Por João Villaverde, via facebook
http://www.youtube.com/watch?v=S1CilMzT55M
Morreu ontem o grande Horace Silver, lenda do Jazz.
Há uma história interessante envolvendo Silver e o Brasil. Depois de ter feito uma incursão no hard bop, com o Jazz Messengers (grupo fantástico liderado pelo baterista Art Blakey, no início dos anos 1950), Horace Silver começou a buscar suas raízes. Seu pai era de Cabo Verde, para onde passou a viajar para conhecer o país e seus ritmos. Silver viveu também intensamente a “invasão” da Bossa Nova em Nova York entre 1961 e 1963, e resolveu conhecer o Rio de Janeiro. Embarcou no fim de fevereiro de 1964, e passou mais de 20 dias no Rio, em março.
O Rio vivia um tempo incrível: a seleção brasileira de futebol tinha vencido as Copas de 58 e 62, e seus jogadores estavam principalmente no Rio (e no Botafogo, diga-se). Caymmi morava no bairro do Flamengo, e Vinícius de Moraes, em Ipanema. Vinícius estava imerso na cultura africana, e ao lado de Baden Powell, que tinha acabado de explodir para o mundo, estava compondo os “afro-sambas” (como “Berimbau”). Além da Bossa Nova e do Samba, o Rio também respirava o Cinema Novo – naquele mês de março de 1964, Glauber Rocha lançava “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, e Cacá Diegues seu clássico “Ganga Zumba” (de trilha sonora inovadora, com o quinteto Os Ipanemas misturando bossa nova, jazz e ragtime).
A ebulição política também era evidente. Horace Silver ficou no Rio até o fim de março, quando embarcou de volta aos Estados Unidos. O golpe militar que depôs o presidente João Goulart e deu início à ditadura foi acompanhado de longe. A experiência brasileira foi central para Silver, que compôs um dos maiores clássicos do Jazz, “Song for my Father”, com levada Bossa Nova. O disco, homônimo, foi lançado no fim de 1964.
Uma lenda!
Mara L. Baraúna
19 de junho de 2014 11:08 pmSong for my father
Horace Silver, brilhante!! Que seja bem recebido!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=S1CilMzT55M%5D
[video:https://www.youtube.com/watch?v=JptvxXK8bw%5D