4 de junho de 2026

Em meio queda dos índices de insegurança alimentar no Brasil, Lula lança Aliança Global contra a Fome e a Pobreza

"A fome não é natural. A fome exige decisão política”, declarou o presidente durante o pré-lançamento do programa, proposto pelo Brasil no G20
Presidente Lula pelas lentes do fotógrafo presidencial Ricardo Stuckert
Presidente Lula pelas lentes do fotógrafo presidencial Ricardo Stuckert

O presidente Lula (PT) lançou, na manhã desta quarta-feira (24), a principal iniciativa brasileira durante seu mandato na presidência do G20: a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que prevê o compromisso internacional de países na articulação de políticas públicas e estratégias de combate as desigualdades. A organização não governamental (ONG) Ação da Cidadania, no Rio de Janeiro, foi palco da estreia. 

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

O lançamento do programa, que tem como objetivo principal garantir que territórios carentes tenha acesso a países que se propõem a financiar projetos locais, acontece em meio a divulgação dos dados do Relatório das Nações Unidas sobre o Estado da Insegurança Alimentar Mundial (SOFI 2024).

Segundo o levantamento, a insegurança alimentar severa no Brasil caiu 85% em 2023. Ao todo, 14,7 milhões de brasileiros deixaram de passar fome. Nas redes sociais, Lula comemorou a queda e ressaltou que o trabalho do governo no G20 tem o objetivo de erradicar a fome “em todo o mundo“.

Já na cerimônia de lançamento do programa, no entanto, o presidente chamou atenção para os dados mundiais sobre o tema. Segundo ele, os números são “estarrecedores” e consequência da “globalização neoliberal“. “Nas últimas décadas, a globalização neoliberal agravou esse quadro. Nunca muitos tiveram tão pouco e tão pouco concentraram tanta riqueza. Em pleno século XXI nada é tão absurdo e inaceitável quanto a persistência da fome e da pobreza, quando temos tanta abundância e tantos recursos científicos e tecnológicos”, disse.

O petista destacou que fome é uma questão que “exige decisão política“. “A fome não resulta apenas de fatores externos. Ela decorre sobretudo de escolhas políticas. O mundo produz alimentos para erradicá-la“, afirmou. “A fome não é natural. A fome e exige decisão política. Nós governantes não podemos olhar só para quem está próximo de nós, é preciso fazer uma radiografia e olhar para aqueles que estão distantes, aqueles que não conseguem chegar aos palácios, as escolas, aqueles vítimas de preconceitos“, acrescentou.

Durante discurso, Lula ainda reiterou o compromisso de retirar, novamente, o Brasil do Mapa da Fome até o fim do seu terceiro mandato. “Pode ir se preparando para noticiar em breve, ainda no meu mandato, que o Brasil saiu novamente do mapa da fome“, declarou.

Investimento

Para garantir a efetividade do programa, o Brasil deve desembolsar entre US$ 9 milhões a US$ 10 milhões até 2030 com parte dos custos administrativos da iniciativa. “Há uma decisão para o Brasil colaborar financeiramente com metade do valor previsto para a governança da Aliança até 2030, o que envolve o acompanhamento das metas e o trabalho de outros países“, afirmou o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, durante o lançamento.

Taxação dos super-ricos

Na ocasião, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltou ainda que taxação dos “super-ricos” é a maneira mais justa de captar recursos para combater a fome e a pobreza. “A fome e a pobreza não são fatalidades ou produto de condições imutáveis. A comunidade internacional tem todas as condições para garantir a cada ser humano neste planeta uma existência digna. O que tem faltado é vontade política“, declarou Haddad.

Leia também:

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. celso soares

    24 de julho de 2024 10:29 pm

    O Pr Lula, disse uma verdade. Mas para acabar com a fome, a miséria e a desigualdade, precisa além da decisão política, começar a enfrentar o rentismo, É PRECISO CORAGEM, aliar-se ao setor produtivo e com o povo, cortar a bolsa banqueiro, acabar com as desonerações de empresas que usam isso, não para produzir mais e barato, para ampliar empregos e salários, mas em benefício de seus acionistas e cupula diretiva, ao invés de arrochar os aposentados como o governo fez junto com o STF, aumentar de fato e significativamente o salário mínimo que o Brasil não vai quebrar, enfim, é preciso mais atitude e menos discursos. Criar mais organismos, para palanque político, não acaba com a fome, aliás, a ONU já tem um organismo que trata da fome!

Recomendados para você

Recomendados