O Brasil virou uma “transdemocracia”, ou “uma ditadura que se identifica como uma democracia”, segundo pronunciamento do deputado federal Gustavo Gayer (PL) realizado na última terça-feira no Parlamento Europeu.
Durante sua intervenção, o deputado goiano afirmou que o governo brasileiro estaria sendo controlado pelo Judiciário, que exerceria o papel de vítima e juiz, gerando assim “centenas de presos políticos”.
“Há perseguição para qualquer um que busque transparência nas eleições”, alegou Gayer, “há criminalização total de um lado do espectro político”.
Tal pronunciamento faz parte da agenda da delegação brasileira de deputados bolsonaristas que esteve em Bruxelas e Haia a convite da ultradireita europeia.
“Podemos ser presos assim que pisarmos no Brasil”
Para Gayer e seus pares, o caso Twitter Files Brazil é uma prova de interferência do Judiciário nas eleições. “O que acontece no Brasil é ainda pior do que ocorre na Venezuela”, afirmou o deputado.
Ao comparar a “tirania” a um “vírus”, o parlamentar do PL afirmou que “eles sempre encontram uma maneira de se adaptar e usar tudo o que foi implementado para garantir que tudo funcione para voltar ao poder novamente. E eles estão aprendendo a fazer isso até com as nossas instituições, com a Suprema Corte”.
Dessa forma, o Brasil poderia ter se tornado o “campo de batalha para este novo tipo de ditadura”, a qual deu o nome de “transdemocracia”; um regime ditatorial que se passa por democracia.
Em meio aos risos da plateia formada por representantes de partidos como o Fratelli (Itália), Fidesz (Hungria), VOX (Estado Espanhol) e MPE (Países Baixos), Gayer explicou o sentido do termo, pois “hoje em dia nada é o que realmente é, mas aquilo com o que se identifica”.
Para o deputado, o Brasil seria um laboratório para a implementação desse novo modelo de ditadura em um país livre. “E se der certo no Brasil, não se equivoquem, será bem-sucedido no mundo inteiro”, alertou.
Segundo Gayer, a restrição da liberdade de expressão no Brasil poderia chegar ao ponto de aplicar represália aos próprios participantes daquela delegação. “Podemos ser presos assim que pisarmos no Brasil”, disse Gayer.
Ainda assim, o parlamentar goiano diz não estar preocupado com seu destino individual. “Não posso deixar meu país, o país dos nossos filhos, se transforme uma ditadura sem lutar. Eu não estou mais com medo de ser preso. Entreguei minha vida a Deus, honestamente.”
Gustavo Gayer compartilhou o discurso em suas redes sociais, e a postagem foi comentada pelo proprietário da plataforma de microblogs X (ex-Twitter), Elon Musk, em duas ocasiões.
Na primeira, o empresário sul-africano diz “Verdade”.
A viagem dos bolsonaristas teve início no mesmo dia (8) em que veio à tona o “Twitter Files Brasil”, quando foi revelado pedido do Supremo Tribunal Federal (STF) de restringir contas de Twitter durante as eleições presidenciais brasileiras de 2022.
Por conta desse caso, abriu-se um embate em torno da liberdade de expressão e respeito à democracia, que insuflou bolsonaristas nas redes sociais contra o ministro do STF e o atual governo.
Lula e Alexandre de Moraes contra o Estado Democrático de Direito
A atividade chamada “Brasil: Lula contra o Estado de Direito” ocorreu na esfera da Assembleia Parlamentar Euro-Americana (Eurolat), que é o corpo transnacional responsável pelo fortalecimento de acordos de cooperação entre os dois continentes do Parlamento Europeu, contabilizando 150 parlamentares.
O convite aos parlamentares brasileiros foi feito pelo eurodeputado e presidente do Grupo Conservadores e Reformistas Europeus (ECR, em inglês), Hermann Tertsch (VOX).
O grupo de ação política do Parlamento Europeu se define como Eurorealistas, em oposição ao Eurofederalismo.
Sobre a visita da delegação brasileira no Parlamento Europeu, o ECR fez uma postagem em seu perfil no Twitter, agradecendo a Gustavo Gayer e Eduardo Bolsonaro por falarem sobre “a derrocada da liberdade de expressão no Brasil”.
Para o grupo, os acontecimentos atuais são “amedrontadores”. “Não podemos permitir que o Brasil se torne uma ditadura”, diz o tweet.
MARISA MARIA HEINRICH
11 de abril de 2024 6:17 pmÉ impressionante como esse pessoal consegue ser ouvido!!! Gostaria de saber quem pagou a viagem. Não aceito que falem em nome dos brasileiros ou que paguemos por isso!
Fábio de Oliveira Ribeiro
12 de abril de 2024 8:14 amEsses brasileiros nóias são a versão local piorada dos caras supostamente espertos que publicaram este artigo na revista Foreign Affairs https://www.foreignaffairs.com/united-states/no-substitute-victory-pottinger-gallagher. Os autores do referido texto, que acreditam ser possível os EUA manter ou reconstruir sua hegemonia através do uso da violência contra Rússia e China, não só ignoram a História. Na verdade, eles se deixam dominar completamente pelos seus delírios de grandeza e desejos imperiais. Estou convencido de que estes fundamentalistas norte-americanos estão a arruinar o presente e o futuro do país deles. Neste ponto seria um erro tentar dissuadi-los. Quando um inimigo da civilização força o seu próprio país a cometer suicídio, precisamos de deixá-lo seguir em frente. Eu realmente prefiro aplaudir esses ideólogos do novo século do White Ass Apes Empire com um sorriso maquiavélico nos lábios. O mesmo sorriso, aliás, que deve ser estampado no rosto quando vemos os bolsonaristas tentando surfar numa onda internacional da extrema direita que só poderá resultar na ruína deles.