4 de junho de 2026

Processo que apura morte de Rubens Paiva será reaberto, decide Conselho Nacional de Direitos Humanos

Reinserir os crimes da ditadura na agência nacional, assim como responsabilizar os autores, é dívida com o povo brasileiro, segundo conselheiro
Crédito: Reprodução

O Conselho Nacional de Direitos Humanos, órgão do ministério da Justiça e Segurança Pública, decidiu reabrir o processo que apura o sequestro, tortura e assassinato do ex-deputado federal Rubens Paiva. 

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Rubens Paiva foi um engenheiro civil e político desaparecido durante a ditadura, em 1971. Sua morte só foi confirmada 40 anos após o sumiço, a partir de depoimentos de militares envolvidos à Comissão Nacional da Verdade. 

De acordo com as investigações, o deputado foi morto em um quartel militar entre 20 e 22 de janeiro de 1971. Seu corpo foi enterrado e desenterrado diversas vezes. Por fim, os restos mortais foram jogados ao mar, na cidade do Rio de Janeiro.

A reabertura foi proposta pela presidente do CNDH, Marina Dermman. O conselheiro Hélio Leitão, que integra o grupo como representante do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), disse que a reabertura do caso é representativa no contexto de lembrança dos 60 anos do golpe militar.

“O caso Rubens Paiva é emblemático. Por sua violência e impunidade. O engenheiro e ex-deputado federal Rubens Beyrodt Paiva foi ilegalmente preso por militares em 20 de janeiro de 1971. Torturado e assassinado nas masmorras do DOI-CODI do Rio de Janeiro, sua morte somente veio a ser confirmada quarenta anos após o seu desaparecimento, no âmbito das apurações levadas a efeito pela Comissão Nacional da Verdade-CNV. Seu corpo jamais foi entregue à família, a quem também se subtraiu o direito ao luto e ao sepultamento digno de seu ente”, afirmou Leitão, durante leitura do voto.

O conselheiro defendeu ainda que o conhecimento pleno das violações sistemáticas de direitos humanos perpetradas pela ditadura instalada no Brasil, assim como a responsabilização de seus agentes, são condições essenciais para o aperfeiçoamento das instituições democráticas e a superação definitiva do legado autoritário. 

“Ouso dizer que, assim fazendo, para além de reinserir na agenda pública nacional o debate sobre os crimes da ditadura e a responsabilização de seus autores – omissão que já custou ao estado brasileiro duas condenações na Corte Interamericana de Direitos Humanos, casos Julia Gomes Lund e outros versus Brasil e Vladimir Herzog e outros versus Brasil, em especial nesta quadra da história em que o tema está sendo varrido para debaixo do tapete do esquecimento, o Conselho Nacional de Direitos Humanos resgata uma dívida histórica contraída com o povo brasileiro”, continuou Leitão.

Rubens Paiva foi eleito deputado federal em 1962, por São Paulo, pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Quando veio o golpe militar, fez discurso público convocando a população a defender a democracia. Perseguido pelos militares, viveu como exilado na Iugoslávia e na França por nove meses. Quando voltou ao Brasil, manteve o trabalho como engenheiro e a militância contra a ditadura. Preso em 20 de janeiro de 1971, nunca mais foi visto. Esposa e filha foram levadas para o DOI-Codi, mas não viram Rubens Paiva.

*Com informações da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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1 Comentário
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  1. Paulo Dantas

    2 de abril de 2024 10:27 pm

    53 anos !

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