4 de junho de 2026

China e Rússia, os novos líderes mundiais

Após o fim da URSS, os norte-americanos criaram para si mesmos um mito: o de que os EUA, então governado por George Bush,  venceu a Guerra Fria, destruído o império vermelho e emergido como única potência planetária hegemônica. O primeiro teste militar do país no Fim da História  foi a I Guerra do Golfo, vencida apenas parcialmente. A ocupação iraquiana do Kuwait foi derrotada, mas o regime de Saddan Hussein continuou existindo. Os norte-americanos precisaram enfraquecer o regime do Baat no Iraque antes de completar o serviço, o que ocorreu com a II Guerra do Golfo iniciada por Bush Jr.

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A II Guerra do Golfo (batizada nos EUA de Guerra ao Terror) foi vencida rapidamente, mas a demorada ocupação militar do país custou caro política, econômica e diplomaticamente aos EUA. Na última década a potência supostamente única foi obrigada a se endividar na China e a Rússia ressurgiu como potência mundial alavancada pelo aumento do preço do seu petróleo graças à aventura homicida dos EUA no Iraque.

Rússia e China estreitaram relações nos últimos anos. Os chineses passaram a comprar gás e petróleo Russo. Os russos obtiveram da China a segurança do controle territorial sobre a Sibéria. O Kremlin e Pequim sinalizam que pretendem pular fora do dólar e bloqueiam todas as propostas sanções e represálias que os norte-americanos tentam fazer aprovar na ONU. Um anel diplomático de aço se fechou em torno dos EUA, inclusive com a ajuda do Brasil e da Alemanha (dois países que reagiram de maneira bastante firme à espionagem em massa realizada pela NSA com ajuda das empresas de tecnologia da informação).

A política externa dos EUA é pautada pela intervenção (econômica, política, diplomática, militar, não necessariamente nesta ordem). Rússia e China rejeitam este modelo, como também rejeitam o imperialismo de bases militares praticado pelos norte-americanos. Russos e chineses preferem acomodar seus interesses às realidades dos países em que negociam seus produtos. 

Num mundo cansado das aventuras intervencionistas dos EUA, Rússia e China surgem como candidatos naturais a liderar uma Nova Ordem Mundial. Os EUA estão fora. Isto está prestes a se tornar um fato consumado. Os norte-americanos podem reagir bem ou mal à sua decadência e perda de liderança mundial. Mas isto é algo que  vai afetar mais eles mesmos do que os habitantes do resto do mundo. É neste contexto que se dará a eleição presidencial brasileira.

Aécio Neves já disse que pretende ligar o Brasil umbilicalmente aos EUA. Ele aposta todas suas fichas em reforçar uma hegemonia decadente e/ou superada que só proporcionou feridas profundas na nação (nunca esqueceremos que os norte-americanos fomentaram e apoiaram a ditadura militar iniciada em 1964). Dilma Rousseff pretende dar seguimento a política externa que vem realizando, pautada pela segurança do nosso território, na defesa pacífica dos nossos interesses no exterior com independente e orientada para o reconhecimento do fato consumado (a decadência da liderança dos EUA). Também aqui os brasileiros serão chamados a votar entre o passado (agressivo imperialismo norte-americano) e o futuro (uma Nova Ordem Mundial liderada por China e Rússia). Votarei no futuro, e você?

 

 

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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