4 de junho de 2026

Praticante da cartilha bolsonarista, Pablo Marçal mente sobre proibição de pouso de avião com doações

Coach precisava ter passado informações básicas à base com 3h de antecedência; base militar tem 30 helicópteros e restrição de espaço físico
Crédito: Reprodução/ Instagram

É mentira a afirmação do empresário e coach Pablo Marçal de que seu avião foi impedido de pousar na Base Aérea de Canoas (Baco), no Rio Grande do Sul, apenas por politicagem.

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No último sábado (4), de acordo com o empresário, uma rixa política seria o motivo da proibição, uma vez que Marçal se declara como oposição ao governo Lula e até tentou disputar a presidência da República em 2022 pelo Partido Republicano da Ordem Social (Pros). 

Em contrapartida, o jornalista  William Bonner utilizou um jatinho da Força Aérea Brasileira (FAB) para apresentar o Jornal Nacional direto de Porto Alegre. 

A “denúncia” de Pablo Marçal foi recebida com estranheza pelos operadores da Baco, pois a negativa foi motivada por falta de leitura. O empresário deveria lançar o plano de voo obrigatório com, no mínimo, três horas de antecedência, a fim de informar o tipo de aeronave que vai pousar na base, a hora de pouso, o tempo estimado de permanência e eventuais apoios logísticos. 

Vale ressaltar ainda que, por se tratar de uma base militar, o pouso de aviões civis na base é uma exceção e não um direito. A base conta ainda com mais de 30 helicópteros do Exército operando e, por isso, a operação de coordenação de pouso que prioriza os aviões militares e respeita o limite físico da base se fez necessária.

Fake News

Esta não é a primeira mentira espalhada por Marçal a respeito da tragédia causada pelas chuvas no Rio Grande do Sul. 

No último domingo (5), o coach afirmou no X que a Secretaria da Fazenda do Estado está barrando os caminhões de doação’, ‘não estão deixando distribuir comida, marmita’ e que ‘esse é ano político, a mídia não vai mostrar direito o que tá acontecendo, entendeu? Por causa dos políticos’.

Marçal afirmou ainda que as autoridades gaúchas estavam exigindo a nota fiscal de todas as doações enviadas ao estado. 

O ministro Paulo Pimenta, da Secretaria de Comunicação, teve de intervir. “Recentemente a Secretaria de Comunicação Social foi informada sobre a existência de narrativas desinformativas e criminosas vinculadas às enchentes e desastres ambientais ocorridos no Estado do Rio Grande do Sul. Este ofício tem por propósito destacar esses acontecimentos, sua relevância e impacto no aprofundamento da crise social vivida pela população.”

“Destaco com preocupação o impacto dessas narrativas na credibilidade das instituições como o Exército, FAB, PRF e Ministérios, que são cruciais na resposta a emergências. A propagação de falsidades pode diminuir a confiança da população nas capacidades de resposta do Estado, prejudicando os esforços de evacuação e resgate em momentos críticos. É fundamental que ações sejam tomadas para proteger a integridade e a eficácia das nossas instituições frente a tais crises”, continuou Pimenta. 

A lista de mentiras espalhadas por bolsonaristas nos últimos dias foi encaminhada em um ofício ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. 

A Advocacia-Geral da União (AGU) entrou com ação judicial pedindo direito de resposta por conta da disseminação de notícias falsas pelo influenciador Pablo Marçal.

O coach também terá de esclarecer à Polícia Federal a origem da informação, até porque, segundo a Brigada Militar Gaúcha, o sistema de notas fiscais do Rio Grande do Sul está fora do ar devido às enchentes. 

Quem é Pablo Marçal

Seguido por mais de nove milhões de pessoas apenas no Instagram, Pablo Marçal está fazendo cada vez mais sucesso na internet por conta das polêmicas provocadas que cria. 

Entre os vídeos de sucesso nas redes sociais está um episódio em que o coach afirma que aprendeu a nadar em um dia e, no dia seguinte, já estava dando aula. 

A narrativa de que ele acalmou o piloto do helicóptero onde estava, que estaria em queda, também caiu nas graças dos internautas. 

Mas nem toda bizarrice do coach, que diz ser “pior do que você imagina”, termina bem. Em janeiro de 2022, o empresário colocou 32 pessoas em perigo ao “liderar”, mesmo sem ser guia turístico ou ter qualquer preparo, o grupo na subida da montanha na cidade de Piquete, em São Paulo. Na ocasião, o grupo enfrentou tempestades com ventos de até 100 km/h, que destruiu barracas e poderia ter feito vítimas. 

No ano passado, um jovem de 26 anos morreu ao participar de uma maratona surpresa. Inicialmente prevista para ter 21 quilômetros, a atividade foi dobrada pelo coach logo no início. O rapaz, que prestava sérvio em uma empresa do grupo de Marçal, teve uma parada cardíaca e morreu no hospital Albert Einstein, para onde foi levado após passar mal.

O coach, claro, negou envolvimento com a morte, assim como refutou a responsabilidade sobre o risco de conduzir pessoas pelo Pico dos Marins. Afinal, todos eles “escolheram” estar com ele. 

No mais, tudo vira piada e é justamente aí que mora o perigo. De piada em piada, de polêmica em polêmica, Marçal ganha cada vez mais popularidade. 

Seu modo de atuação e perfil conservador se assemelham ao modus operandi de Jair Bolsonaro (PL), que falava absurdos em programas de TV de qualidade duvidosa, mas que ninguém levava a sério até que surgiu a possibilidade real de assumir e presidência da República. E venceu, com a ajuda da Lava Jato, o pleito de 2018.

Candidato ao Executivo Federal Pablo Marçal já é. E expert em disseminar mentiras e criar polêmicas, também.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    9 de maio de 2024 7:15 pm

    Esses vagabundos e picaretas aprenderam que mentir e vomitar ódio gera mair engajamento proporcionando lucro, especialmente àqueles que tem canais do YouTube monetizados. Enganar e causar mortes para obter lucro é o aspecto mais asqueroso do neoliberalismo algoritmitizado.

  2. Paulo Dantas

    10 de maio de 2024 7:14 am

    Sujeito sem muita relevância alçado à mídia por dizer absurdos pegando carona na falta de credibilidade da população com os políticos tradicionais.

    Já vi isto em algum lugar …

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