5 de junho de 2026

Genoino rebate Conib sobre antissemitismo

Ex-deputado reitera apoio à causa palestina e ressalta que posicionamento antissemita é "rota de fuga” de quem defende as ações de Israel
O ex-deputado federal José Genoino. Foto: Reprodução/Youtube Gustavo Condé

O ex-deputado federal José Genoino afirmou nesta segunda-feira (22/01) que repudia “radicalmente” nota divulgada pela Conib (Confederação Israelita do Brasil) e reitera que “você pode até criticar o sionismo, mas ser antissemita não”.

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Em entrevista ao youtuber Gustavo Conde, Genoíno afirmou que repudia “radicalmente” a nota da associação judaica, afirmando que o uso do antissemitismo sempre aparece quando se critica as ações do Estado de Israel.

“É a rota de fuga – toda vez que se critica o governo de Israel, toda vez que se critica as ações do governo na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, eles botam a pecha, como uma rota de fuga, de antissemitismo”, afirma Genoíno.

“Não tem nada disso, você pode até criticar o sionismo, ser antissionista, mas ser antissemita não, pelo contrário – nós defendemos os direitos e a soberania, as reivindicações e a história do povo judeu, mas aí é um debate político”.

Segundo Genoíno, a nota da Conib é “inaceitável, porque ela busca inclusive interpretar, de maneira parcial, o que eu coloquei”.

Em nota divulgada à imprensa, Genoíno reafirmou a necessidade de se denunciar o genocídio do governo de Israel contra o povo palestino, e inclusive se colocou como defensor incansável do cessar-fogo, a paz entre os povos e a solidariedade aos palestinos.

Posicionamento das associações

A Conib fez uma referência à entrevista que Genoíno deu para o site Diário do Centro do Mundo, afirmando que o pedido de boicote contra “empresas de judeus” é uma fala antissemita, e “o antissemitismo é crime no Brasil”.

“O boicote a judeus foi uma das primeiras medidas adotadas pelo regime nazista contra a comunidade judaica alemã, que culminou no Holocausto”, diz a Conib, que chegou a pedir às lideranças brasileiras que “atuem com moderação e equilíbrio diante do trágico conflito no Oriente Médio pois suas falas extremadas e em desacordo com a tradição da política externa brasileira podem importar as tensões daquela região ao nosso país”.

Outras associações reafirmaram o posicionamento da Conib, como a Federação Israelita do Estado de São Paulo e a Câmara Brasil – Israel.

Por outro lado, Genoíno lembrou na entrevista a Conde que “há um movimento de boicote no mundo” semelhante ao que ocorreu com a África do Sul durante o período de apartheid.

“Esse boicote é de empresas que servem ao Estado de Israel, de empresas que produzem a serviço da ação da guerra e de empresas de pessoas jurídicas judias. São judeus que tem essas empresas que estão vinculadas ao Estado, assim como também tem empresas que não são de judeus que podem também sofrer esse tipo de boicote”, disse o ex-deputado.

Além disso, Genoíno reafirma que o boicote é “uma ação individual, é um movimento que não tem nada de preconceito, não tem nada de antissemitismo”.

Diante desse posicionamento, o ex-deputado lembra que a Conib “busca uma rota de fuga” para criminalizar quem tem uma posição contrária.

“Isso não vai acontecer, evidentemente, porque a discussão começou com a posição do governo brasileiro, com a qual eu concordo, de estar ao lado da África do Sul na conceituação de crime de genocídio por parte do governo de Israel na Faixa de Gaza e da Cisjordânia. É disso que se trata”, afirma Genoíno.

O trecho onde Genoíno comenta a nota da Conib pode ser visto abaixo

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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