10 de junho de 2026

Tragédia no RS não deve mudar projetos do poder público, acredita Carlos Minc

Após deslizamentos em Petrópolis, em 2011, prefeituras do RJ seguiram permitindo construções em áreas de risco; negligência pode se repetir no Sul
Crédito: Tomaz Silva/ Agência Brasil

O programa TVGGN 20H da última terça-feira (7) contou com a participação de Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente entre 2008 e 2010, para comentar os efeitos das chuvas no Rio Grande do Sul, que desde o final de abril vitimaram 95 pessoas e atingiu 1,4 milhão de gaúchos. 

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Questionado pelo jornalista Luís Nassif sobre o legado que a tragédia traz, o ex-ministro respondeu que o Brasil aprende muito lentamente e a um custo muito doloroso. 

“Vou te dar um exemplo: em 2011, teve a desgraça aqui em Petrópolis. Eu era secretário do Meio Ambiente [do Rio de Janeiro]. O que nós fizemos? Pagamos para fazer mapeamento de risco em toda região serrana, baixada, noroeste, Angra, Paraty. Foi feito. Depois, contratamos a universidade para fazer o plano de contingência de todos esses municípios, um a um”, comenta Minc. 

Mas, em vez de considerar o documento para a criação de novas políticas públicas de proteção ambiental e prevenção de desastres naturais, os prefeitos simplesmente pegavam o mapeamento e colocavam um vaso de flor sobre eles para continuar licenciando condomínios, shoppings e estradas em locais apontados como áreas de risco. 

“A gente teve de fazer uma lei inacreditável, dizendo que os municípios tinham de incorporar nos planos diretores e nas leis de uso do solo as restrições e condicionantes do mapeamento de risco e do plano de contingência”, lembra o ex-ministro. 

Surpresa?

O Rio Grande do Sul passou pela mesma negligência dos gestores públicos. Minc afirma que desde 2015 existe um estudo publicado em que a conclusão era de que a situação no estado ia piorar consideravelmente por conta dos alagamentos. 

Para evitar tragédias, os diques precisavam de ampliação e reforço, uma vez que estavam subdimensionados. O trabalho apontou ainda que a região precisava ampliar a velocidade do sistema de drenagem para, segundo o ex-ministro, “prevenir a desgraceira que aconteceu”. “O estudo foi publicado, mas parece que o governador não leu, porque ele disse que foi surpreendido.”

Minc comenta ainda que, no final de 2023, a assembleia gaúcha aprovou um projeto de lei, sancionado pelo governador Eduardo Leite (PSDB), autorizando a construção de barragens em áreas de proteção ambiental. ” Ou seja, essa turma acha que prevenção é coisa desses ecologistas desvairados. Quando acontece uma desgraça, põe a culpa em São Pedro e dizem que estão sendo surpreendidos. Mas surpreendidos como? Se fala disso o tempo todo.”

Para concluir, o entrevistado ressaltou ainda que os eventos extremos vão ser cada vez mais intensos e em espaços cada vez mais curtos entre um e outro. Sendo assim, o poder público não pode evitá-los, mas existem maneiras de prevenção. 

Confira a entrevista completa na TVGGH:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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