustento de todos estava em jogo, e, principalmente, todos eram sócios, portanto, responsáveis (pessoalmente, dependendo do caso) pelo destino do negócio.

    Por que nao fazer o mesmo com a CBF? É fácil. Basta os clubes criarem uma Liga em formato de empresa (não adianta ser associação, senao voltamos aos mesmos problemas), que será responsável pela organização dos campeonatos de que os clubes participam. 

    A Liga negocia os direitos de exibição e distribui entre os clubes – que são seus sócios. Essa distribuição pode ser equitativa – 1 clube, uma quota.

    “ah, mas e o rebaixamento”? Simples. Basta criar uma liga paralela ou mesmo um sistema de distribuição de quotas e dividendos de acordo com a posição do clube. O clube de 1a divisão ganha mais, o de 2a ganha menos e por aí vai.

    No entanto, neste caso, o Flamengo vai ganhar o mesmo que o XV de Piracicaba quando este subir para a 1a divisão.

    Os clubes querem isso? Duvido.

    Enfim. Não tenho dúvida que a saída está na profissionalização do futebol, que passa por transformar tudo, efetivamente, num negócio – e nao num arremedo de negócio, em que todo mundo finge que nao ganha salário e ninguém é responsável por nada.

    Notem, aliás, que nao precisa sequer de marco legal para fazer nada disso. Nao precisa de um centavo do suado dinheiro do contribuinte para fazer nada disso. As leis aplicáveis às sociedades empresárias (limitadas ou anônimas, abertas ou fechadas) são suficientes. Basta que os clubes virem empresas e vivam as dores e as delícias do capitalismo: lucrem quando performarem bem, percam quando performarem mal. 

     

     

     

     

     

  16. Toni

    15 de julho de 2014 5:11 pm

    .

    Na Alemanha o sistema também é semelhante, inclusive com a divisão paritária e solidária dos direitos de transmissão entre os clubes e a responsabilidade financeira, que rebaixa e alija clubes que não fecham suas contas, sem consideração de tamanho ou importância .

  17. altamiro souza

    15 de julho de 2014 9:08 pm

    choque de capitalismo

    choque de capitalismo -concorrencia – no futebol brassileiro, de preferencia com regulaçao estatal…a globo é feudal.

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