Por Tadeu Silva
Comentário ao post “A Seleção não é mais a pátria de chuteiras“
O país cresceu, diversificou-se, natural pois que a paixão nacional se adaptasse aos novos tempos. “Assistir” a uma Copa do Mundo pelo rádio é quase a mesma coisa que acompanhar a Independência pelo quadro do Pedro Américo, por sua vez, copiado de um quadro de uma batalha napoleônica, como afirmam alguns críticos (Ernest Meissonier, Batalha de Friedland). A televisão Globo chegou junto com a ditadura, ambas grávidas do capitalismo tecnofinanceiro, não esqueçamos o Caçador de Marajás, e foi modificando/influenciando/alterando pouco a pouco o comportamento geral, aquela história da sociedade do espetáculo, principalmente com a explosão da Barbie ou Xuxa ou vice-versa, a babá eletrônica das gerações dos 80 em diante. Essa coleira eletrônica influiu, sob o comando do Galvão Bueno, no modo de torcer, porque influenciou, antes, o modo-de-ser, algo como o modus operandi do poder simbólico, à la Bordieu.
Ao mesmo tempo, a alegria descontraída de um Garrincha e suas pernas tortas não cabiam na perfeita geometria das retas que o Kupfer desenhou aqui mesmo, num post belíssimo. Por exemplo, talvez a maior vítima da Esefex (dos coveiros Coutinho, Parreira, Camerino) tenha sido o recém falecido Marinho Chagas, verdadeiro artista da bola, infelizmente do Botafogo, que já tinha acabado com o próprio Garrincha. Esperar que um cérebro não cartesiano como é a nossa herança indígena-africana (cuidado, não estou falando de capacidade intelectual) se reduzisse a esta analítica pouco virtuosa do futebol europeu é confundir alhos com bugalhos territoriais, como ensinou o Muniz Sodré.
Nossa cultura apoia-se num território agenciado por uma certa tradição rural, que oferecia lugares amplos e livres à prática esportiva. Não é outra coisa os espaços que as cidades maiores possuíam e o proporcional número de campos de várzea. Essa “desordem” urbano-rural favorecia, ainda com Sodré, pela indeterminação, a criação lúdica. O esquematismo das cidades ocupadas pela especulação imobiliária, que se tornou crônico a partir da segunda metade do século XX, acabou embatumando a técnica/arte, complementado pela sóciogênese, deixando Sodré e indo em direção a Norbert Elias, instilada, para dizer o mínimo pela televisão, mas não apenas, pois o que que é, por exemplo, o produtivismo universitário, aumentando nosso padrão de respostas ao estímulos civilizatórios, capitaneados pela produção simbólica.
Miguel A. E. Corgosinho
19 de junho de 2014 3:02 pmO esquematismo do futebol
O esquematismo do futebol mesclado com capitalismo projeta o homem para mudanças prosaicas – com profundidade prevista pelos meios da mídia que te saudam?… – para satisfazer a execução de ligeiras afirmações que se degradam na terra.
Quer as perspectivas reais para o país? – É imperativo que no país do futebol o homem se dê conta de que o encontramos na terra formado sobre o céu, onde os dois fixaram um ponto de encontro no espaço para conteúdo da natureza externa, como apoio a multiplicação de sua prosperidade.
Mas essa reflexão é uma coisa valorizada para o mercado especulativo, na medida que se comercializa a herança da nossa falsa semelhança na exterioridade a serviço de todas as tendencias que enchem as faculdades.
Não há sábios que queiram sair do atraso comum de um país corrompido e cheio de violência, porque é chamando atenção ao fluxo das palavras do tipo delivery personal, que rejeitam a possibilidade de uma direção que os oriente para repartir a formação do homem no centro da cultura de um novo tempo que circunda a terra.
O próprio processo social – que a natureza exterior tem de capitar e represetar – exprimi-se pela conveniência da criação ludica, adaptada aos conceitos de variadas inspirações desencontradas.
Em geral, falta objetividade à matéria escolhida para que a substância do valor, de maneira livre, se manifeste e apareça com a nitidez individual a todas as pessoas que podemos definir para sua representação.
Daniel Cavalcanti
19 de junho de 2014 5:47 pmMuito bom!
Ótimo texto!