4 de junho de 2026

Veto de desoneração corrige distorções, diz Haddad

Ministro da Fazenda destacou importância da decisão tomada pelo presidente Lula sobre folha de pagamento de 17 setores
Fernando Haddad, ministro da Fazenda. Foto: Kelly Fersan/Ministério da Fazenda

A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em vetar a prorrogação da desoneração da folha de pagamento foi considerada “crucial” pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para correção de distorções econômicas e reestruturação do orçamento público.

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O veto à matéria, que propunha a extensão do benefício até 2027 com contrapartida orçamentária sem lastro, atendeu a pareceres técnicos da Fazenda, do Ministério do Planejamento e Orçamento e da Advocacia-Geral da União (AGU).

Entre outros pontos, o argumento central é de que a nova lei era inconstitucional, uma vez que criava renúncia de receita sem apresentar demonstrativo de impacto orçamentário-financeiro e sem indicar as medidas de compensação, o que fere a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

De acordo com Haddad, a política pública foi implementada como algo temporário há mais de uma década, e vinha sendo anualmente prorrogada desde então. Contudo, o retorno obtido não atendia às expectativas.

“Vamos apresentar para o Congresso o que nos parece uma solução adequada do ponto de vista constitucional e do ponto de vista econômico. Inclusive enfrentando outras matérias que padecem do mesmo vício de não gerar oportunidades econômicas a não ser distorções no sistema econômico de uma maneira geral”, explicou Haddad.

Esse conjunto de medidas deve ser apresentado pelo governo federal após a Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP28), em Dubai, de forma a propor discussões para equacionar o problema dos setores afetados pelo veto, sem perder o horizonte da justiça social e da qualidade no gasto público.

Crédito fiscal

Outra medida que está em debate é a medida provisória que disciplina o crédito fiscal decorrente de subvenção para implantação ou expansão de empreendimento econômico.

De acordo com Haddad, a MP 1185 corrige uma falha que representa cerca de 0,4% do PIB, ou aproximadamente R$ 40 bilhões, relacionada à subvenção de custeio, uma prática que já foi declarada ilegal pelo Superior Tribunal de Justiça.

O ministro enfatizou a necessidade de regularizar o fluxo tributário e oferecer uma solução para o estoque da dívida do contribuinte frente à Fazenda Nacional, sem prejudicar as empresas. Os créditos relativos às subvenções do ICMS que foram abatidas da base de cálculo de IRPJ e CSLL têm um volume aproximado de R$ 90 bilhões.

Essa medida, segundo o ministro, é essencial para atingir a meta do governo de zerar o rombo nas contas públicas até 2024, um objetivo que se alinha com a visão de crescimento econômico sustentável e responsável do governo.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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2 Comentários
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  1. Niveo R. Campos e Souza

    26 de novembro de 2023 12:24 pm

    Desonerações fiscais só devem ser liberadas para setores estratégicos e que gerem empregos de forma intensiva.

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    26 de novembro de 2023 12:51 pm

    O governo Lula já ficou de quatro e abaixou as calças para o Mercado. Agora não pode mais dizer que não ofereceu o redondo.

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