4 de junho de 2026

90% das forças militares estão impregnadas pelo “morismo”, diz historiador

"Os militares não estão disponíveis para um golpe, mas não acham que as eleições foram justas", disse Chico Teixeira ao GGN; assista
O ex-juiz Sergio Moro recebe condecoração ao lado de militares no governo Bolsonaro
O ex-juiz Sérgio Moro durante cerimônia de entrega de comendas da Ordem do Mérito Judiciário Militar, em comemoração aos 209 anos Justiça Militar da União (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

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A maioria absoluta das forças militares que atuam hoje no país está impregnada pelo lavajatismo e não aceitou a vitória eleitoral de Lula. Apesar desse viés ideológico, eles mostraram que são majoritariamente legalistas quando não embarcaram na tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023. Por outro lado, mudar a atual configuração para despolitizar os militares só seria possível com uma “reforma no ensino militar”.

Esta é a análise do historiador Francisco Teixeira, professor emérito do programa de pós-graduação em Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) e professor titular de História Moderna e Contemporânea da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Em entrevista ao canal TVGGN, no Youtube, Teixeira explicou a visão de mundo dos militares na ativa.

“Eu diria que 90% das forças – de cabo a general – são profundamente impregnadas pela concepção de mundo que chamo de morista. Eles engoliram com muita má vontade a eleição de Lula. Não estão disponíveis para um golpe, mas não acham que as eleições foram justas”, disse Teixeira, acrescentando que os militares acreditam que “a eleição foi manipulada pelo Supremo”.

“Muitos se referem a Lula como um descondenado, para marcar bem a posição dos tribunais para favorecer a campanha do Lula, o que não tem a menor base. Lula foi vítima de lawfare brutal. Essa massa não entende ainda a ideia de profissionalização, de que militar não faz política”, analisou.

Teixeira explicou que a grande maioria dos militares da ativa que ocupam cargos de alto escalão ou postos estratégicos são de uma geração que se formou no auge da ditadura militar, o que explica sua ideologia conversadora e inclinada à visão golpista de que as Forças Armadas podem intervir em outras instituições como se fosse um poder moderador. Por isso, é preciso mudar essa concepção a partir do que ensinam nas academias militares.

“É preciso fazer uma reforma no ensino militar para rever vários mitos, a começar por esse mito de que os militares são os fundadores da República e herdeiros do poder moderador do Império com carta branca para intervir na política republicana”, defendeu.

Assista a entrevista completa:

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Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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5 Comentários
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  1. Mario Luiz Pereira

    12 de janeiro de 2024 3:24 pm

    Acredito que o artigo/reportagem só esclarece parte da verdade. Pois a EXPCEX e a AMAN desde 2012 seguem currículo lastreado em habilidades e competência desenvolvido pela UNICAMP (Universidade de Campinas) seguramente uma universidade de viés progressista. Concordo que a maioria dos oficiais superiores foram formados em busca de objetivos e ainda hoje as demais escolas teimam em se firmar nessa doutrina. Tudo isso para salientar que os oficiais ingressantes na EXPCEX em 2012 hoje Capitães tem outra visão de mundo ( sempre existirá o fora da curva). Essa é a razão de concordar parcialmente , teria que rever os 90% apregoado.

  2. Jacob Binsztok

    12 de janeiro de 2024 7:36 pm

    Certo exagero, grande parte do oficialato em comando foi formada após o regime militar ,logo sua adesão ao morismo nada tem a ver com os fundamentos de sua formação.

  3. emerson57

    13 de janeiro de 2024 8:21 am

    Para nada servem a não ser consumir dinheiro que poderia acabar com a fome e desenvolver o Pais.
    Se permanecessem apenas os 10% que tem a capacidade de raciocinar, o Pais estaria melhor defendido.
    Sem risco de golpe pelas costas.

  4. +almeida

    13 de janeiro de 2024 8:20 pm

    Se a análise do historiador estiver correta, eu entendo que não estaremos bem servidos por esses supostos 90% de militares moristas, “de cabo a general”.
    Avalio que esperança de uma futura FA séria e legalista fica bastante limitada.
    Afinal, pela clara preferência em insistir no preconceito contra a realidade e contra o presidente Lula, que nunca demonstrou qualquer preconceito no atendimento às diversas reivindicações dos militares, em seus dois últimos governos, fica bastante visível um estranho e suspeito comportamento dessa maioria de militares.
    Não bastasse os vexatórios comportamentos da ala militar, que sem conhecer provas execrou Lula, Dilma e vários políticos do PT e empresários, dirigentes de empresas públicas e privadas.
    Que passou vergonha após, atacar, desafiar e não conseguir provar e não conseguir invadir o sistema de apuração que o TSE sempre garantiu como sendo inviolável.
    Até hacker clandestino foi levado por golpistas aos quartéis, em mais uma ação vergonhosa para a Instituição das FA.

    Hoje, depois de quase todos os acusados terem as suas condenações suspeitas anuladas e também depois de o tal suposto mito, candidato e líder deles ter vencido a eleição, na qual as mesmas urnas que condenavam foram usadas e os resultados finais foram apurados e divulgados e deram a vitória ao líder de todas as acusações (o tal suposto mito), quem poderia confiar nessa turma, de cabo a general, que não tem certeza do que falam, que não tem provas para apresentar, que não encontram respostas para justificar suas acusações e que se contradizem de forma suspeita, não confiável muito vergonhosa?

  5. caio

    14 de janeiro de 2024 7:14 am

    errata: onde se lê conversador leia-se conservador ..

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