Sugerido por Henrique Torres
Essa matéria já tem três dias e não sei se foi comentada aqui. Mas acho que vale a pena. O incorrigível jornal carioca entrevistou o ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda com o objetivo de sempre: arrancar do entrevistado críticas ao governo brasileiro. E o jornal até consegue isso, em parte, quando se trata da Ucrânia e da Venezuela, o que evidentemente é destacado no título da matéria, mas tem de engolir (sem vestir a carapuça, é claro) uma crítica à mídia brasileira e internacional quando se trata do México – isso feito por alguém que está longe de ser um “esquerdista contra a liberdade de imprensa”.
Do O Globo
‘Brasil é neutro demais para quem quer ser uma potência’, diz Jorge Castañeda
Autor de ‘Utopia Desarmada’ e ex-chanceler do mexicano Vicente Fox pede mais críticas à Venezuela
Para escritor, desempenho econômico melhor da Aliança do Pacífico em relação ao Mercosul é uma ficção criada pelos mercados na mídia internacional
RIO – Ex-chanceler mexicano Jorge Castañeda critica omissão do Brasil sobre Ucrânia e diz que silêncio sobre a repressão na Venezuela é ‘especialmente grave’
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez uma crítica ao Brasil dizendo que o país não se manifesta em relação às violações de direitos humanos na Venezuela. O senhor compartilha dessa opinião?
O Brasil tem adotado uma política demasiadamente neutra, passiva, sobre muitos temas internacionais, um deles é o da Venezuela. Mas há muitos outros. Por exemplo, ele se absteve na Assembleia Geral da ONU há três semanas sobre a Ucrânia. Se absteve sobre a Líbia, há alguns anos. Não se manifesta, não opina. Se o Brasil quer ser realmente uma potência regional, com voz internacional, deve opinar, expressar-se sobre esses temas, o que não está fazendo. No caso da Venezuela, o silêncio brasileiro é especialmente grave porque é um país fronteiriço com o Brasil e a repressão lá tem aumentado enormemente nos últimos três meses. E o Brasil tem uma influência muito grande lá.
O Brasil estagnou em seus anseios econômicos e se encolheu no que diz respeito à projeção internacional?
O Brasil tem um papel econômico internacional muito importante. É uma voz que se escuta. Mas, obviamente, as expectativas de crescimento do Brasil há seis anos, em 2008, 2009, eram muito mais elevadas que agora. A economia brasileira cresceu muito menos pelas expectativas que o Brasil mesmo criou. O erro do Brasil, como o do México agora, foi gerar expectativas excessivas que são difíceis de cumprir. O problema com o Brasil é que parecia ser uma potência econômica emergente, com crescimento assegurado por dez anos, o que não ocorreu.
O presidente Barack Obama perdeu o interesse pelo Brasil e América do Sul?
Há dois temas centrais aqui: um é o conjuntural e o outro é histórico. O tema conjuntural é que Obama está muito mais centrado hoje em questões de outras partes do mundo, como Ucrânia, Irã e Oriente Médio. Não há nada acontecendo na América Latina hoje que seja uma preocupação para os Estados Unidos. O fator histórico é que, depois da Guerra Fria, há menos interesse na região. A América Latina é um mercado interessante, mas não é um mercado gigantesco como a China, Índia, Europa e Rússia.
Os países da Aliança do Pacífico têm crescido mais que os do Mercosul? Por quê?
Isso é falso. O Brasil cresce mais que o México. E “países do Pacífico” não existem. Há um país grande, que é o México, há um país mediano, que é a Colômbia, e dois países pequenos, que são Peru e Chile. Não é certo que os do Pacífico cresceram mais. Essa é uma ficção criada pelos mercados na mídia internacional. O que se sucede é que as expectativas sobre o Brasil foram muito elevadas. Afirma-se que o México cresce mais que o Brasil, mas, no ano passado, o Brasil cresceu mais. E este ano o Brasil vai crescer mais que o México.
Como avalia o governo do presidente do México, Enrique Peña Nieto?
É um governo que teve muitas boas ideias, boas intenções, algumas realizações, mas os resultados ainda não vemos. Há por um lado impaciência e , por outro, ceticismo.As pessoas estão impacientes e céticas. É possível que haja resultados. Mas é uma incógnita.
Quando a economia brasileira começou a estagnar, a imprensa internacional passou a dizer que a nova potência da América Latina seria o México.
Isso é um pouco falso. O Brasil continua recebendo muito mais investimento estrangeiro que o México. A mídia brasileira é ruim, a mexicana é muito ruim e a mídia internacional, quando fala de Brasil e do México, é péssima. É muito mau conselho escutar o que diz a mídia internacional tanto sobre Brasil quanto sobre o México, porque ela sempre se equivoca.
Como o senhor vê a situação da presidente Dilma Rousseff agora nas eleições brasileiras?
Me parece claro que, em primeiro lugar, há um pouco de cansaço com o PT, que teve três governos bons, mas sempre as pessoas se cansam. As pessoas querem mudança. Assim, a situação da presidente é menos segura do que a do presidente Lula nas duas eleições. Em segundo lugar, creio que houve excessos nos gastos econômicos e sociais durante os anos de Lula, mas os custos quem paga é Dilma. Ela é quem paga o pato. Tudo indica que esta será uma eleição mais difícil para ela do que se havia pensando um ou dois anos atrás.
Assis Ribeiro
19 de maio de 2014 11:01 amNassif, este título que você
Nassif, este título que você colocou não extrapola a matéria?
O certo não seria:
O crescimento mexicano e a ficção criada pela mídia nacional (?)
Lionel Rupaud
19 de maio de 2014 11:26 amNo caso a “nossa” midia só age como
mera “repetidora” da matriz anglo-saxão.
Alias olhando FSP, veja,globo pode se falar de “mídia nacional”?
Ataíde Coutinho
19 de maio de 2014 11:30 amOpinião de Claudio Lembo por volta dos 20 min
[video:https://www.youtube.com/watch?v=S2V1qVn3azM#t=1262%5D
MarFig
19 de maio de 2014 12:21 pmImpressionante o baixo nível
Impressionante o baixo nível dessa jornalista. Não sei quem é e de onde veio isso, mas acho que tem cheiro de goebbels. Grossa, mal educada, nervosa e burra.
AdrianoG
19 de maio de 2014 3:29 pmQue grosseira!
Essa jornalista estava atacada! Que grosseria! isso não se faz com ninguém, ainda mais um convidado! Patética!
Ataíde Coutinho
19 de maio de 2014 11:34 amreunião de “pauta “
eles nem se escondem mais….[video:http://www.youtube.com/watch?v=NyBDkTY65CA%5D
marcos nunes
19 de maio de 2014 12:18 pmCrescimento muito é bobagem
Nós não temos que ter a obsessão do crescimento, mas sim a da igualdade, da distribuição de enda, da reforma tributária para alterar a perversão da cobrança sobre os mais pobres e vcontemplar os ganhos abusivos e patrimônio dos mais ricos. Temos que arrumar a casa, sem descuidar do meio produtivo, mas também alterando suas regras para contemplar a construção de um país de todos, e não para alguns. Crescendo 0,1%, assim, estpa bom, porque pode significar, inclusive, maior responsabilidade do meio produtivo quanto às formas de produção, no mais e em geral nocivas ao meio ambiente.
Joaquim Aragão
19 de maio de 2014 1:31 pmCrescimento é bobagem?
Embora não compartilhe do catastrofismo compulsório que a mídia tem nos imposto há anos (Mau Dia Brasil, etc.), estou, sim, preocupado com a relativa estagnação econômica.
Uma economia capitalista traz sempre riscos de desequilíbrios, tanto em nível internacional, quanto nacional, regional e até local. Só a expansão dos mercados e o crescimento são capazes de amortecer os riscos e subsequentes danos, que recaem, como em um plano inclinado, sobre os que possuem menos defesas.
Em uma economia (ainda) dependente como o Brasil, que não consegue (ainda) produzir a poupança necessária para financiar suas necessidades correntes e estratégicas, não crescer o suficiente implica, de uma forma ou outra, a desequilíbrios fiscais, que produzem desequilíbrios monetários, que por sua vez produzem desequilíbrios cambiais. E aí o navio começa adernar.
Podemos (ainda) nos sentir seguros quando às conquistas sociais, mas o estrago está feito, que poderá comprometer seriamente o até aqui duramente conquistado. A curva de Philips, que paira sobre nossas cabeças como uma espada que está segura por um fio cada vez mais tênue, nos chantageia de forma inclemente para optarmos entre a volta da inflação e o desemprego. E é para fugir dessa ameaça que precisamos, sim, crescimento.
Não podemos nos apegar a ilusões de passageiros do Titanic, que nas horas em que podiam fazer alguma coisa, não acreditavam no terrível desastre. A situação é séria, e não podemos cobrir o sol com a peneira.
Como, portanto, escapar do desastre, sem apelarmos para as receitas desumanas do neoliberalismo à luz de sua “corrente principal” (ou seja, única admissível e permitida) de pensamento?
Esse é o desafio que não se limita ao Brasil, mas se estende ao próprio capitalismo mundial. Há páginas e páginas se perguntando, discutindo e procurando alguma forma de “new economic thinking”.
Nós, que estamos criando nossa associação Imagine Brasil, temos o foco, sim, no crescimento, sustentável (tanto ambiental quanto socialmente), e estamos buscando soluções para sair do atoleiro.
Há, de fato, muitas saídas, tanto em nível nacional quanto internacional. No caso brasileiro, temos enormes potencialidades territoriais ainda insuficientemente inseridas na economia. Ao invés de, com base em um planejamento territorial estrito e sério, incorporar esses potenciais de crescimento, preferimos sustentar uma indústria automobilística concentrada espacialmente, fazendo as outras regiões pagarem pela desoneração desses setores, por redução drástica do Fundo de Participação. E a ausência, ao meu ver catastrófica, da Presidenta no Fórum de Prefeitos, reforça ainda essa imagem, lastimável e perigosa, de ignorância territorial.
No plano internacional, os países centrais nunca sairão definitivamente da crise, se não renovarem seus laços com o Sul, dessa vez de forma mais integrativa, fazendo que as populações deles e nossas saem do ciclo da miséria, para voltarmos ou finalmente integrarmos o mercado de massas. Tanto nossos países como os deles têm de acertar novas “parcerias de crescimento”, onde os potenciais se complementem, e não compitam entre si. Na medida em que os governos nacionais estão tomados pelas plutocracias nacionais e internacionais dos setores industriais e financeiros, é preferível que essas parcerias aconteçam entre regiões e cidades, menos entre os países, pelos canais do que vem se convencionando como “diplomacia subnacional” (o Estado de São Paulo vem a praticando, há algum tempo).
Com relação às fontes de crescimento em âmbito nacional e internacional, temos de reconhecer ainda muitas necessidades não atendidas, que podem se tornar fontes de novos dinamismos econômicos (“necessity is opportunity”, como dizem os americanos). Os Desafios do Milênio, a serem substituídos por uma nova pauta ainda em elaboração, devem ser lidos não apenas como um documento, chato e estraga-prazeres, de apelo à consciência, e sim como um catálogo de oportunidades.
Nós já divulgamos há algum tempo nesse site como buscar novos propulsores de crescimento. Podemos repetir e renovar nossas contribuições, se demanda houver.
Mas, voltando à questão do crescimento, ele é essencial, sim. Não há economia (capitalista e “pós-capitalista”) que quiser aumentar o potencial de atender as demandas humanas cada vez mais crescentes, que possa prescindir do processo do crescimento. A falta de crescimento castiga a natureza (protegê-la de forma sistemática não é barato!) e os mais pobres. Claro, isso não significa que o crescimento irá beneficiar de forma proporcional a todos.
Mas quando o capitalismo não consegue crescer, seus mandantes, em pânico diante o questionamento de sua autoridade, promovem um retrocesso civilizatório, inacreditável em tempos de bonança, criando sujeitos-objetos de ódio. Já vimos isso nas crises do Século XIX, da década de 30 do século passado, e estamos vendo isso diante dos nossos próprios olhos, aqui e lá fora.
Só que temos, igualmente, compreender e qualificar esse crescimento. Aliás, o crescimento econômico é ainda um fenômeno relativamente secundário na Teoria Econômica convencional, não obstante sua centralidade! Nem os modelos hayekianos nem os keynesianos nos oferecem uma teoria abrangente de crescimento econômico.
Seu estudo como um processo circular- espiralar de acumulação, circulação e redistribuição do capital em âmbito social (nacional e internacional) é a tarefa mais urgente a fazer (já apresentamos aqui um esboço da idéia, há tempo atrás; e continuamos a trabalhar nela). Ou seja, precisamos uma pauta emergencial de pesquisa.
Em suma, a questão não é se precisamos ou não crescer. E sim: COMO CRESCER?
marcos nunes
19 de maio de 2014 2:29 pmA inversão do sentido a partir do método
O Paul Krugman, baseado em pesquisas feitas por outros economistas, desmistifica essa pré-condição da poupança interna para investimento e crescimento econômico.
A partir daí, boa parte de seus argumentos perdem consistência, de acordo com Krugman.
Não vejo o crescimento como essencial mas simplesmente como decorrente de melhor azeitamento das formas e processos d eprodução, considerando não a parodutividade em si, mas a qualidade e os resultados sociais e ambientais.
As demandas internas podem e devem ser recompostas em função de uma nova mentalidade de consumo, sem essa ênfase na satisfação pessoal via compra de mercadorias em excesso.
Na verdade, é um discussão longa, que merece tratamento em por menor, coisa que aqui não cabe, pois ninguém lê tratados postos como comentários de material jornalístico em si mesmo bastante exíguo.
Mas percebo em sua abordagem uma integração ao entendimento sistêmico de um capitalismo triunfante, quando o que pretendo é colocar no devido lugar esse falso triundo e pensar a sociedade sem submissão aos parâmetros financeiros.
Joaquim Aragão
19 de maio de 2014 4:52 pmPoupança e crescimento
Caro Marcos, nenhum autor, por mais meritório que seja, pode ser utilizado para silenciar uma argumentação. Isso é uma prática inaceitável de “argumentum magister dixit”. Respeito Krugman, e até adiro à linha de pensamento dele, mas, por favor, não tente comigo esse truque.
A relação entre poupança e investimento é, de fato, mais complexa, e de maneira menhuma eu propago aqui o argumento da poupança prévia: primeiramente, o próprio conceito de poupança é muito contrditório, inclusive sua mensuração (já publiquei algo sobre isso, em capitulo de livro). Segundo, o próprio investimento (ou a perspectiva dele) é motivador de poupança, e não ao contrário (tenho defendido isso, também).
Mas tudo isso não contraria a cadeia de relações que expus, no caso brasileiro. Sei que bancos criam moeda fiduciária, e o governo pode também criar moeda em função de expectativas futuras. Mas toda essa liberdade tem limite: nenhum banco irá criar sua moeda em cima de uma situação de risco econômico e de pouco retorno, e nenhum governo tem a liberdade sem limites de criar moeda inflacionária.
A dependência do Brasil do financiamento externo é notória, qualquer administrador petista ou mais à esquerda irá reconhecer isso. As nossas necessidades de investimento e custeio para assegurar um mínimo de padrão de vida, dinamismo econômico e até para proteger a Amazônia, superam em muito o que podemos atualmente arrecadar dos bancos e do contribuinte. A capacidade do BNDES e do Tesouro estão esgotadas; e os bancos internacionais e nacionais não estão dispostos a financiar investimentos no Brasil a taxas minimamente sustentáveis para os empreendimentos públicos e privados, se não for por muito boa razão.
Para isso, portanto para criarmos essa boa razão, temos de dar um salto na qualidade de projetos que justifique novas apostas financeiras (publicas e privadas), projetos esses lastreados em uma perspectiva inédita de crescimento e atratividade. E essas perspectivas existem em nossos recursos territoriais (naturais e humanos), notoriamente subaproveitados, como também nas demandas ainda não cobertas da humanidade. É isso que quis dizer.
Falar de nova “mentalidade de consumo” como saída para a estagnação da economia, em um País que uma boa parte ainda está lutando para obter o direito de consumir o essencial (entre os quais aparelhos domésticos que facilitam a vida e libertam os membros da familia de tarifas excruciantes para prepararem um simples prato de comida), me soa um pouco como desvaneio de intelectuais de Zona Sul, me desculpe! A propósito, gosto muito do Mujica, mas ele não me fornece nenhuma estratégia de política econômica para o Brasil (a do Uruguai continua a exploração de nichos limitados na integração internacional).
Mas a maior parte do consumo não é individual, nem esse é exclusivamente dirigido por motivações “fúteis”, do tipo “we buy shit we do not need, with money we do not have, to impress people we do not like”. Ao contrário, há ainda muita necessidade de consumo básico para ser suprida (não apenas no plano individual, mas também no coletivo, como transportes, hospitais, escolas etc. etc.), e para isso preciso ser criada renda e garantir sua justa distribuição.
Claro, no Brasil (e no mundo) há espaços de melhor distribuição que poderão ser explorados, mas isso requer uma dura luta política, a que o presente governo não tem se esquivado, sem contudo ter conseguido em mexer na estrutura básica de acumulação e distribuição do capital. É uma questão de relações de força, e cada governo tem de buscar saídas de políticas econômicas concretas dentro de sua capacidade de governança. O resto é fantasia de boteco.
Mas mesmo com uma melhor distribuição, os beneficios serão limitados se um dinamismo econômico mínimo não garantir a satisfação permanente e AMPLIADA das necessidades, crescentes. Lembre-se que o socialismo ruiu exatamente por não ter conseguido MELHORAR ainda mais o atendimento das necessidades e aspirações crescentes da população, a despeito de ter assegurado o básico.
Por fim, no que tange o triunfo do capitalismo, também não simpatizo com esse sistema. Mas não acredito que ele saia do mapa durante meu resto de vida (15 a 25 anos, no máximo), muito menos no período de um governo de 4 a 8 anos. Não gostar de um sistema não implica em ignorar as restrições, por vezes incondicionais, que ele impõe quando ele existir, em dado contexto histórico.
Os sonhos de superar o mais rápido possível a realidade capitalista (durante a famosa “marcha inexorável para o socialismo”) estão um pouco relegados ad acta. Primeiramente, temos de entender porque o socialismo real falhou, e porque nenhuma alternativa de sistema conseguiu se implantar desde então. A esquerda foge ainda muito a esse debate e resume cada vez mais a sua atuação a protestos e lutas contra pontos especificos das estratégias do capital.
Sorry, essa é a realidade de hoje, reconhecida até por vários autores de esquerda. E quando assume o governo, o máximo que pode, apesar das violentas resistências do capital, é uma política com alguma melhor distribuição, em doses homeopáticas. Essa falta de perspectiva é uma das razões porque, apesar da crise mundial, a direita plutocrata ainda consegue dar as cartas.
A superação da situação indesejada requer, antes de mais nada, um radical repensar do processo econômico, buscando saidas que tenham capacidadade de hegemonia política. É por isso que focalizo o crescimento econômico como ponto de concordância. Mas, insisto novamente, é necessário qualificar esse crescimento.
Requalificar o crescimento e colocá-lo novamente em funcionamento de forma sustentável e ampliada (superando os vôos de galinha, que não são especialidade brasileira) implica em reconhecer o papel de TODAS as forças vivas e organizações da sociedade, ainda de classe, que necessitam sua inserção livre, menos instrumentalizada por um grupo limitado mas poderoso, para que possam dar o máximo de contribuição ao processo de acumulação social. Isso implica em novas formas de contratação e novos tipos de projetos, que consigam criar novos dinamismos até agora bloqueados pela abordagem particularista e fragmentada da estratégia neoliberal.
Em suma, são essas forças e seus projetos o verdadeiro pivô de uma nova onda de crescimento. Ela haverá de ser capitalista, com todos os riscos em que isso importa, mas teremos um capitalismo mais organizado, menos fragmentado, capaz de realizar missões até agora inimagináveis. Os contratos de novo tipo, por sua vez, exigirão a inserção mais democrática da sociedade na configuração dos projetos, radicalmente includentes, com vistas a que esses rendam o impulso econômico necessário (no momento, até à própria existência do capital). Seria o passo que a sociedade precisa (e pode) dar no sentido da socialização das relações de produção, pelo menos no que tange a criação das bases materiais e organizacionais.
Fernando
20 de maio de 2014 5:00 amGostaria de saber
Prezado professor Joaquim Aragão.
Gostaria de saber mais sobre essa associação que o senhor mencionou.
Gosto muito das suas intervenções aqui no blog.
Um abraço.
Fernando
20 de maio de 2014 5:00 amGostaria de saber
Prezado professor Joaquim Aragão.
Gostaria de saber mais sobre essa associação que o senhor mencionou.
Gosto muito das suas intervenções aqui no blog.
Um abraço.
Joaquim Aragão
20 de maio de 2014 8:40 pmAssociação Imagine Brasil
Caro Fernando, a associação deve sair em junho, e se chamará Imagine Brasil. Ela é devotada a desenvolver e lutar politicamente por programas territoriais, segundo os principios da Engenharia Territorial.
Nosso foco será o crescimento econômico, mas em uma concepção mais ampla desse processo.
Algumas colocações sobre nossa visão temos colocado na nossa página facebook Imagine Brasil, que tem a URL
https://www.facebook.com/engenhariaterritorial
Abraço
Joaquim Aragão
Anúbis.
19 de maio de 2014 12:39 pm14%
No governo Médici teve ano que o Brasil cresceu 14% do PIB.
Alguém tem saudade?
Emilson Werner
19 de maio de 2014 12:50 pmNossa!
Quem será a autoridade brasileira com coragem de contra-argumentar com tanta qualidade, claramente contrariando a repórter e colocando-a em seu lugar? A coitada da menina deve ter saído de bochechas vermelhas da entrevista. As “perguntas afirmativas” da moça foram rebatidas na hora! Impressionante! Quem no Brasil teria coragem de esbofetear argumentativamente alguém da Globo?
Emilson Werner
19 de maio de 2014 12:50 pmNossa!
Quem será a autoridade brasileira com coragem de contra-argumentar com tanta qualidade, claramente contrariando a repórter e colocando-a em seu lugar? A coitada da menina deve ter saído de bochechas vermelhas da entrevista. As “perguntas afirmativas” da moça foram rebatidas na hora! Impressionante! Quem no Brasil teria coragem de esbofetear argumentativamente alguém da Globo?
Paulo F.
19 de maio de 2014 12:57 pmLá no Sul isso tem nome!
Lembrando Brizola: Vicente Fox & Jorge Castañeda: pelegos!
Daytona
19 de maio de 2014 4:34 pmNem sinal do GUNTER, nem do
Nem sinal do GUNTER, nem do Motta Araújo hahahahahaah
Os países da Aliança do Pacífico têm crescido mais que os do Mercosul? Por quê?
Isso é falso. O Brasil cresce mais que o México. E “países do Pacífico” não existem. Há um país grande, que é o México, há um país mediano, que é a Colômbia, e dois países pequenos, que são Peru e Chile. Não é certo que os do Pacífico cresceram mais. Essa é uma ficção criada pelos mercados na mídia internacional. O que se sucede é que as expectativas sobre o Brasil foram muito elevadas. Afirma-se que o México cresce mais que o Brasil, mas, no ano passado, o Brasil cresceu mais. E este ano o Brasil vai crescer mais que o México.
Gunter Zibell - SP
19 de maio de 2014 8:47 pmPesquise.
http://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.MKTP.PP.CD
Aprende-se mais que fazendo trollagem.
Gunter Zibell - SP
19 de maio de 2014 9:06 pmO Sol nasce para todos.
Nos últimos 20 anos não houve variação substantiva nos resultados encontrados em crescimento econômico do Brasil e México. E as variações que há não têm relação com os agrupamentos políticos governando cada país (o PAN governou o México de 2000 a 2012, o PT governou o Brasil de 2003 em diante.)
Em 1993 o PIB do México (*) era 70% do Brasil, em 1996 era 61%.
De 1994 a 1996, portanto, o México cresceu um pouco menos que o Brasil (conseqüência da recessão mexicana de 1995 e primeiros anos de Real no Brasil.)
Em 2000 voltou a 70% (não há uma indicação de que a associação ao Nafta, em 1994, tenha prejudicado o conjunto do período 1994-2000.)
Assim, de 1997 a 2000, o México cresceu mais que o Brasil.
Em 2004 passou para 66%, novo período de México crescendo menos.
Em 2006 volta-se a 70%, mais uma vez México cresceu mais.
(Com pouca oscilação, a valorização de commodities, mundial de 2004 a 2011, quer seja de minérios, alimentos ou hidrocarbonetos, favoreceu todas as economias de renda média.)
Em 2010 aparece 64%, cresceu menos. (Aí pesou a crise dos EUA em 2008-2009)
Para 2014 (**) espera-se 69%, cresceu mais. (Os EUA se recuperaram, México idem, desde 2011 o Brasil cresceu um pouco menos que a média da América Latina.)
Para 2019 (**) espera-se 71%, continuidade do mais. (Nada de novo.)
E assim ficamos, não parece haver grande diferença no médio prazo (de 1960 a 1980 o Brasil cresceu consistentemente mais que o México, mas era outra história, a da recuperação parcial de uma defasagem ainda anterior, da 1ª. Metade do século XX.)
Recessões e recuperações acontecem. A cada 3 ou 4 anos aparece alguma inflexão. Até há grande interligação dos dois países em relação aos ciclos internacionais (o México mais influenciado pelo norte-americano) mas no fim o que conta é a capacidade produtiva instalada e a disponibilidade de mão-de-obra formada. Produto (renda) é função de Capital, Tecnologia e Trabalho. Não de discurso político, não há como fugir disso.
Mas com tantas oscilações é fácil ver que há grande chance de se escolher períodos “convenientes”.
Em sendo assim, quem prefere modelos mais neoliberais, como os adotados por países da “Aliança do Pacífico”, deve evitar pegar dados escolhidos a dedo para justificar essa escolha.
Não obstante, Perú, Chile e Colômbia cresceram no período substancialmente mais que tanto Brasil e México, e cabe aos políticos e economistas de ambos países pesquisarem isso.
E quem prefere modelos mais desenvolvimentistas, como em geral adotados por países do “Mercosul”, deve igualmente evitar a escolha de períodos. Pode comentar sim o sucesso em desconcentração de renda, mas observar que as curvas para isso ao longo do tempo também são similares entre Brasil e México, Venezuela e Perú.
O gráfico a seguir é do Banco Mundial para 2004-2012, cobrindo um período em que o México foi alinhado aos EUA e, como dito, governado pela opção mais à direita naquele país, o PAN. E que o Brasil foi governado pelo PT, opção mais à esquerda aqui.
Em 2004 a proporção era de 66%, em 2012 de 69%. O que não significa nada em especial, se lembramos que a população do México cresceu cerca de 3% a mais que a do Brasil no período.
Os resultados de ambos os países, inclusive a estagnação em 2009, deve-se a ciclos internacionais mais que a políticas internas (que não mudaram, de resto, em nenhum dos países em relação aos períodos anteriores.)
http://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.MKTP.PP.CD/countries/MX-BR?display=graph
(*) Usamos o mais recente levantamento do Banco Mundial, apresentado em abril de 2014 para a metodologia de Paridade de Poder de Compra:
http://blogs.worldbank.org/opendata/icp-2011-7-million-prices-199-economies-8-regions-and-15-partners
Os dados podem ser encontrados aqui:
http://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.MKTP.PP.CD
(**) Usando-se as mais recentes projeções do FMI para o período 2013-2019.