4 de junho de 2026

As polêmicas das prisões em manifestações

Do Advogados Ativistas
A influência da macabra relação entre DEIC e Comissão de Segurança da OAB/SP no caso Fábio e Rafael.

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No dia 23 de Junho, após a manifestação contra a copa, realizada na avenida Paulista, Rafael Lusvarghi e Fábio Hideki foram presos, supostamente em flagrante. As acusações são diversas, incluindo a alegação de porte de explosivos, apesar de inúmeras filmagens demonstrarem o contrário.

A prisão de Fábio e Rafael se tornou polêmica diante de tantas arbitrariedades policiais e a alta possibilidade de ter ocorrido flagrantes forjados, sendo os detidos completamente inocentes. Essas prisões estão causando indignação completa por parte da comunidade jurídica e dos movimentos sociais, e levantam muitos questionamentos acerca dos interesses da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo no caso.

Nos bastidores da prisão de Rafael e Fábio, alguns fatos levantaram suspeitas dos advogados que acompanharam a detenção. Primeiramente, os detidos foram levados emveículos civis descaracterizados sem direito dos advogados saberem qual era a delegaciade destino. Algum tempo depois, após os defensores descobrirem, de forma indireta, sobre o encaminhamento do detido ao DEIC, encontraram algumas barreiras para poderem exercer o ofício de defesa.

Estranhamente, antes mesmo que os defensores de Rafael Lusvarghi e Fábio Hideki chegassem ao DEIC, já estava presente, a pedidos da Polícia Civil, o advogado Presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB.

O nome deste advogado é Arles Gonçalves Jr., o mesmo advogado que convidou o coletivo Advogados Ativistas para uma reunião a portas fechadas com a clara intenção de deslegitimar a ameaça de morte que um dos advogados sofreu.

Sua função na Ordem é o trabalho de Relações Institucionais, lobby, entre a OAB e a Secretaria de Segurança Pública. Ele foi alvo de um escândalo, altamente repercutido na mídia, quando utilizou do nome da OAB para perseguir diversos advogados defensores de manifestantes, ainda neste ano. Neste sentido, em 22 de fevereiro de 2014, Arles e sua referida comissão tentaram intimidar os advogados que se prontificassem a defender os manifestantes, imputando-lhes punição administrativa dentro da OAB, sob alegação de captação ilegal de clientela.

De outra forma, o Presidente da OAB/SP, Marcos da Costa, se prontificou a desqualificar a atuação do Arles Gonçalves, de forma a defender os advogados atuantes nas manifestações.

A tentativa de intimidação dos advogados nas delegacias, inclusive,  gerou alta repercussão dentro da Comissão de Prerrogativas da OAB, que sentiu-se violada e atravessada em suas atribuições, uma vez que, não compete à fiscalização do trabalho do advogado ao Presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB.

O mais estranho de tudo isto é a alta vinculação entre Gonçalves, Secretaria de Segurança Pública e Polícia Civil. Por que o advogado estaria presente na delegacia antes mesmo da chegada dos detidos, Rafael e Fábio? Está claro que a presença de um advogado, membro da OAB, serviria como forma de legitimar um depoimento em que não estivesse presente outro advogado. Abaixo segue transcrição do auto de prisão em flagrante, quando mesmo após Fábio deixar expresso o seu desejo de ser acompanhado por um advogado específico, foi-lhe negado este direito, forçando-o a ser acompanhado por Arles.

Apesar da presença de Arles, no momento da oitiva, os advogados e defensores públicos, que defenderiam os detidos, tentavam adentrar ao DEIC para que pudessem verificar suas condições e acompanhar os depoimentos. Ocorre que o acesso foi completamente negado. Imediatamente os advogados alí presentes acionaram a Comissão de Prerrogativa da Ordem dos Advogados que logo se prontificou a exigir a imediato acesso ao DEIC.

Algum tempo depois, os advogados puderam entrar na delegacia, mas não puderam conversar completamente à sós com os clientes. Posteriormente, Rafael e Fábio foram escutados, na presença de dois membros da OAB e da sua real advogada.

Por que a OAB, através de sua Comissão de Segurança, está tentando impedir o trabalho dos advogados defensores dos manifestantes? O que faria um ex policial, agora advogado, dentro da oitiva destes dois manifestantes? Qual é a extensão de influência do Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo dentro das instituições de justiça? Afinal, dois manifestantes estão atrás das grades pelos caprichos de autoridades incompetentes em realizar seus trabalhos.

Enfim, não sabida quais as reais intenções de Arles Gonçalves Jr., mas é no mínimoincompatível os interesses da defesa e aquilo que se demonstrou o trabalho da Polícia Civil.  De um lado ele, Arles Gonçalves Jr., junto com Fernando Grella, Secretário de Segurança Pública de São Paulo, e  do outro, um advogado que já agrediu um colega na delegacia visando evitar sua atuação com manifestantes presos.

Trocando em miúdos, a legitimação da repressão está corroendo todas as esferas de justiça. E no meio de tudo isso, Rafael e Fábio permanecem presos.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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8 Comentários
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  1. Calma

    28 de junho de 2014 4:54 pm

    tudo que for feito para que a

    tudo que for feito para que a copa ocorra com toda tranquillidade há de ser coisa bem feita.

    1. Leo V

      28 de junho de 2014 7:10 pm

      você deu a definição de

      você deu a definição de Estado de Exceção.

      A Copa vale mais que direitos humanos, direitos civis, democracia… é a verdadeira e explícita ditadura do Capital.

      E é realmente interesse ver o medo que os de cima tem dos de baixo, a ponto de achar que manifestações populares com alguns mihares de pessoas, no máximos, sejam capaes de interferir na Copa.

      Ou seja, para ter Copa não pode ser democracia.

      O que se sabe é que a Copa é bode expiatório para perseguir e suspender o direito de militantes de movimentos sociais e sindicatos.

    2. Monier.,.,.,.

      28 de junho de 2014 7:29 pm

      Estou acompanhando todos os

      Estou acompanhando todos os protestos pelo Facebook da mídia ninja e de uma jornalista amiga de infância, que não é dada a exageros dramáticos-mercadológicos. E o quadro de arbitrariedades é de assustar. Enquanto o povo toma Brahma e se pinta de verde amarelo, a polícia paulista desenvolve seu protocolo de procedimentos, avançando à direita sem qualquer resistência. Porque esta é uma instituição que resolve quais procedimentos são ou não aceitáveis testando na prática, e vendo o que gera danos ao governo. Quando terminar a festa da copa, a polícia fica. E com a jurisprudência criada e bem sedimentada.

      Para fazer copa precisa de trave, estádio, festa. Mas em um evento de exceção como este também precisa ficar de olho nos limites do poder de polícia. Esta parte faltou completamente, e vai causar prejuízos grandes a quem esteve nas ruas nas últimas décadas brigando por um patamar mínimo de garantias, e que precisa lidar com a defesa de direitos humanos, agora com a polícia civil e militar sentindo legitimidade para atuar como estão fazendo. Em vez de arrumar o que estava errado, trouxeram o padrão periferia para o centro. Que não descambe de vez para o padrão Felinto Müller.

  2. Monier.,.,.,.

    28 de junho de 2014 7:44 pm

    Sem esquecer da prisão do

    Sem esquecer da prisão do sujeito que fotografou uma viatura na região da Vila Madalena e saiu andando “apressado”.

    http://boainformacao.com.br/2014/06/jovem-e-detido-por-pm-apos-estar-caminhando-de-forma-apressada/

    Que reclamou que sua versão não foi registrada pelo delegado, razão pela qual eu tive curiosidade de pesquisar o nome, e fui parar nessa polêmica aqui.

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/5/01/cotidiano/16.html

    Que também registrou o BO nesse caso em que o jornalista registrou o estranhamento de levarem o garoto para um hospital mais longe.

    https://www.dgabc.com.br/Noticia/280595/menor-e-morto-quando-tentava-assaltar-pm-a-paisana?referencia=navegacao-lateral-detalhe-noticia

    Fica tudo assim, sempre com algum detalhe meio estranho, e não se encontra apuração de resultado algum. Se estava certo, se estava errado. Se estava errado, houve repreensão? Pode ter festa na copa, mas não precisam anular nossas outras garantias, principalmente a liberdade de crítica.

  3. Teo Ponciano

    28 de junho de 2014 7:53 pm

    Quem mandou eles não estarem

    Quem mandou eles não estarem de posse de meia tonelada de cocaína.

    Já estariam soltos a esta altura.

  4. Galvão

    28 de junho de 2014 10:41 pm

    Está começando a aparecer a cara dos vândalos.

    São esse os dois bandidos presos no quebra quebra do dia 23 de junho pp.Agora com os antecedentes deles já levantados pela autoridade policial, a justiça pode e deve, decretar a prisão preventiva dos dois.

    1. Paiva

      29 de junho de 2014 4:17 am

      Assino embaixo

      Assino embaixo

  5. Weslei

    29 de junho de 2014 1:45 am

    Tecnologia que pode diminuir abusos…

    Tecnologia que pode diminuir abusos da policia e proteger o “ser humano” policial: Google Glass

    http://info.abril.com.br/noticias/tecnologia-pessoal/2014/02/policia-de-nova-york-avalia-uso-do-google-glass-em-patrulhamentos-diz-site.shtml

    http://www.tecmundo.com.br/google-glass/54902-policia-dubai-usara-google-glass-perseguir-infratores-transito.htm  Com está tecnologia casos como este seriam evitados, já que o flagrante estaria gravado, iria inibir qualquer ato ilícito da policia, duvido que não diminuiria abusos policiais, e punições para esses maus políciais. Mas, está é uma medida boa para os dois lados, já que protegeria o bom policial em suas abordagens, confirmaria o seu bom trablho dentro da lei, e identificaria uma agressão a qualquer policial. Enfim, qualquer agressor seria filmado sendo policial ou não.Vamos fazer uma campanha para implementar isto aqui também.

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