4 de junho de 2026

Copom reduz ritmo de corte e baixa Selic para 10,50% ao ano

Decisão foi tomada com voto de desempate de Roberto Campos Neto; tragédia no RS pode influenciar inflação futuramente
Foto: Raphael Ribeiro/BCB

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu o ritmo de cortes da taxa básica de juros de 0,50 ponto para 0,25 ponto na reunião finalizada nesta quarta-feira (08/05), levando a taxa Selic para 10,50% ao ano.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Embora tenha sido o sétimo corte consecutivo na taxa Selic, a velocidade foi menor ante o visto até a reunião de março – quando o Copom reduziu os juros em 0,50 ponto percentual.

A decisão foi tomada por cinco votos a quatro: o presidente Roberto Campos Neto desempatou a decisão ao decidir pela redução em 0,25 ponto percentual, acompanhando os votos de Carolina de Assis Barros, Diogo Abry Guillen, Otávio Ribeiro Damaso e Renato Dias de Brito Gomes.

Na outra ponta, Ailton de Aquino Santos, Gabriel Muricca Galípolo, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira votaram pela manutenção dos cortes em 0,50 ponto percentual.

Piora internacional

Segundo o comunicado divulgado após a reunião, o corte de juros em 0,25 ponto percentual levou em consideração “a evolução do processo de desinflação, os cenários avaliados, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis”.

Na visão do colegiado, tal decisão “é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano de 2025. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”.

O colegiado creditou sua decisão à piora do mercado internacional, “em função da incerteza elevada e persistente referente ao início da flexibilização de política monetária nos Estados Unidos e à velocidade com que se observará a queda da inflação de forma sustentada em diversos países”. 

Em relação ao cenário doméstico, o Copom diz que o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho tem apresentado maior dinamismo do que o esperado. “A inflação cheia ao consumidor manteve trajetória de desinflação, enquanto medidas de inflação subjacente se situaram acima da meta para a inflação nas divulgações mais recentes”.

“A conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento, expectativas de inflação desancoradas e um cenário global desafiador, demanda serenidade e moderação na condução da política monetária”, destaca o colegiado.

Tragédia no RS pode afetar inflação, diz economista

Embora a decisão tenha sido esperada por boa parte do mercado financeiro, pode-se dizer que existem outros fatores que podem afetar a decisão no médio e longo prazo.

E um desses fatores é a tragédia no Rio Grande do Sul, principalmente por conta do impacto que a quebra de safra de itens agrícolas importantes, como arroz e soja, vai afetar os índices de preços no futuro.

Segundo o economista Bruno Corano, da Corano Capital, existem sinais “cada vez mais fortes” de que a inflação está persistente e de que “temos uma dependência muito grande do mercado internacional, que vem sofrendo com a persistência da inflação”.

“Também já tem um sinal claro de que a tragédia no Rio Grande do Sul, de uma forma ou de outra, vai ser um fator contribuinte para fazer a inflação resistir ainda mais, ou levemente pressionar índice para cima”, destacou.

Na visão do CEO da Soul Capital, Rodrigo Negrini, “o cenário fiscal frágil do Brasil, com postergações de metas de superávit, requer muito cuidado com redução de juros”.

Embora acredite que o corte de juros poderia continuar no ritmo de 0,50 ponto, Negrini diz que a menor redução evitou uma parada brusca na trajetória – “a questão é que se o cenário, principalmente de gastos, não se alterar, não deve haver nova redução no próximo Copom”.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Anônimo

    8 de maio de 2024 9:39 pm

    Vários contos de fadas , para justificar uma decisão do BACEN e seu presidente. O mercado financeiro terá que ajustar-se com fusões e desaparecimento de gerentes de carteiras ganhando com a SELIC nas alturas! Transferência de renda as avessas! Será que planejam o que no futuro próximo !

Recomendados para você

Recomendados