A esquerda francesa impediu que a extrema direita dominasse o parlamento do país, responsável por escolher o primeiro-ministro do país. O impacto dessa vitória, que estampou o noticiário internacional, mudará os rumos não somente do Legislativo francês, como também deverá ditar a liderança e conduções do país.
Neste domingo, quase 50 milhões de pessoas da França, ou 67% dos eleitores, votaram para escolher os 577 assentos da Assembleia Nacional. Foi a maior participação popular em 40 anos, em um país onde as eleições não são obrigatórios, como no Brasil.
E as estimadas deram ao bloco da esquerda, a coalizão da esquerda chamada Nova Frente Popular, a maior quantidade de parlamentares; seguida da coalizão de centro do presidente Emmanuel Macron ficou em segundo lugar; e a extrema direita ligada a Marine Le Pen obteve o terceiro lugar.
A comemoração veio massivamente pelos países liderados por presidentes de centro-esquerda. Mas apesar da reviravolta em comparação ao primeiro turno, quando a extrema direita venceu, a prática, contudo, ainda haverá obstáculos para enfrentar este terceiro grupo, que apesar de não ter liderado as somas, ditará negociações.
Para entender o que seguirá às eleições francesas, é preciso entender como funciona o sistema político do país. Semipresidencialista, os eleitores elegem os partidos do Parlamento. E a coalizão que obtiver mais votos é responsável por indicar o primeiro-ministro, que governo o Executivo juntamente com o presidente.
Mas a maioria das cadeiras do parlamento é de 289. Pelas estimativas, a coalizão da esquerda ganhou entre 150 e 180 parlamentares. Em seguida, a de Macron, ganhou de 150 a 170. E a extrema direita, o restante.
Apesar de liderar as cadeiras, em comparação às demais coalizões, a esquerda não escolherá sozinha o primeiro-ministro. Precisará negociar com o partido de Macron e, ainda que com menor peso, com a extrema direita.
O presidente francês, que perdeu a maioria, precisará dialogar com a esquerda que é maioria. E a Assembleia Nacional viverá uma instabilidade.
A Nova Frente Popular apresentará um candidato a primeiro-ministro e, na manhã desta segunda-feira (08), o atual primeiro-ministro de Macron, Gabriel Attal, chegou a apresentar sua demissão. Isso porque, mesmo com a derrota da extrema direita, o grupo político do presidente teve também uma redução e, consequentemente, perdeu força política.
Macron não aceitou o pedido de demissão de Attal e pediu para aguardar o desenrolar do que virá de negociações entre os partidos políticos.
DOUGLAS BARRETO DA MATA
8 de julho de 2024 4:15 pmTudo porque a direita, que se chama de centro, não retirou seus candidatos como fez a esquerda, e assim, Macron bateu a carteira da NFP.
Ficou como fiador da estabilidade por lá, mesmo tendo levado o país ao caos.
O de sempre, por lá e por aqui.
Aí os bobocas clamam: vamos nos unir para barrar os extremistas, mas quais? Os do centro?
Fábio de Oliveira Ribeiro
9 de julho de 2024 8:54 amAs regras da UE obrigam a França e os demais membros a adotar políticas econômicas de austeridade. Esse é a verdadeira causa do crescimento da extrema direita na Europa. Se a UE não romper com o neoliberalismo ela será destruída. Se fizer isso os ricos e sua riqueza irá migrar para os EUA. Portanto, a imediata adoção do controle de fluxo internacional de capitais teria que ser adotado imediatamente antes das novas regras da UE serem colocadas em vigor. O problema: isso não será possível por causa da própria arquitetura da UE. Os europeus criaram uma armadilha que estimula o crescimento da extrema direita, jogaram a chave no lixo e ficaram presos nela com os nazifascistas. Eles são realmente muito espertos. 😂😂😂😂
Douglas Barreto da Mata
9 de julho de 2024 9:11 amhttps://blogdopedlowski.com/2024/07/08/papai-noel-coelho-da-pascoa-e-a-esquerda-no-poder-mitos-e-ideologias-a-servico-da-totalidade-capitalista/