O yuan tem passado por um processo de valorização impulsionado pelo aumento da competitividade e um considerável superávit comercial e, embora o governo esteja relutante em deixar a moeda chinesa se valorizar em uma economia lenta, colocar a divisa em um valor poderia ajudar o país a reduzir sua fraqueza estrutural e aumentar a estabilidade global.
Em artigo publicado no jornal South China Morning Post, o economista independente Andy Xie diz que a economia chinesa já é forte quando se avaliam indicadores como níveis de educação, nutrição, esperança de vida e taxa de urbanização.
Contudo, o PIB nominal per capita é cerca de um sexto do apresentado pelos EUA e um terço do visto na Europa e no Japão – e a moeda barata tem grande impacto nessa mensuração. No ano passado, o PIB nominal chinês foi um terço inferior ao apurado pelos EUA no ano passado.
Como exemplo, Xie compara o superávit comercial chinês de 2023 (US$ 800 bilhões, ou 4,5% do PIB) com o mensurado pelo Japão em 1985 (3,2% do PIB), quando o Acordo Plaza foi fechado.
“Tal como aconteceu com a economia do Japão em 1985, uma elevada taxa de poupança e o aumento da competitividade impulsionam o superávit chinês”, diz o articulista, ressaltando que esse número pode aumentar diante da substituição de importações e o reforço das vendas de automóveis e tecnologia de energia renovável para o exterior.
“Quando uma economia tão grande como a da China tiver um excedente comercial estrutural superior a 10% do produto interno bruto, a economia global será instável”, alerta Xie.
Valorização do yuan para aliviar comércio
Enquanto o FMI (Fundo Monetário Internacional) diz que a economia chinesa é um quarto maior ante a dos EUA em termos de paridade de compra, Xie diz que “a economia da China é duas vezes maior que a dos EUA em nível de paridade de preços”.
Porém, o modelo de desenvolvimento do país levou a uma moeda eternamente barata, com o yuan mantendo-se praticamente sem mudanças ante o dólar ao longo das últimas décadas.
Para o economista, isso está ligado à falta de poder do mercado chinês em estabelecer preços, já que as empresas têm vendido peças e produtos para o exterior, e as multinacionais acaba colocando o mercado interno em conflito na disputa de mercado, com implicações evidentes no câmbio.
“Conforme o Ocidente segue com o processo de dissociação ou redução de riscos e um embargo tecnológico, as empresas chinesas têm sido obrigadas a se tornarem independentes”, diz Xie, e isso terá um impacto claro no câmbio ao refletir o nível mais alto de competitividade, com impacto no estabelecimento de preços.
“A disparidade de custos entre a China e o Ocidente é tão grande que é inevitável uma reação política maciça sobre as exportações chinesas. Quando o yuan começa a se valorizar, pelo menos dá alguma esperança ao outro lado”.
No momento, a bolha chinesa está desinflando e a valorização do yuan não irá reaviva-la. Um ponto que pode preocupar o governo é o fato da perda de competitividade aumentar as dificuldades em torno de uma economia afetada pelo esvaziamento da bolha imobiliária, mas é pouco provável que isso aconteça de fato.
“Quando uma economia se torna mais competitiva, a valorização da moeda permite-lhe partilhar os benefícios com o consumidor”, lembra o articulista, ressaltando que “se a moeda permanecer a mesma, a economia chinesa torna-se mais dependente das exportações e o consumidor perde”.
Marcello Azevedo
2 de fevereiro de 2024 8:21 pmO artigo fala em fraqueza estutural da maior economia do mundo e com os maiores bancos do mundo e o maior crescimento global dos ultimos 40 anos. O artigo não se sustenta a luz da realidade. A valorização da moeda chinesa trm relação com a expansão politica da China